Edição: sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

JOSÉ ÁLVARO CARNEIRO BASTOS MEU PATRONO

Aceitei com alegria e humildade a investidura aos Quadros da Academia Brasileira de Jornalismo, ocorrida em memorável sessão solene em 22/07/1992, no então Centro de Cultura e Educação Tristão de Athayde, durante o IV Encontro Petropolitano de Poetas. Uma delegação formada pelos mestres e escritores Modesto de Abreu (à ocasião Presidente da A.B.J. e da ACLERJ), Ovídio Cunha, Rosa Garcia, Dina de Abreu, entre inúmeros vates da literatura carioca, subiram a serra para a confraternização cultural junto aos incontáveis luminares das letras petropolitanas presentes ao evento. Era a 1.ª vez que as insignes Instituições deslocavam-se de suas sedes para darem posse a novos membros.

À mesma ocasião tomavam assento junto à ACLERJ Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro os confrades Paulo César dos Santos então Secretário de Cultura da Municipalidade - e Luiz Gutierrez, escritor e poeta. Paulo escolheu como patrono Nilo Peçanha e, Luiz, Dante Milano. Eu escolhi para a cadeira da ACLERJ o médico Mello Moraes Filho, de quem falarei oportunamente e, para a cadeira 2 da Academia Brasileira de Jornalismo Q-I, membros efetivos, busquei homenagear o grande brasileiro jornalista José Álvaro Carneiro Bastos primeiro porque prestou relevantes serviços à comunicação social, segundo porque deixou fortes marcas junto aos veículos de informação petropolitana.

Anuir a tão honrosa incumbência é, para mim, dimensão muito mais sublime, notadamente, se o ingresso aos pórticos de tão conceituado Cenáculo Cultural possa servir de elo em favor da laboriosa e batalhadora classe jornalística, sobretudo a petropolitana, ressaltando a todo instante a vida e obra dos profissionais da Imprensa da Imperial Cidade, muitos deles consagrados nacionalmente.

É de suma importância que tal investidura seja consubstanciada a uma conotação muito mais elevada aliando às formalidades acadêmicas, as prerrogativas, o reconhecimento a inúmeros talentos da literatura diária, sem favor algum cognominados de “o quarto poder”.

Um desses vultos a iluminar o cenário jornalístico brasileiro é José Álvaro Carneiro Bastos, nascido no Rio de Janeiro, a 20/03/1928, faleceu em Petrópolis, a 12/08/1983, Advogado, exerceu a profissão apenas na juventude. Cedo principiou no jornalismo diário, ora fazendo a crônica social, ora a página de turfe. Frequentador assíduo dos melhores clubes da sociedade carioca, como o Jockey e o Clube de Regatas do Flamengo, de onde era sócio proprietário.

Filho de família da alta classe média carioca, educado no tradicional Colégio Santo Inácio, José Álvaro distinguiu-se pelo modo cortês, elegante, comedido e ao mesmo tempo acessível e fraterno, pelo qual tanto falava quanto escrevia. Um “gentleman” perfeito, com humor bem Janeiropolitano a pessoa perfeita para escrever sob o pseudônimo LORD JIM, que utilizou quando atuou junto à Periódicos petropolitanos. Ainda nos meios intelectuais jornalísticos do Rio, criou a “José Álvaro Editora”, primeira casa editorial a publicar, por exemplo, obras de outro cronista e escritor “feito” no jornalismo: José Carlos de Oliveira hoje falecido, figura folclórica e “mitológica” da vida cidadã do Rio, extraordinário observador e retratista do cotidiano. Colunista social por excelência, José Álvaro “fazia escola” por onde quer que fosse.

Ao estabelecer-se em Petrópolis e empregar-se como redator (e colunista) no Diário de Petrópolis, cedo fez largo círculo de amizades, tendo seu estilo literário, sutil e elegante, sido imediatamente reconhecido pelo público, que o lia atentamente quer nos seus editoriais, quer em sua coluna social, onde sempre colocava pitadas de humor, sátira e cultura também. Foi amigo de grandes personalidades nacionais, como Vinícius de Morais, Elizeth Cardoso, Carlos Machado, José Rodolfo Câmara, Aloísio Salles, José Carlos de Oliveira, Miéli, Antônio Maria, Dolores Duran; conhecia profundamente a música popular brasileira, e apreciava o jazz, e o blues; possuía enorme sapiência. E, no entanto, não era um esnobe. Era simples, correto, justo, e educação esmerada. Seu comportamento, postura e pronunciamentos fizeram-no um Dandi, era mesmo um lord, de fato, o nosso Lord Jim.

Torcedor ardoroso do Flamengo, hoje estaria aqui entre nós ainda a comemorar o último título rubro-negro. Alegre, adorava contar e ouvir anedotas. Gostava de aguardente francesa, boa mesa e boa música, e belas mulheres, sempre que possível à sua volta.

Em Petrópolis deixou sua marca no Maurício, no Club 85, no Tarrafa’s, no antigo restaurante Falconi, e no “Meeting Piano-bar”. Na antiga Don Corleone (hoje Chapman) tem placa alusiva a sua presença ilustre naquela casa, afixada à parede. Com certeza aplaudiria o “Olivinho” no Valparaíso ou a “Pousada do Cedro”, sob os inconfundíveis acordes de Fernando Mora, ao piano. Após alguns conhaques, José Álvaro cantava sem nenhuma entonação suas melodias favoritas: as canções mais românticas de Lamartine Babo. Sensível, emotivo, um tanto machucado pela vida, homem de muitos amores e vários desenganos, José Álvaro faleceu precocemente, aos 55 anos, em Petrópolis, após agravamento de sua enfermidade. Seu desaparecimento comoveu a Cidade de Pedro, e o Diário de Petrópolis fez mais uma edição em sua memória, com registros de sua obra e passagens de sua vida.

A imprensa carioca assinalou seu passamento com destaque; a consternação foi geral cantou-se, aqui e ali: .... “naquela mesa, está faltando ele, e a saudade dele, está doendo em mim”. Deixou 4 filhos, e um oceano de saudades. O seu último jornal O Diário de Petrópolis dedicou-lhe uma de suas salas, com seu retrato na parede. Ali José Álvaro sorri, em definitivo; parece saudar as novas gerações de profissionais da imprensa petropolitana.

Parece tudo ver, parece tudo ouvir, e parece, acima de tudo, estar sempre a sorrir.

Uno-me aos incontáveis companheiros, desta vez imortalizando-o junto aos umbrais da intelectualidade brasileira, glorificando-o como meu patrono, na certeza de que muito poderia lhes dizer sobre esta magnífica criatura, que hoje, com certeza é mais um Querubim a enfeitar os céus ou quem sabe, um misto de prateado do luar, entremeado ao dourado do sol em forma de estrela linda, cintilante, eterna e fraterna? Sei que pai e filho, ambos no regaço Celestial, continuarão a velar pelos seus, por nós e pela Metrópole. Cum Christo in Pace amigo.

Edição: sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral