Edição: sábado, 31 de outubro de 2026

Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Crise continuada do lixo prejudica imagem turística, causa indignação e envergonha a população


O governo municipal tenta transformar a crise do lixo em fato ultrapassado, que já foi abordado por todos e que deveria ser deixado de lado. Isso não vai acontecer. Não antes que a cidade esteja limpa e estejam esclarecidas dúvidas sobre a administração do setor de limpeza urbana. O problema do lixo não é episódico. A cidade convive com ele todos os dias e percebe que, embora caríssimo, ele está cada vez mais grave. Não são fatos episódicos de os caminhões de coleta deixarem de recolher em uma ou outra rua. Mesmo que fosse isso, seria grave. Mas, não é. A sujeira está espalhada por toda a cidade, provocando mau cheiro, infestação de insetos e ratos, obstrução da já precária rede de drenagem de nossas ruas, ocupando calçadas e pistas de tráfego de veículos, praças, encostas, margens e leitos dos rios. A isso se juntam as ruas esburacadas, com iluminação deficiente e calçadas imundas. A Câmara tem o dever de levantar esse assunto e pedir esclarecimentos e exigir soluções de Hingo Hammes. Aliás, ontem, a cidade passou a vexame de receber em ruas imundas os milhares de turistas trazidos pelo festival Rock The Mountain, que foi aberto no Parque de Exposições de Itaipava, e dos visitantes que aproveitaram o fim de semana prolongado pelo feriado segunda-feira. E a Prefeitura finge que não tem nada a ver com os prejuízos, cada vez maiores, que esse descalabro provoca.

Visita e cassação

Se o presidente Júnior Coruja não mudar de ideia e se o prefeito não fugir dos vereadores, a Câmara deve receber Hingo Hammes, convidado para dar explicações sobre várias questões, no mesmo dia 10 de novembro, em que serão votados os pedidos de cassação apresentados pelo vereador Léo França e pelo servidor público Moisés Borges. A comunidade está sendo convidada para acompanhar de perto o que o prefeito tem a dizer sobre vários problemas graves que a cidade enfrenta e a importantíssima votação dos pedidos de cassação. Se o pedido feito por Moisés Borges for aprovado, será instalada a comissão processante, com prerrogativas de investigar, solicitar documentos e informações sobre fatos que estão entre os mais graves na administração financeira e orçamentária do município. Como são irregularidades já confessadas pelo prefeito ao Tribunal de Contas do Município, o roteiro do processo de cassação está montado.  É só segui-lo. No caso do pedido feito por Léo França, que pede o impeachment pelo conjunto da obra desastrosa de Hingo Hammes, a Câmara poderá se debruçar sobre as consequências mais graves das trapalhadas financeiras e orçamentárias. Haverá manifestações para acompanhar a decisão dos vereadores.

Não é bem assim

Na tentativa de se defender, a Prefeitura distribuiu nota, na última quarta-feira, afirmando que as irregularidades são coisa vencida e que as contas municipais de 2025 teriam parecer favorável do Tribunal de Contas do Estado TCE). Não é bem assim. Inicialmente, porque a Câmara não está julgando parecer do TCE, que já falhou várias vezes com relação a Petrópolis, permitindo que administrações irresponsáveis levassem as finanças municipais à atual situação caótica. E, nesse caso específico, o TCE não fechou os olhos para as lambanças de Hingo Hammes. Ao contrário, recusou uma investida do prefeito, que pedia perdão para gravíssimas transgressões. E, em decisão assinada por seu presidente, disse que o assunto seria tratado no julgamento das contas, que ainda não ocorreu.

Ter cautela é bom

Pelo sim, pelo não, como os humores em torno do fracasso do governo Hingo Hammes, o vice-prefeito Albano Batista Filho, o Baninho, pode começar a preparar um plano de governo para dois anos. Terá de começar, com dois anos de atraso, o que Hingo deixou de fazer. É uma tarefa que pode parecer assustadora, agora que a omissão e/ou incompetência do governo piorou tudo, mas que precisa ser cumprida.

Nas redes

Um grupo criado pelo autor de um dos pedidos de cassação do prefeito Hingo Hammes, Moisés Borges, já tinha 400 seguidores, no fim da manhã de ontem. É uma convocação geral para que a população compareça à Câmara, no dia da votação.

Abairramento: hora de discutir

A Comissão de Planejamento, Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo, a notória Coperlupos, de tantas histórias, se reúne na próxima quarta-feira para discutir as normas que extinguem a divisão em quarteirões, que herdamos do Plano Koeler, substituindo-os por uma reorganização de bairros. Não participar, não discutir, não confrontar significa concordância com o que está sendo proposto. Este tema passou batido, durante o ano eleitoral, sem a participação da sociedade. Talvez seja prudente tomar conhecimento e participar, a partir de agora.

Mais um

Mais números para a Prefeitura explicar. A vereadora Júlia Casamasso afirma que, nas contas do governo haveria R$ 242 milhões disponíveis, no fim de agosto. Com base em documentos do próprio governo. Ela quer saber por que, se havia recursos em caixa, a Prefeitura não pagou o que deve a servidores, aposentados e corrigiu problemas como o da merenda escolar, falta de medicamentos na rede pública e do calote nos proprietários que alugam imóveis para o município. A visita de quarta-feira será uma boa oportunidade para esclarecer esses assuntos.

Turp piorou

O vereador Thiago Damaceno, que conhece de perto o setor de transportes fez uma avaliação que coincide com a opinião que a maioria dos usuários de ônibus de Petrópolis tem a respeito do serviço prestado atualmente: a Prefeitura, que interveio na Turp presta um serviço pior do que o prestado pela empresa, que já era condenado por todos. “A situação em relação aos serviços prestados continua preocupante. Além da redução de veículos e da supressão de horários, a circulação de carros avariados, que colocam em risco a integridade física dos usuários, revela que não houve avanço para melhorar a oferta do transporte”, diz Damaceno. E o prefeito não pode jogar a culpa para ninguém. A administração da empresa agora está sob seu controle. E é mais um fracasso.

Boa colheita

O PSOL não está festejando apenas o bom desempenho em Petrópolis, com o deputado Yuri Moura e a vereadora Júlia Casamasso. A boa votação nacional garantiu à Federação PSOL/Rede o direito de receber recursos do Fundo Partidário e tempo na propaganda gratuita em rádio e TV.

De saída

O vereador Wesley Barreto está deixando a Secretaria Municipal de Assistência Social. E não será apenas para voltar à Câmara e socorrer o prefeito nos seus apuros com processos de cassação. Por trás da exoneração podem estar a falta de recursos para um setor fundamental, numa cidade sujeita a temporais, com inundações e deslizamentos. E nem há fila de candidatos ao posto.

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