COLUNISTA
Se o governo municipal esperava uma opinião mais técnica e representativa das comunidades por onde passa o Rio Piabanha sobre a inconveniência e os riscos da aprovação do condomínio com 560 apartamentos, no terreno da antiga Montreal, em Corrêas, já pode começar a tomar providências para retirar a autorização para a construção. Ou, no mínimo, para reduzir o número de unidades e rever as exigências. O Comitê, órgão colegiado integrante do Sistema Estadual de Gerenciamento e Recursos Hídricos, responsável pela gestão dos recursos hídricos na Região do Piabanha, divulgou documento oficial, manifestando “profunda preocupação frente aos recentes processos de licenciamento, aterramento e adensamento construtivo em áreas de restrição hidrológica no município de Petrópolis”. E “recomenda que as autoridades licenciadoras, de forma prudente e tecnicamente responsável suspendam a liberação de novos aterros e licenças de construções às margens dos cursos d’água”.
Para não deixar dúvidas, no documento, o Comitê destaca que “Petrópolis é historicamente marcada por eventos climáticos extremos e inundações recorrentes. Sob essa ótica, a primeira diretriz legal e ecológica a ser rigorosamente respeitada é a integridade da Faixa Marginal de Proteção (FMP ou APP) dos corpos d'água, com especial atenção ao leito e às margens do Rio Piabanha. A autorização de aterros e construções nessas áreas críticas compromete de forma irreversível a dinâmica fluvial e a segurança da população. Faixas marginais (APPs) e várzeas de inundação desempenham um papel vital como áreas naturais de amortecimento de cheias. Eliminar essas áreas por meio de aterros e construções transfere o volume excedente de água para jusante (rio abaixo), amplificando os danos em bairros vizinhos e centros urbanos”. Essa parte final do texto, divulgado no último dia 1°, diz respeito aos riscos que correm a Estrada Mineira, Prado, Posto Dois, Corrêas, Nogueira, Bonsucesso, Itaipava, chegando à Posse. Devem ser motivos suficientes para repensar o projeto na antiga Montreal. São todas áreas que sofrem graves inundações, com enormes prejuízos para o comércio, moradores e equipamentos públicos.
Esse projeto na Montreal, em Corrêas, não chega a competir ainda com o esquema desmoralizado de coleta do lixo, em matéria de corrosão da credibilidade do governo, mas tem tudo para ser ainda mais grave. Quem tiver dúvidas, que procure conversar com quem mora nesse caminho do Rio Piabanha e já teve suas residências ou estabelecimentos comerciais invadidos pela água imunda.
Quem se der ao trabalho de verificar quais foram as obras que podem ser consideradas investimentos, contratadas nos últimos 12 meses, ou nos últimos muitos anos, pelo município, vai encontrar a confirmação de que a Prefeitura não consegue mais do que ser reativa em relação aos problemas da cidade. Todas são obras para consertar danos causados por temporais, sejam eles quedas de muros nas margens dos rios, deslizamentos de encostas, destruição de ruas por causa de temporais, entupimento ou destruição dos precários sistemas de drenagem, como causa e efeito de inundações. Não há uma só obra estrutural, que nos proteja das inundações e dos deslizamentos. No caso das vias de tráfego de veículos, o máximo que a Prefeitura consegue é jogar asfalto sobre algumas ruas e fazer operações tapa-buracos em outras. Nenhuma obra que ajude a melhorar a mobilidade urbana. Se isso não mudar, as consequências dos problemas que não trabalhamos para evitar, vão continuar consumindo o dinheiro e o futuro da cidade.
No caso dos ônibus, o governo municipal conseguiu, até agora, estancar uma parte importante da crise: os ônibus voltaram a circular nos corredores principais e nos bairros e não há uma paralisação ou ameaça de paralisação toda semana. Há esperança, portanto, de que as autoridades consigam, com a intervenção, melhorar a qualidade do serviço prestado.
O primeiro levantamento para o Senado no Rio de Janeiro, sem a presença do ex-governador Cláudio Castro (PL), que desistiu da candidatura, já mostra a competitividade do deputado Pedro Paulo (PSD), cuja candidatura só foi decidida na semana passada, e anunciada em Petrópolis, durante reunião promovida pelo ex-prefeito Leandro Sampaio (PSD). Em dois cenários pesquisados, a líder é Benedita da Silva (PT). Num cenário em que aparecem os nomes de Marcelo Crivella (Republicanos) e Márcio Canella (União), Pedro Paulo aparece em quarto lugar, com 20,7% dos votos. Sem Crivella e com Carlos Portinho representando o PL, Pedro Paulo sobe para 22,8% e é o terceiro colocado, depois de Benedita e Márcio Canella. Estes números foram recebidos com festa no PSD, porque o candidato já aparece com mais de 20% das intenções de voto, apesar de a maioria do eleitorado ainda não saber que ele agora disputa a vaga de senador. Comemoração também no PT, com a consolidação da candidatura Benedita da Silva na liderança. E animou o União, onde Márcio Canella aparece em boa posição nos dois cenários. A pesquisa foi realizada de 1° a 3 de junho e registrada com o número RJ 05645/2026.
Depois de quase 10 anos, o Supremo Tribunal Federal extinguiu o processo que era movido contra o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e a Confederação Brasileira de Voleibol, Carlos Arthur Nuzman. A decisão foi cumprida na última semana, pela 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, onde o processo tramitava, desde 2017. Como presidente da CBV, Nuzman foi responsável por grande parte do desenvolvimento do vôlei no Brasil, que hoje é considerado o segundo esporte mais popular, depois do futebol.
O Ministério Público Federal em Petrópolis, que está coordenando as reuniões de acompanhamento da atuação da Elovias, empresa que assumiu a exploração do pedágio na BR-040, em lugar da Concer, não está relaxando nessa tarefa, importantíssima para Petrópolis, em mais de um aspecto. Além das melhorias na rodovia, a região pode ficar com uma fatia dos 72 mil empregos diretos e indiretos que podem ser criados nos próximos anos. Nesta fase inicial do trabalho, o MPF cobra da empresa que dê manutenção correta à estrada, com a recuperação das pistas, entre o Rio e Petrópolis, em especial no trecho da serra.
Foi movimentada a pajelança promovida pelo ex-prefeito Bernardo Rossi, pré-candidato a deputado federal. Rossi reuniu num grande hotel de Itapava boa parte do seu grupo político mais próximo e fez um pronunciamento otimista. Mas, se ouviu a opinião de muitos dos que foram até o hotel em Itaipava, onde o evento foi realizado, deve ter ficado preocupado. Boa parte dos presentes faz parte do grupo de funcionários da Secretaria do Ambiente e de outros órgãos estaduais, que ficaram ao desabrigo, com o processo de demissões desencadeado pelo governador interino Ricardo Couto. A posição é que, se Bernardo não encontrar solução para substituir os empregos (e salários, portanto) do governo estadual, eles terão de procurar outros ninhos. Para animar os preocupados companheiros, aqui e ali, assessores do ex-prefeito dizem que o grupo político a que ele é ligado, o de Cláudio Castro, vai conseguir retomar o poder estadual e “as coisas voltarão ao normal”. É uma referência à possibilidade de o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas, ser instalado no Palácio Guanabara.
Chova ou faça sol na horta de Flávio Bolsonaro, não há dúvidas de ele tem um aliado fiel, em Petrópolis. Em um momento de desgaste, por conta do suposto envolvimento no escândalo do Banco Master, o senador continua tendo o vereador Octávio Sampaio como o principal defensor político em Petrópolis, onde a maioria dos demais líderes da direita estão encolhidos.
Os partidos políticos que tomem cuidado, nas eleições de 2026. O Ministério Público e a Justiça Eleitoral vão fiscalizar com especial atenção o cumprimento das regras sobre candidaturas de mulheres, negros e indígenas.
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