COLUNISTA
Pelo menos um dos assessores de primeiro escalão do governo Hingo Hammes demonstrou grande curiosidade e fez perguntas, na última semana, sobre um antigo Procedimento de Investigação Criminal (MPRJ 2017.01268917) movido pelo Ministério Público estadual, que tramitou no Tribunal de Justiça e até agora não teve desfecho. A ação que parece preocupar integrantes do governo de Petrópolis envolve os principais dirigentes de empresas que detêm os maiores contratos de serviços firmados pela Prefeitura de Petrópolis, entre eles o de terceirização de mão-de-obra na Educação e de aluguel de equipamentos para a coleta do lixo, que era da Comdep e agora passou para a Secretaria de Obras, Serviços Públicos e Segurança. Na ação, eles se propuseram a dar colaboração premiada (delação premiada) envolvendo fatos graves sobre as relações do grupo com o prefeito de Arraial do Cabo à época, Renato Martins Viana, e atividades criminosas também em negócios com a Prefeitura de Campos e com órgãos públicos de outros municípios. Em um anexo que tratava de financiamento de campanhas eleitorais, o grupo incluiu o município de Petrópolis, entre outros 12. Os dados sobre esses financiamentos seriam dados em troca de facilidades em licitações de contratos públicos.
Indiciados como réus o empresário Fernando Trabach Gomes e vários membros de sua família propuseram ao Ministério Público fazer delação premiada, relatando todos os delitos cometidos nas relações com a Prefeitura de Arraial do Cabo e com Renato Martins Vianna, e também em outros municípios. Segundo o Ministério Público, os empresários se comprometeram a confessar os fatos criminosos a eles atribuídos. As acusações envolviam constituição de organização criminosa, falsidades, estelionatos, crimes contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro”. Nos relatos antecipados no documento do MP, estão compras de veículos e imóveis para autoridades, a criação de postos de gasolina e outras empresas, além de pagamento de vantagens indevidas a políticos e de valores indevidos pela empresa Odebrecht, por meio da Cervejaria Itaipava, tendo como contrapartida a contratação de empresa para a construção de casas populares. Os depoimentos da delação premiada foram mantidos em sigilo. No acordo de delação, os empresários se comprometiam a pagar indenizações no montante aproximado de R$ 40 milhões. O colaboradores premiados são réus em ações em Duque de Caxias (Ação Penal 0027989-59-2013819.0021), em Resende (Ação Penal 0007338-26,2016.8.19.0045) e eram investigados em dois procedimentos da Promotoria de Investigação Penal de Campos (2017.01259838 e 2014.01106527).
O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Paulo Melo, não estava inelegível como a coluna noticiou equivocadamente. Ele já havia sido absolvido por juiz de primeira instância e o acórdão publicado recentemente tratava apenas da homologação da decisão. O ex-deputado, que tem muitos amigos e eleitores em Petrópolis, não só está elegível como é candidatíssimo a voltar para a Alerj, nas eleições de outubro. Concorre pelo União Brasil.
O casal Sandra e Antônio Neves está em festa permanente pelo nascimento da primeira neta, Beatriz, filha da médica Thatiane Neves e do empresário Thiago Formenti. A família vai se reunir no Le Canton Hotel, em Teresópolis, em grande estilo.
A justeza do autor da sentença que negou o retorno do ICMS a mais para Petrópolis, desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo, foi reconhecida pela Câmara Municipal. Depois da decisão, ele foi agraciado com o título de cidadão petropolitano, por proposta do vereador Fred Procópio.
O governador interino, Ricardo Couto, demitiu o último dos principais assessores que o ex-prefeito Bernardo Rossi nomeou como secretário estadual de Ambiente. O ato de exoneração do subsecretário Carlos Felipe Cruzick já foi publicado no DO.
A confissão, pelo próprio prefeito, de irregularidades na utilização de recursos públicos em Petrópolis, em 2025, provocou uma avalanche de manifestações críticas nas redes sociais, mas, aparentemente, não entusiasmou o interesse investigativo dos vereadores. Afinal, é dado como certo o sepultamento do projeto que propõe a cassação do mandato do prefeito Hingo Hammes, apresentado pelo vereador Léo França (PT). Talvez o Legislativo espere os dados sobre as irregularidades idênticas ou piores já cometidas em 2026, para debruçar sobre o assunto.
Volto ao tema para fazer um reparo à nota publicada há uma semana. O Prêmio Maestro Guerra Peixe é conferido pela Academia Brasileira de Poesia e não pela Academia Brasileira de Letras. Os livros dos escritores petropolitano Sylvio Adalberto (Coração na Boca, detentor do Prêmio Maestro Guerra Peixe de Cultura, conferido pela Academia Brasileira de Poesia) e Do Senado ao Sinal, da escritora iniciante Juliana Virgílio), os dois com prefácios do acadêmico Ataualpa A. P. Filho foram incluídos no Espaço Participativo, que faz difusão gratuita de literatura. Também está disponível o livro Da Pedra à Era Digital, de Ronaldo Maurício, escritor e importante ativista cultural em São José do Vale do Rio Preto. O link https://drive.google.com/file/d/1jv5nM68KvdsrR_IsHwvnKNPUPv1IFKPs/view?usp=sharing dá acesso ao Espaço Participativo, onde há também outras várias publicações.
Há irregularidades de toda ordem, praticadas pelo governo municipal, em prejuízo do direito dos servidores. Tantas que viram rotina. Mas, há algumas que são revoltantes. Por exemplo, a do motorista Mário Campos, que trabalhou 38 anos na Prefeitura, dirigindo por 20 anos para vários prefeitos e que se aposentou no governo Paulo Mustrangi e que não consegue receber as verbas a que tem direito com a aposentadoria. Como Mustrangi governou de 2009 a 2013, dá para imaginar o tamanho do desrespeito, pois além do próprio prefeito que concedeu a aposentadoria, já passaram pela Prefeitura outros três prefeito e o calote contra o motorista continua.
A denúncia da vereadora Júlia Casamasso (PSOL) é grave. A Prefeitura estaria recebendo recursos federais destinados a cobrir o complemento do piso salarial dos profissionais de enfermagem, mas não faz o pagamento em dia. É mais um serviço que a vereadora presta aos servidores. Casamasso, aliás, tem grande prestígio entre os servidores da Prefeitura, em especial os da educação, dos quais se tornou destemida defensora.
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