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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026


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Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

Onde estão os Arlequins e Colombinas?

Uma rápida guinada ao ano de 2020, início da pandemia, cruel e desoladora experiência.

Ela assolou o mundo, destarte, àquele período não foram autorizados, e nem poderia, a realização dos festejos de carnaval.

Desnecessário dizer o número da estatística.

Por isso, a maior festa popular do mundo foi suspensa em terras brasileiras.

Nos anos seguintes, ou seja, em 2023 e 2024, autorizou-se a liberação com a devida cautela.

Vivemos o ano de 2026, se aparentemente livres do contágio todo cuidado é pouco, não apenas a COVID-19, mas outros vírus conhecidos pela maioria da população.

Desde criança ouço esse adágio popular trazido por nossos avós e demais ancestrais: “cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

E, em dois mil e vinte e seis as máscaras faciais antivírus em desfiles, blocos, bailes e demais festejos estarão liberadas, não obstante haver notícia de novos vírus a contaminarem a população.

Nossa família optou em ficar reclusa, contudo, gostamos dos folguedos de Momo.

Deus proteja e seus Anjos cubram com suas asas os foliões ávidos em sambar, dançar, cantar...

Mas, por favor, cuidem-se, não abandonem as precauções básicas, o álcool à higiene, o distanciamento, enfim, a vida é preciosa.

A festa é bonita, faz-se necessária a catarse, no entanto, a vida é um dom precioso e deve ser preservada.

Rufem os tambores, agogôs e os tamborins!

Já estamos vivendo o clima de festa popular, no Brasil assume proporções gigantescas somente comparadas ao futebol, outra paixão nacional.

Os entrudos nasceram no Egito, tomou conta da Grécia e espalhou-se por Roma, mas desembarcou no Brasil no século XVII, trazido pelos portugueses.

Esta simbiose da tradição europeia com o ritmo e cadência musical africanos criou na Terra de Santa Cruz se não o maior, um dos maiores espetáculos celebrados no planeta.

Já o futebol ganhou força no Brasil lá pelos idos de 1895 através dos ingleses e transformou-se numa espécie de símbolo pátrio.

Ambas as manifestações comuns, dão leve mostra do talento, criatividade e sensibilidade da alma popular.

O Brasil é rico em folclore, isto é, “folk”, significa povo, união, família e “lore” o conhecimento, a sabedoria popular.

O ano inicia-se para todos os efeitos a partir da quarta-feira de cinzas.

Eu também não fujo à regra.

Meu coração artista viaja pelo imaginário coletivo nas pesquisas e figurinos, com único objetivo de ver o bem-estar comunitário, ainda que por tão poucos dias.

Era uma alegria presenciar, aqui em Petrópolis, nos anos 70/90 Petronilha, às vésperas de completar noventa e uma primaveras, junto à irmã Lourdes, debruçavam-se nos imensos vestidos, bordando-os, costurando-os e descendo a Rua Teresa radiantes e iluminadas.

As agremiações petropolitanas se esforçam para abrilhantar as passarelas da Rua do Imperador, no entanto, percebi a não realização dos desfiles oficiais.

Nessa ocasião muitos viajarão ou permanecerão em seus lares e outros tantos vaguearão pelas ruas em busca de um pouco de entretenimento e bálsamo a suas dores do dia a dia.

Resta-nos, silenciarmos e nos recolhermos. Assistirei, como de costume, pela TV.

Relembrarei os bons tempos em nossa família ia toda para Avenida, juntos a Eckner, Myriam e filhos, Celinho Thomaz, Circe Nigro, Marly Machado, Miguel/Preto Rico, Mimi, Oscar, Suzana, Veruska, Nena, Sônia, Sônia Blanc, Fátima Cruz e elenco, Arlindo, Waldyr Mariano, Eky, Paulinho, filhos de Juízes, Desembargadores, Promotores de Justiça e outros segmentos da sociedade sem distinção de classe social e realizávamos exibições nas passarelas onde o esplendor predominava.

Quem não se lembra das Grandes Sociedades, a exemplo, o Rancho do Amor, Harmonia Brasileira, Clubes Bogari e Cascatinha?

Não existem mais bailes à exceção do Petropolitano Futebol Clube antes, na pessoa do Presidente Arnaldo Rippel Barbosa (fez sua páscoa celestial em 11-04-2024) e Diretoria, conseguiram fazer ressurgir os tradicionais bailes do Preto e Branco, festa essa realizada sob nova direção, no dia 7 de fevereiro de 2026, sábado, às 22h e, com certeza, em breve, os bailes do Havaí e o de Máscaras retornarão para alegria geral.

A centenária e querida agremiação, enriquece a Imperial Cidade, inclusive, retomou suas atividades devidamente remodelada constituindo-se o centro de eventos e de reuniões da sociedade petropolitana.

É verdade, atualmente, os arlequins, pierrots e colombinas já não passeiam nos salões, os confetes e serpentinas desbotaram-se, as fantasias já não têm o mesmo colorido, mas o que fazer?

Ainda assim a gente sofrida merece a diversão, uma catarse a amenizar as agruras e os calos das mãos.

E qual um passe de mágica a multidão disfarça sua dor porque é carnaval!

Nesse período não se fala em conchavos políticos, preço do café e nem injustiças.

Emendem-se os retalhos de cetim e sequem-se as lágrimas, porque é preciso cantar “e, no entanto, é preciso cantar, é preciso cantar para alegrar a Cidade”.

Cantemos, pois, ao concluir, esta marcha-rancho composta por mim, cuja música e arranjo são da lavra de Célio Barbosa, sob o título de “Sonho de Folião ou Marcha da Solidão”: “Onde estão os arlequins e colombinas, os pierrots já não passeiam nos salões, onde está o alguém que amei em três dias, busco você que se perdeu na multidão...Agora só restam lembranças, confetes serpentinas, desbotados ao morrer...A minha fantasia já não tem mais colorido, sem você tudo é vazio, é sem graça o meu viver. Volta amor, que eu morro de saudades, vem se perder em meus braços, você é minha paz...Vem amor, embelezar o meu luar, valeu a pena esperar, mais este carnaval chegar.”

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