COLUNISTA
Uma rápida guinada ao ano de 2020, início da pandemia, cruel e desoladora experiência.
Ela assolou o mundo, destarte, àquele período não foram autorizados, e nem poderia, a realização dos festejos de carnaval.
Desnecessário dizer o número da estatística.
Por isso, a maior festa popular do mundo foi suspensa em terras brasileiras.
Nos anos seguintes ou seja, em 2023 e 2024, autorizou-se a liberação com a devida cautela.
Vivemos o ano 2025, se aparentemente livres do contágio todo cuidado é pouco, não apenas a COVID-19, mas outros vírus conhecidos pela maioria da população.
Desde criança ouço esse adágio popular trazido por nossos avós e demais ancestrais de que “cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.
E, em dois mil e vinte e cinco a “liberação” às máscaras faciais antivírus em desfiles, blocos, bailes e demais festejos será mantida.
Pena que a grande maioria não respeitará os cuidados e correrá o risco de proliferação da doença.
Nossa família optou em ficar reclusa.
Isso não significa não gostarmos dos folguedos de Momo.
Que Deus proteja e seus Anjos encubram com suas assas os foliões ávidos em sambar, dançar, cantar...
Mas, por favor, cuidem-se, não abandonem as precauções básicas, o álcool à higiene, o distanciamento, enfim, a vida é preciosa.
A festa é bonita, faz-se necessária a catarse, a alegria, no entanto, a vida é um dom precioso e deve ser preservada.
Que rufem os tambores, agogôs e os tamborins!
Já estamos vivendo o clima de carnaval, festa popular que, no Brasil assume proporções gigantescas somente comparadas ao futebol, outra paixão nacional.
O carnaval nasceu no Egito, tomou conta da Grécia e espalhou-se por Roma, mas desembarcou no Brasil no século XVII, trazido pelos portugueses.
Esta simbiose da tradição europeia com o ritmo e cadência musical africanos criou na Terra de Santa Cruz se não o maior, um dos maiores espetáculos populares do mundo.
Já o futebol ganhou força no Brasil lá pelos idos de 1895 através dos ingleses e transformou-se numa espécie de símbolo pátrio.
Ambas as manifestações populares, dão leve mostra do talento, criatividade e sensibilidade de nosso povo.
O Brasil é rico em folclore, isto é, “folk”, que significa povo, união, família e “lore” o conhecimento, a sabedoria popular.
Verdade é que o ano inicia-se para todos os efeitos a partir da quarta-feira de cinzas.
Eu também não fujo à regra.
Meu coração artista viaja pelo imaginário popular nas pesquisas e figurinos, com único objetivo de ver nosso povo feliz, ainda que por tão poucos dias.
Era uma alegria presenciar, aqui em Petrópolis, nos anos 70/90 Petronilha, às vésperas de completar noventa e uma primaveras, junto à irmã Lourdes, debruçavam-se nos imensos vestidos, bordando-os, costurando-os e descendo a Rua Teresa radiantes e iluminadas.
As agremiações petropolitanas se esforçam para abrilhantar as passarelas da Rua do Imperador, no entanto, ao que percebi não haverá os desfiles oficiais.
Nessa ocasião muitos viajarão ou permanecerão em seus lares e outros tantos vaguearão pelas ruas em busca de um pouco de alegria e bálsamo a suas dores do dia a dia.
Resta-nos, silenciarmos e nos recolhermos. Assistirei, como de costume, pela TV.
Relembrarei os bons tempos em que nossa família ia toda para Avenida, juntos a Eckner, Myriam e filhos, Celinho Thomaz, Circe Nigro, Marly Machado, Miguel/Preto Rico, Mimi, Oscar, Suzana, Veruska, Nena, Sônia, Sônia Blanc, Fátima Cruz e elenco, Arlindo, Waldyr Mariano, Eky, Paulinho, filhos de Juízes, Desembargadores, Promotores de Justiça e outros segmentos da sociedade sem distinção de classe social e realizávamos exibições nas passarelas onde o esplendor predominava.
Quem não se lembra das Grandes Sociedades, a exemplo, o Rancho do Amor, Harmonia Brasileira, Clubes Bogari e Cascatinha?
Não existem mais bailes à exceção do Petropolitano Futebol Clube antes, na pessoa do Presidente Arnaldo Rippel Barbosa ( fez sua páscoa celestial em 2024) e Diretoria, conseguiram fazer ressurgir os tradicionais bailes do Preto e Branco, festa essa realizada sob nova direção, no dia 22 de fevereiro, sábado e, com certeza, em breve, os bailes do Havaí e o de Máscaras retornarão para alegria geral.
A centenária e querida agremiação, enriquece a Imperial Cidade retomou suas atividades devidamente remodelada constituindo-se o centro de eventos e de reuniões da sociedade petropolitana.
É verdade, atualmente, os arlequins, pierrots e colombinas já não passeiam nos salões, os confetes e serpentinas desbotaram-se, as fantasias já não têm o mesmo colorido, mas o que fazer?
Ainda assim nosso sofrido povo merece a alegria, uma catarse a amenizar as agruras e os calos das mãos.
E qual um passe de mágica o povo disfarça sua dor porque é carnaval!
Nesse período não se fala em conchavos políticos, preço do café e nem injustiças.
Emendem-se os retalhos de cetim e sequem-se as lágrimas, porque é preciso cantar “e, no entanto, é preciso cantar, é preciso cantar para alegrar a Cidade”.
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