COLUNISTA
O passeio pelo Reno é ameno e doce. Impressionaram-me suas bem cuidadas margens, adornadas pelo verde e flores lado a lado. Mas você ali não estava junto a mim para contemplar aquela maravilha... Os convivas deliciavam-se em vinho e no Iate tudo era festa
A ordem do dia era a alegria, ai que saudade! Os castelos, os animais, as cidades, as videiras coloriam as multifacetadas plantações, tendo ainda como cenário os encantadores vilarejos. E seguíamos viagem, pelo rio que mais parecia um espelho d’água, rendilhado por leves ondas. Na verdade, um misto de paraíso ou de belo conto de fadas...
A caminho da Inglaterra em agradável ferry boat, desbravamos o Canal da Mancha e em Londres aportamos. Claro que próximo ao Parlamento fomos conhecer o rio Tamisa, viagem das mais proveitosas, meu coração se dividiu... Lembrança eterna e grata é a terra de Shakespeare, Stratford é cultura, tradição e juventude, nas idílicas paisagens onde o bucolismo reside.
E o rio Sena? Ele é sonho à parte e a gente se reparte, entre a Eifel e a Notre Dame. Suas pontes em arquitetura clássica bem cuidada, com anjos mil em monumentais esculturas. Os palácios, casarios, jardins e gente bonita transformam suas águas claras, em êxtase e felicidade, porque Paris é festa diária.
Lá eu me descontraio e sou criança em confeitaria, Se chove, molho-me inteiro, se é sol tudo é luz amo suas avenidas e os prédios suntuosos, os boulevards e seus bistrôs. Mas não fico por aqui, jamais hei de esquecer o meu Champs Elisée e o monumental Versailles. Amo o anoitecer parisiense...
Mas que tal uma rápida guinada entre a França e Portugal? O Tejo, próximo ao Rocio, lá no centro de Lisboa, me dá ares bem de casa, ali a vida é boa.
Na verdade, é mais ou menos idêntica à terra nossa, mas adoro esta anarquia com fibra-força e raça. No Porto, o rio é belo, que vista maravilhosa! As casas, a natureza, são nota dez em beleza. Agora, queridos amigos, estou indo à Israel, um toque ao Mediterrâneo, terra de meu Senhor, brota amor, leite e mel...
Mas seja dita uma verdade, o mar, para banho não é lá essas coisas, mas é graça e é viva a cor. De quebra, esnoba o mar Morto (aquele da lenda famosa época de Sodoma e Gomorra, das lendárias estátuas de sal...)
E o Tiberíades, o Cafarnaum, o rio Jordão são transparentes, e batizam multidões. Ali onde foi o altar sagrado, banhando Nosso Redentor... É felicidade demais, pisar na Terra Santa.
E eu reclamo da vida... É ou não é piada? Vejam, olhem, imaginem, já percorri o mar Egeu, no íntimo de suas entranhas. Suas águas cor de esmeralda, permanecem tão presentes na memória e em meus lampejos. Por duas vezes quis Deus, que eu dissecasse as Ilhas Gregas.
Agora, peço-lhes licença para falar do Egito, com ênfase ao rio Nilo, seus mistérios e encantos. Meu grupo era animado e formamos a corte bela junto a Sultões, príncipes e tudo mais, em gôndola rica e dourada em meio ao linho e cristais. O trajeto foi prestigiado com música típica, joias, trajes belos e reais.
As mesas eram fartas, não faltando vinhos finos, iguarias indescritíveis, tudo bonito demais. Que bom sentir as pirâmides, camelos bem enfeitados, o “Mena House” é um sonho, que faz ir ao céu acordado... Adeus ano oitenta e oito (foi de chuva) e de saudades. Quando acordo, miro triste nosso rio Piabanha ou se passo de automóvel e avisto o Paraíba cheios de poluição, detritos, meio mortos, já sem vida.
Choro por dentro e por fora, ante tanta crueldade sufocando a natureza soluçando em agonia. Mas volto a pedir-lhes licença, pois faltam ainda o Amazonas e a nossa bela foz. Clamo aos céus que os governantes cuidem deles com cuidado...
Esquecer o São Francisco sinônimo de beleza, ainda mais na pororoca o encontro dos dois rios é inigualável espetáculo, presente da natureza. Falei tanto em mares e rios, “ora Yê Yê Õ” Oxum e Iemanjá. São as rainhas das águas tanto doce ou bem salgadas conforme folclore africano e também greco-romano na história e mitologia, alguns representando o sagrado, meio gente, meio peixe, meio ave, minotauro, crendice e imaginário...
Que pena estou retornando à cidade natal. Aperto o cinto com cuidado, seguindo à cautelosa aeromoça. Vai descendo o avião... Vislumbro a vaidosa Cidade Maravilhosa. Meu coração se acelera, viva meu doce Rio. Já sei, em viva demonstração, plagiarei o Santo Papa, o nosso João Paulo II, beijando meu solo amado, apertando-o junto ao peito.
E o disciplinado comandante, conduz o avião de mansinho... Viva o Rio de Janeiro, de seus decantados janeiros, mesmo em meio ao burburinho e sujeira nacional, é por demais amado seja, em que circunstância for, quer por seu povo alegre, natureza exuberante, é síntese da alegria, da tristeza e do amor.
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