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Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

Eky Santos  e o Carnaval em Petrópolis

Petropolitanos, quem não ouviu falar o nome desse artista?

Penso que poucos, pois, sua sensibilidade e arte estão espalhadas por entre as dezenas de telas por ele pintadas, nos belos figurinos produzidos e confeccionados, com certeza, um dos maiores talentos artísticos da Imperial Cidade de Petrópolis tendo conquistado livre trânsito na  alta roda carioca e, por extensão, em vários pontos do Brasil.

Era carnavalesco de alto quilate, tendo garantido a vitória  às principais Escolas de Samba daqui e alhures, sem contar que integrou por inúmeras vezes  a banca de jurados  do carnaval carioca e, desfilou belas e ricas fantasias, no Teatro Municipal, Monte Líbano, Palácio Quitandinha dentre outros, conquistando os primeiros lugares e farta premiação.

Seus  clientes eram famosos, tais como  Clovis Bornay, Evandro Castro Lima, Wilza Carla e etc.

Nasceu em Petrópolis, aos 14-11-1923 , época em que o Município era um jardim de hortênsias, mantinha o romantismo do trem e do bonde , bonitos e nostálgicos e, entre os cavalheiros predominavam o fraque e a cartola e para as mulheres as melindrosas, chapéus coco Inglês, já que todo o vestuário era importado da Europa , notadamente da França e Inglaterra , salvo raras exceções.

Eky, descendente de  portugueses  e espanhóis falava de suas raízes com ufanismo, sem contudo esconder sua brasilidade à flor da pele.

Desde tenra idade foi educado por religiosos, motivo pelo qual era fortemente ligado à Igreja Católica, deixando impresso nos paineis que pintava, nas decorações que criava e em seu existir um pedaço do  coração e o muito da beleza de sua alma.

Eky contava com alegria da primeira caixa de aquarelas que ganhou e, intitulando-se autodidata,  estreou no cenário artístico sem jamais haver estudado em cursos especializados, no entanto,  ela estava impregnada em tudo que fazia.

Confessava que era a pintura sua maior paixão.

Seu estilo era o impressionismo, técnica essa que aperfeiçoou sobretudo a partir dos dezessete anos de idade.

Adorava dançar  tanto o convencional quanto o ballet clássico (era apreciado bailarino), mas disse que em sua  juventude não havia academias de dança em Petrópolis,  a cidade era estritamente de veraneio.

Os  prédios maiores que aqui existiam  eram  o Grande  Hotel e o da Faculdade de Engenharia, à Rua Barão do Amazonas,  onde está localizado o Relógio de Flores.

Sua “rentrée” nas artes petropolitanas ocorreu durante o governo Cordolino Ambrósio, oportunidade em que Eky realizou sua primeira “vernissage” e também  criou um belo Pierrot de 10,5 metros de altura, com as pernas abertas possibilitando que o povo circulasse sob elas, tudo em meio à serpentinas, confetes e muito entretenimento.

Dali para a frente despontou para  a trajetória cultural no que se refere às telas e pinceis, quando teve a oportunidade de conhecer Oswaldo Teixeira.

Paralelamente seguiu a profissão de figurinista e era respeitado como o expert da “haute couture”.

Trabalhou durante muitos anos executando todo o figurino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro .

Mas o carnaval exercia grande fascínio a este inolvidável artista, já que ele criava as personagens, as executava e as desfilava.

Para se ter pálida ideia descreverei algumas de suas premiações: Átila Rei dos Unos, Caixa de Surpresa, Floradas da Serra, Arlequim do Polichinelo, o Barba Azul, Ricardo Coração de Leão, Primavera na Índia, dentre outras. Quem desejar rever tão belos momentos basta desfolhar as Revistas “O Cruzeiro” dos anos 60/90, (possuo várias em minha coleção) ou acessar pela internet no setor onde fala do folguedo e  verá o nome de Eky Santos entre os maiores astros do folclore brasileiro.

Conheceu famosos desfilantes tais como Isabel Valença em 1965, tendo confeccionado para ela a fantasia de luxo que a consagrou - Chica da Silva e, Wilma Nascimento, da Portela.

No ano de 1965 ingressou  nas Escolas de Samba do Rio de Janeiro, sendo o Salgueiro a primeira, ali permanecendo até 1971.

No mesmo ano foi para a Portela, ali permanecendo até 1973 atuando como diretor e colaborador do departamento cultural e tinha como Diretor Geral de Dr. Irã Araújo que foi Coordenador da Riotur (Departamento de Carnaval) retornando em 1974 à Petrópolis desfilou nas  Escolas de Samba Independentes de Petrópolis (época  de ouro, quando criou e executou os mais belos trajes para colunáveis petropolitanos) e 24 de Maio, em ambas foi carnavalesco e conquistaram merecidas premiações  e inúmeros primeiros lugares, tendo sua participação perdurada até o seu falecimento que ocorreu em  fins dos anos 90, coberto de assistência e carinho dos amigos.

Quem conheceu Eky Santos pode admirar os  suntuosos vestidos de noiva, trajes para Madrinhas e damas que suas mãos criaram e confeccionou, isto sem contar a época dos cassinos onde o turismo fervilhava em Petrópolis e cercanias, os milionários e senhoras da alta sociedade disputavam os melhores hotéis ou mantinham suas residências de veraneio na serra, cada qual mais elegante à moda europeia.

Eis aqui caríssimos leitores uma leve nuança deste virtuose que deixou sua sensibilidade impregnada na alma petropolitana, sobretudo daqueles que aprenderam a admirá-lo.

Descanse em paz Eky Santos,  temos certeza de  que, nem  no céu deixará de cuidar dos matizados e esvoaçantes trajes angelicais por entre nuvens róseo-opala. Imagino sua emoção em comparecer à presença do Altíssimo, tendo como guardiã Maria Santíssima.

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