Edição: quarta-feira, 24 de junho de 2026

Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Governo estadual mostra como Petrópolis deveria enfrentar seus problemas


Em tempos difíceis, como estamos vivendo em Petrópolis, alguns problemas precisam ser enfrentados. Um deles é a herança de contratos caros e malfeitos em administrações anteriores, que deveriam ser revisados, repensados, mudados. Nessa realidade que recomenda economizar, economizar e economizar, o serviço de coleta de lixo, por exemplo, campeão de ineficiência, deveria encabeçar um esforço de mudança, com vistas em desempenho e preço. Não existem argumentos para manter a situação atual. Se precisamos um modelo, o governo interino do estado pode ser uma inspiração. O estado acaba de suspender a contratação de radares para controle de velocidade, feita pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), ainda na administração do governador Cláudio Castro, porque o sobrepreço encontrado poderia provocar prejuízo de cerca de R$ 130 milhões aos cofres do estado. E o governo estadual está empenhado em identificar e acabar com as irregularidades na folha de pagamentos do funcionalismo, nas licitações, dispensas de licitações e inexigibilidades de licitações. Por que é tão difícil para Petrópolis fazer o mesmo?


Mais caro

Falando em contratos que não atendem aos interesses de Petrópolis, registro um equívoco cometido na última coluna: o reajuste em 25% nos preços do contrato com a empresa Força Ambiental, proprietária do depósito de Três Rios, para onde vai o lixo de Petrópolis, tem vigência de seis meses e não de um ano, como foi noticiado aqui. Fica aberto assim o caminho para novo reajuste daqui a seis meses. E o prazo mais curto aumenta o impacto financeiro do contrato.


Receita no lixo

Os problemas na coleta do lixo, que têm resultado em ruas, calçadas, praças e beiras de rios sujas, pode trazer outros prejuízos financeiros a Petrópolis. É que um dos critérios para estabelecer a participação do município num bolo correspondente a 2,5% do ICMS recolhido pelo estado é a qualidade da gestão de resíduos sólidos. Ou seja, o que fazemos com o lixo agora, em 2026, terá reflexos no que receberemos de ICMS Ecológico no próximo ano. Isso representa prejuízo duplo: de um lado, os prejuízos com os preços dos contratos e com a ineficiência do serviço prestado, de outro, a possibilidade de jogarmos receita no lixo.


Realidade

Quando uma das carretas que fazem o transporte do lixo da estação de transbordo até o depósito de Três Rios quebra e não pode fazer seu serviço, não há plano B, a sujeira fica mesmo nas ruas. Uma carreta parada na margem da BR-040, desde segunda-feira, mostra que não há pressa em resolver essas emergências. Ontem, apenas três carretas faziam o serviço e eram insuficientes para receber o lixo dos caminhões compactadores, da coleta, que, também insuficientes, eram obrigados a suspender o trabalho.


Melhor

Menos dois imóveis com mau aspecto, em plena Rua do Imperador, destas que deixam os petropolitanos deprimidos. A Casas Bahia foi autorizada a realizar obras nas suas duas lojas, inclusive melhorando as condições de acessibilidade.


Bons tempos

A Indústria Brasileira de Filmes (IBF), que funcionou em Petrópolis e transferiu-se para Duque de Caxias, decidiu encerrar as atividades em suas filiais de São Paulo, Pernambuco e Paraná. A IBF era um orgulho para Petrópolis, ao lado de tantas outras empresas que se foram, quando ainda não havia risco de nos transformarmos em cidade-dormitório. Perdemos indústrias e não conseguimos desenvolver, com a rapidez necessária, a economia com base na tecnologia e no turismo.


Expansão sem planejamento

Documento produzido pela Frente Parlamentar de Prevenção das Tragédias e Moradia Digna da Assembleia Legislativa, de que faz parte, como coordenador, o deputado petropolitano Yuri Moura, pede a suspensão do licenciamento de grandes empreendimentos imobiliários em Petrópolis e, em relatório oficial, aponta os impactos de novos condomínios. O documento defende a revisão urgente do Plano Diretor e recomenda ao Ministério Público acompanhamento dos processos de licenciamento. O relatório, que ganhou o título de “Petrópolis, território em disputa política urbana, maio ambiente e especulação imobiliária”, aponta que os empreendimentos concluídos, em construção ou lançados recentemente representam mais de três mil unidades habitacionais. E acrescentamos: sem que haja investimentos em infraestrutura urbana para evitar que a expansão seja inimiga da boa qualidade de vida.

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