Edição: sábado, 04 de julho de 2026

Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Estado pode buscar na Justiça devolução de salários dos fantasmas


Uma informação que tem origem no Palácio Guanabara está assombrando centenas de ocupantes de cargos em comissão no governo do estado (destes que permitem a nomeação, sem concurso público), que não trabalhavam, apenas recebiam seus salários. E podem ser milhares de pessoas. É que o governo pretende buscar judicialmente ressarcimento dos salários pagos a funcionários ditos fantasmas. Em alguns casos, é bastante dinheiro, porque alguns receberam salários sem trabalhar por mais de três anos. Muitos dos que correm o risco de serem alvos de ações de cobrança foram vítimas de uma distorção nas relações de trabalho e nas práticas políticas de compra de voto. Eram considerados cabos eleitorais confortáveis para os candidatos. Não era preciso apresentar-lhes ideias, propostas e projetos de atuação política do candidato. O apoio já estava garantido, porque eles ocupavam cargos dos quais poderiam ser demitidos a qualquer momento, se não cumprissem o compromisso de apoiar e votar no candidato-padrinho. Agora, a farra acabou.


Outra versão

Na contramão da nota anterior, chega aos comissionados a informação de que tudo voltará “ao normal”, assim que o Supremo Tribunal Federal decidir que o novo governador do estado, para exercer o mandato até 31 de dezembro, será eleito pelos deputados estaduais, em eleições indiretas na Assembleia Legislativa. Verdadeiro ou apenas para acalmar momentaneamente os que foram demitidos, o recado é que um novo governo-tampão voltará a nomear os, vamos dizer assim, cabos eleitorais. E que ninguém terá de devolver o que recebeu irregularmente.


Uma questão

Será que o único lugar onde ocorrem contratações fantasmas é o governo do estado?


Paes na festa alemã

O ex-prefeito Eduardo Paes, pré-candidato a governador foi festejado quinta-feira à noite, na Bauernfest, para onde foi depois de um dia longo, de entrevistas à imprensa, participação em evento empresarial e outras andanças. Ao lado do pré-candidato ao Senado Pedro Paulo, Paes foi para a festa alemã levado pelo ex-prefeito de Petrópolis Leandro Sampaio. Durante o passeio pelo espaço do Palácio de Cristal, Paes fez sucesso e foi cumprimentadíssimo. Depois, o grupo foi para a barraca da Cervejaria Tortuga, para onde foi também o deputado Hugo Leal. No restaurante, Eduardo Paes foi o centro das atenções. Em outro local da festa, estavam o ex-governador Cláudio Castro e o ex-prefeito Bernardo Rossi. Os dois grupos não se encontraram.

Registro

Rogéria Nantes Braga Bolsonaro, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro e mãe do senador Flávio Bolsonaro, do deputado Eduardo Bolsonaro e do vereador carioca Carlos Bolsonaro deixou o cargo de assessora na Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Pediu demissão na última semana.


Mais dois

Quem também deixou o governo estadual foi o ex-secretário de Educação do governo Hingo Hammes, Alexandre Gurgel. Ele ocupava cargo importante: vice-presidente da Faetec. Outra exoneração foi a do ex-prefeito de Três Rios, que era o superintendente de Inovação e Competitividade Setorial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Josimar fazia parte da equipe de outro ex-prefeito de Três Rios, Vinícius Farah, que foi transferido para o Detran, de cuja presidência foi também exonerado pelo novo governo. Como ocuparam cargos de alta direção, estão livres de qualquer suspeita de serem fantasmas.


O que falta

O processo que trata da condenação do ex-governador Cláudio Castro, pelo TSE e pelo STF, está pronto para ser votado pelos ministros do Supremo. A sessão de julgamento deve ser realizada já nas primeiras semanas de agosto, depois do recesso de meio de ano. O caso tinha sido retirado de pauta por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, mas já está em condições de entrar em pauta. A tendência, até pelas dificuldades de realizar eleições diretas, é que a eleição seja entregue aos deputados estaduais.


Ônibus para o Rio a R$ 9,40?

Haverá, certamente, uma batalha judicial a enfrentarem torno da lei que estende a Petrópolis e dois outros municípios o direito de andar de ônibus na Região Metropolitana, com tarifa reduzida. O projeto, do qual o deputado petropolitano Yuri Moura é um dos signatários, havia sido vetado pelo governador do estado, mas o veto foi derrubado pela Assembleia. Já foi promulgado e prevê que o benefício chega a Petrópolis, Cachoeiras de Macacu e Rio Bonito. Mas, ainda não está clara a forma de adotar o benefício no caso de Petrópolis. O bilhete único prevê que a viagem em dois meios de transportes públicos e custa R$ 9,40. Com esse valor, ou a empresa Única-Fácil, que mantém o monopólio do serviço de ônibus entre Petrópolis e o restante da Região Metropolitana, vai fazer generosa bondade de cobrar apenas 25% das tarifas que hoje pratica, ou alguém vai ter de pagar a diferença. Para ter acesso ao benefício, é obrigatório preencher os requisitos do programa (como ter renda mensal de até R$ 3.205,20) e manter o cadastro ativo no CPF.

Crédito: Divulgação
Crédito: Divulgação

Antonio Lopes Neves, ex-secretário municipal em Petrópolis, aproveitou a chance, no almoço de aniversário de Léo Pércia, em Pedro do Rio, para conversar com a deputada federal Laura Carneiro, também convidada para a festa, sobre os graves problemas de habitação popular em Petrópolis. Neves acredita que com a participação ativa do próximo governo estadual seja possível destravar os caminhos para atrair investimentos federais em habitação popular no município, que tem 15 mil famílias morando em áreas consideradas de risco.


Correção 1

A coluna errou ao citar Matheus Quintal como candidato a deputado estadual. Na verdade, ele disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados.


Correção 2

A lista de pré-candidatos petropolitanos a deputado estadual omitiu o nome de Igor de Oliveira, do Missão (partido que surgiu do Movimento Brasil Livre). Foi o suficiente para que muitos apoiadores do pré-candidato usassem o espaço de comentários da coluna, nas redes sociais, para pedir a correção. Que aí está.


Os limites

O TSE manteve para as eleições deste ano o mesmo limite de gastos por candidato adotado em 2022. Assim, cada candidato a deputado federal poderá gastar “apenas” até R$ 3.176.572,53 para fazer a sua campanha eleitoral. Os candidatos a presidente poderão gastar quase R$ 89 milhões no primeiro turno e mais R$ 44,4 milhões no segundo turno. Os limites para os candidatos ao Senado e a governadores serão calculados com base no número de eleitores dos estados. Não é à toa que os políticos lutam tanto para incrementar o já bilionário Fundo Eleitoral.


De olho nos temporais

Decreto do prefeito Hingo Hammes prorrogou por mais 90 dias a situação de emergência pública que está em vigor desde abril de 2025. Os próximos três meses não são, normalmente, de grandes chuvas, mas a prorrogação vai permitir, segundo o decreto, a realização de obras de contenção e reabilitação de áreas atingidas por temporais e que ainda não receberam cuidados.


Homenagens

A secretária municipal de Educação de Petrópolis, Poliana Ferrarez, foi homenageada com a Medalha Tiradentes, maior homenagem conferida pelo Estado do Rio de Janeiro. A medalha foi aprovada pela Assembleia Legislativa, por proposta do deputado Sérgio Fernandes.


Maldade

Adversários e até alguns companheiros não perderam a piada, depois que o prefeito Hingo Hammes vestiu a camisa da seleção alemã, no dia do jogo em que a até então favorita para ganhar a Copa foi desclassificada pela seleção do Paraguai. Os engraçadinhos querem pedir ao prefeito que vista a camisa da Noruega, que enfrenta o Brasil no próximo domingo.


Festa

Paulo Antonio Carneiro Dias, diretor do Diário e aniversariante de ontem, comemorou a data entre amigos e com a família. Na próxima semana, vai fechar o ciclo de comemorações no tradicional almoço do Domingos Restaurante.

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