COLUNISTA
Em tempos difíceis, como estamos vivendo em Petrópolis, alguns problemas precisam ser enfrentados. Um deles é a herança de contratos caros e malfeitos em administrações anteriores, que deveriam ser revisados, repensados, mudados. Nessa realidade que recomenda economizar, economizar e economizar, o serviço de coleta de lixo, por exemplo, campeão de ineficiência, deveria encabeçar um esforço de mudança, com vistas em desempenho e preço. Não existem argumentos para manter a situação atual. Se precisamos um modelo, o governo interino do estado pode ser uma inspiração. O estado acaba de suspender a contratação de radares para controle de velocidade, feita pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), ainda na administração do governador Cláudio Castro, porque o sobrepreço encontrado poderia provocar prejuízo de cerca de R$ 130 milhões aos cofres do estado. E o governo estadual está empenhado em identificar e acabar com as irregularidades na folha de pagamentos do funcionalismo, nas licitações, dispensas de licitações e inexigibilidades de licitações. Por que é tão difícil para Petrópolis fazer o mesmo?
Falando em contratos que não atendem aos interesses de Petrópolis, registro um equívoco cometido na última coluna: o reajuste em 25% nos preços do contrato com a empresa Força Ambiental, proprietária do depósito de Três Rios, para onde vai o lixo de Petrópolis, tem vigência de seis meses e não de um ano, como foi noticiado aqui. Fica aberto assim o caminho para novo reajuste daqui a seis meses. E o prazo mais curto aumenta o impacto financeiro do contrato.
Os problemas na coleta do lixo, que têm resultado em ruas, calçadas, praças e beiras de rios sujas, pode trazer outros prejuízos financeiros a Petrópolis. É que um dos critérios para estabelecer a participação do município num bolo correspondente a 2,5% do ICMS recolhido pelo estado é a qualidade da gestão de resíduos sólidos. Ou seja, o que fazemos com o lixo agora, em 2026, terá reflexos no que receberemos de ICMS Ecológico no próximo ano. Isso representa prejuízo duplo: de um lado, os prejuízos com os preços dos contratos e com a ineficiência do serviço prestado, de outro, a possibilidade de jogarmos receita no lixo.
Quando uma das carretas que fazem o transporte do lixo da estação de transbordo até o depósito de Três Rios quebra e não pode fazer seu serviço, não há plano B, a sujeira fica mesmo nas ruas. Uma carreta parada na margem da BR-040, desde segunda-feira, mostra que não há pressa em resolver essas emergências. Ontem, apenas três carretas faziam o serviço e eram insuficientes para receber o lixo dos caminhões compactadores, da coleta, que, também insuficientes, eram obrigados a suspender o trabalho.
Menos dois imóveis com mau aspecto, em plena Rua do Imperador, destas que deixam os petropolitanos deprimidos. A Casas Bahia foi autorizada a realizar obras nas suas duas lojas, inclusive melhorando as condições de acessibilidade.
A Indústria Brasileira de Filmes (IBF), que funcionou em Petrópolis e transferiu-se para Duque de Caxias, decidiu encerrar as atividades em suas filiais de São Paulo, Pernambuco e Paraná. A IBF era um orgulho para Petrópolis, ao lado de tantas outras empresas que se foram, quando ainda não havia risco de nos transformarmos em cidade-dormitório. Perdemos indústrias e não conseguimos desenvolver, com a rapidez necessária, a economia com base na tecnologia e no turismo.
Documento produzido pela Frente Parlamentar de Prevenção das Tragédias e Moradia Digna da Assembleia Legislativa, de que faz parte, como coordenador, o deputado petropolitano Yuri Moura, pede a suspensão do licenciamento de grandes empreendimentos imobiliários em Petrópolis e, em relatório oficial, aponta os impactos de novos condomínios. O documento defende a revisão urgente do Plano Diretor e recomenda ao Ministério Público acompanhamento dos processos de licenciamento. O relatório, que ganhou o título de “Petrópolis, território em disputa política urbana, maio ambiente e especulação imobiliária”, aponta que os empreendimentos concluídos, em construção ou lançados recentemente representam mais de três mil unidades habitacionais. E acrescentamos: sem que haja investimentos em infraestrutura urbana para evitar que a expansão seja inimiga da boa qualidade de vida.
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