Edição: sábado, 07 de novembro de 2026

Douglas Prado

COLUNISTA

Douglas Prado

Se pedidos de cassação  forem aprovados, Câmara terá prazo até fevereiro para julgar o destino de Hingo


O debate sobre os processos de cassação do prefeito Hingo Hammes, apresentados pelo servidor público Moisés Borges e pelo vereador Léo França, que serão votados pelos vereadores na próxima terça-feira (10), antes restrito a grupinhos políticos, agora ganhou as ruas. Quem andou de Uber ou de táxi, parou para tomar um cafezinho na padaria ou esticou a conversa com o porteiro já percebeu que há enorme expectativa de que a Câmara leve até o fim o julgamento do prefeito. Este, aliás, é sempre um ponto no debate sobre o assunto nas ruas: será que, desta vez, os vereadores vão levar a investigação e o julgamento do prefeito até o fim? Pois bem, se os pedidos de cassação forem aceitos pela Câmara, na terça-feira, e o presidente formar no mesmo dia a Comissão Processante, integrada por três vereadores, e providenciar a citação do prefeito, no dia seguinte passa a vigorar o prazo de 90 dias para conclusão do processo. Os vereadores teriam até início de fevereiro para cassar ou absolver Hingo Hammes. Se a decisão for cassar o mandato de Hingo, o sucessor legal é o vice-prefeito Albano Baninho. Se ele não quiser assumir, o sucessor passa a ser o presidente da Câmara. Se o processo de cassação for concluído este ano, será o vereador Júnior Coruja, que assumirá interinamente até a realização de eleições. Se a cassação se der em 2027, a regra é outra: o presidente da Câmara assumirá para cumprir o restante do mandato de Hingo Hammes. Isso quer dizer que a Câmara, ao eleger o seu novo presidente, com mandato a partir de 1° de janeiro de 2027, estará elegendo o futuro prefeito municipal, até 31 de dezembro de 2028. A sessão que vai decidir se Hingo será julgado ou não pelos problemas que se acumulam em Petrópolis vai começar às 15h15min de terça-feira. E há mobilização para manifestações favoráveis à cassação.


Apelidos

Políticos um pouco mais venenosos discutem se Petrópolis passa a ser chamada de Gotham City ou Hingovernável. Parece bobagem, mas já começou a fazer sentido há algum tempo.


Mais violência

Mais um morador de rua foi esfaqueado, na calçada do terminal rodoviário do Centro. O socorro demorou e não havia qualquer sinal de alguma autoridade que pudesse ajudar. São consequências da ausência de governo políticas assistenciais, de saúde, de habitação e de cuidados mínimos com que já vive despojado de tudo. E, evidentemente, uma falha permanente do esquema de segurança. Talvez o governo não se anime a fazer alguma coisa, por entender que a sociedade está se lixando para os moradores de rua, que eles são apenas um incômodo a mais na vida dos petropolitanos, mas não é possível que uma cidade que conta com uma Secretaria de Assistência Social não dedique a essa parcela da comunidade um mínimo de atenção, de empatia. Inventar neologismos, comissões e conselhos não resolve problemas. É preciso agir.


Assalto

E não são apenas os moradores de rua que estão abandonados. Os outros também. Uma jornalista foi assaltada quando embarcava em seu carro, a poucos metros do portão principal do Palácio de Cristal.


Diferenças

Niterói já tem R$ 3 bilhões depositados no seu fundo de previdência dos servidores. Em Petrópolis, os prefeitos acham que podem mexer como querem no fundo que não pertence a eles, e não pertence à Prefeitura. É dinheiro dos servidores e apenas deles. Talvez fosse o caso de os órgãos de fiscalização encontrarem uma forma de a Prefeitura repor o dinheiro que retirou do fundo, inclusive os rendimentos perdidos durante o período da apropriação indébita. Pode chegar a R$ 200 milhões o dinheiro que saiu das contas do fundo previdenciário para socorrer o caixa municipal, violentamente atacado pelas consequências da gastança irresponsável dos governos. Aliás, se o problema for levado a sério, também constitui apropriação indébita descontar dos salários dos servidores os débitos relativos a empréstimos consignados e ficar com o dinheiro, prejudicando o crédito bancário de quem já pagou a conta, porque o dinheiro foi descontado de seu salário.


Fragilidade e risco

Servidores e aposentados de Petrópolis precisam ficar atentos. O nível de fragilidade financeira a que o governo Hingo Hammes está levando Petrópolis, vai exigir, cedo ou tarde, medidas enérgicas para reduzir despesas e aumentar receitas. Irregularidades, equívocos e omissões levaram as contas municipais à penúria caótica dos dias atuais, quando não há dinheiro para nada e o endividamento da Prefeitura só cresce. O problema é que, muitas vezes, governos jogam o problema principalmente nas costas dos servidores e aposentados, com cortes de suas melhorias salariais e benefícios. Se quiserem evitar isso, os servidores e aposentados vão precisar lutar por seus direitos.

Só registrando

Funcionários do Hospital Alcides Carneiro vivem momentos de constrangimento diante da falta de água nos bebedouros da unidade. Alguns recomendam aos pacientes que levem suas próprias garrafinhas, para não passar sede.


Pouco leite

Nas escolas municipais tem faltado leite para a merenda. O problema tinha sido amenizado, depois de um setembro de desabastecimento, mas voltaram, agora, as reclamações de pais de alunos.


Cidade a pé

Tem provas do Enem amanhã (8) e no domingo seguinte. Estas provas mobilizam milhares de alunos. O governo municipal, evidentemente, tem conhecimento disso e sabe que qualquer dificuldade na circulação dos ônibus pode causar enormes prejuízos aos estudantes, visto que já não há ônibus nos dias úteis, e, nos domingos, eles somem de vez. É prudente que os estudantes tenham cautela. O melhor é sair de casa muito mais cedo, pedir carona ou andar a pé. No dia da eleição, o governo também sabia que milhares de eleitores precisariam dos ônibus para chegar aos seus locais de votação. Mesmo assim, o serviço foi um desastre.


No poder

Se o governador Douglas Ruas confirmar o nome do médico Antônio Braga, presidente do Conselho Regional de Medicina como secretário de Saúde de seu governo, o grande vitorioso pode ser o deputado federal Dr. Luizinho, ex-secretário e figura poderosa do setor. Antônio Braga, que tem um currículo invejável, trabalhou sob o comando do Dr. Luizinho, quando este foi secretário estadual de Saúde. A empresa de Antônio Braga, a Gnosis, é administradora do Hospital Estadual de Mulher Heloneida Studart, de São João de Meriti. Contrato superior a R$ 100 milhões por ano.


Top 10 deprimente

Estudo do MapBiomas, entidade integrada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia aponta Petrópolis como o quarto município com mais problemas provocados pela ocupação irregular do solo, em todo o país. É acompanhado, na lista, por Angra dos Reis (2°), Nova Friburgo (4°) e Teresópolis (7°). A dimensão do problema pode ser entendida melhor, sabendo-se que o levantamento é nacional e que quatro municípios fluminenses integram a lista dos dez que menos cuidam da ocupação do solo urbano. A colocação na lista destaca os municípios mais propensos a inundações e deslizamentos. E aponta para altos índices de desmatamento.


Assunto grave no HAC 1

Pacientes com câncer atendidos pelo Hospital Alcides Carneiro (HAC) estão apreensivos com a saída dos médicos Bernardino Ferreira e Renato Ferreira - o primeiro já saiu e o segundo sai nos próximos dias -, que coordenam os atendimentos. Estão inseguros e preocupados com a mudança da equipe e nem sabem se haverá médicos para atendê-los, já as próximas semanas. Muitos eram atendidos há muitos anos pelos dois médicos, quando o serviço de quimioterapia, pelo SUS, ainda era prestado pelo Centro de Tratamento Oncológico (CTO), em sua clínica do Morin. Pelas informações dadas aos pacientes, ainda nem há médicos especializados para o atendimento. E o serviço é responsável pelo atendimento de cerca de 1,2 mil pacientes.


Assunto grave no HAC 2

Até há pouco mais de um ano, o atendimento dos pacientes pelo SUS era feito pelo CTO. A Prefeitura decidiu, então, levar a quimioterapia para o Alcides Carneiro, e entregou a coordenação do serviço aos médicos Bernardino e Renato. Agora, segundo relato de pacientes, em face de dificuldades criadas pelo governo, os dois já comunicaram que deixarão o hospital em fevereiro, quando expira seu contrato. Os pacientes buscam apoio para conseguir uma reviravolta no caso, com a manutenção de seus médicos e um grupo está propenso a procurar o apoio do Ministério Público. Os problemas podem ser resultados das dificuldades financeiras a que o setor de Saúde está submetido, por decisões do governo ou da administração do hospital.

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