COLUNISTA
Duas mudanças na campanha eleitoral para presidente da república se destacaram na segunda-feira (5) e ontem (6). A primeira foi o sucesso da estratégia de cada um usar o telefone para conquistar pelo menos um voto novo para a candidatura do presidente Lula. Isso veio seguido de outra mudança jovens universitários anunciaram mobilização em todo o país, na luta para virar o placar eleitoral do primeiro turno. Os alvos são, evidentemente, os jovens e os que que não saíram para votar, no domingo.
Tsunami eleitoral 1
O tsunami eleitoral ocorrido em Petrópolis tem tudo para agravar ainda mais a situação das finanças municipais. A não reeleição do deputado federal Hugo Leal representa a perda de bons recursos que ele destinava, principalmente, para a área de saúde. Assim como Hugo, outros deputados federais que destinavam emendas parlamentares para Petrópolis ficarão sem mandato a partir do próximo ano. Outros candidatos ligados a Petrópolis, como Rubens Bomtempo e Marcus Vinícius Neskau, foram rejeitados pelo eleitorado. E há, ainda, o caso do Dr. Luizinho, este reeleito com a maior votação no Estado do Rio, para a Câmara dos Deputados, que é também complicado. Como é que o prefeito Hingo Hammes, que teria prometido a ele apoio da sua estrutura política, pode explicar os minguados 1358 votos que o Dr. Luizinho teve em Petrópolis Ou revela que este é o seu atual tamanho eleitoral, ou admite que traiu suas promessas de apoio.
Tsunami eleitoral 2
Neste caso das emendas parlamentares e outros recursos, federais e estaduais, o prefeito Hingo Hammes terá que encontrar meios de atuar profissionalmente, o que não fez até agora. O primeiro passo seria providenciar os projetos para os serviços e obras de que estamos precisando. Sem isso, as idas do prefeito e assessores para Brasília não passam de visitas sociais ou de passeio turístico. São ações ineficientes. Para ficar num só exemplo, o prefeito Hingo Hammes não tem um único projeto pronto para enfrentar os problemas de trânsito de Itaipava, ou para fazer a ligação Bingen-Quitandinha. Como conseguir a atenção das autoridades federais e das instâncias técnicas dos ministérios se não temos o essencial a apresentar.
Tsunami eleitoral 3
Com a exceção da vereadora Júlia Casamasso, do PSOL, que suplantou em Petrópolis a votação do ex-prefeito Rubens Bomtempo, os representantes da Câmara Municipal que ousaram se candidatar à Câmara dos Deputados ou à Assembleia Legislativa pagaram nas urnas o preço amargo de ainda dar apoio à desastrosa administração Hingo Hammes. Outra exceção foi o vereador Octávio Sampaio, o segundo mais votado para a Assembleia Legislativa, batido apenas pelo eleito Yuri Moura.
Tsunami eleitoral 4
O PT também terá de explicar o fracasso das escolhas de candidatos que fez em Petrópolis e de organização de suas forças no município. Talvez ainda dê tempo de corrigir, reagrupar o partido, aproximar os antigos militantes e tentar, verdadeiramente, disputar os votos dos petropolitanos.
Tsunami eleitoral 5
A votação obtida por representantes do grupo político do prefeito Hingo Hammes demonstra que a vitória de Flávio Bolsonaro no último domingo não teve origem no prestígio do governo municipal.
De volta à rotina
Depois do tsunami eleitoral, voltamos à velha rotina. No transporte coletivo, por exemplo, não foi somente a empresa Turp, administrada pelo governo municipal, que impôs aos eleitores longas esperas por coletivos, no domingo eleitoral. Todas as empresas falharam na prestação do serviço. E, quanto ao lixo, a sujeira não coletada está espalhada na maioria das ruas.
Abandono
O caminhão de coleta de lixo da Solid Ambiental (a empresa da coleta de lixo), que caiu num barranco, em Pedro do Rio, tombando junto a um imóvel, continua no mesmo lugar, desde quinta-feira. Nenhuma providência foi tomada, pela empresa ou pela Prefeitura. Além de agravar a crise da coleta, com um caminhão a menos em circulação, o acidente provocou problemas na rua, que está cedendo e para os moradores, preocupados com a proximidade do veículo, acima de suas casas. E pode estar havendo um outro problema, a ser investigado será que a Solid Ambiental não está lançando no processo de cobrança os serviços do caminhão acidentado, como se ele estivesse rodando normalmente Por mais absurdo que seja, é preciso ter cuidado. E fiscalizar.
Boa safra
O governo do desembargador Ricardo Couto está revelando alguns secretários talentosos. Um deles, é o secretário da Casa Civil, procurador do Estado Flávio de Araújo Willeman, que enfrentou com sucesso o trabalho de desmontar os escândalos das contratações de funcionários em cargos em comissão, herdados do governo Cláudio Castro. Havia milhares de pessoas que recebiam salários do estado, sem funções e sem tarefas especificadas. Além, claro, da existência de grande número de funcionários fantasmas, o que está ainda em investigação. Flávio Willeman é quase um petropolitano. Ele e a mulher, a também competente conselheira do Tribunal de Contas do Estado, Marianna Montebello Willeman, têm casa em Petrópolis e passam aqui praticamente todos os fins de semana. O secretário, aliás, é vice-presidente do Flamengo.
Melhor torcer
A Prefeitura marcou para amanhã o chamamento público destinado à contratação de 70 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). É rezar para dar certo. Já há grave falta de leitos de UTI no sistema do SUS, que devem se agravar por causa de obras absolutamente necessárias no Hospital Municipal Nelson de Sá Earp, que deixarão sem condições de uso as UTIs lá localizadas.
Paulo Jerônimo
Faleceu na última segunda-feira, no Rio, o jornalista Paulo Jerônimo de Souza, o Pagê, como era chamado entre os amigos. Teve uma carreira vitoriosa no jornalismo, por 60 anos, e aposentou-se como diretor de comunicação social do BNDES. Foi um bem-sucedido assessor de imprensa em várias instituições importantes. Pagê foi editor do Diário de Petrópolis, a convite de Paulo Antonio Carneiro Dias, de quem era amigo desde a juventude. Como em todos os lugares por que passou, Pagê deixou grande número de amigos.
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