COLUNISTA
Vivemos inesquecível noite de arte e cultura em 25 de fevereiro do ano em curso.
A Universidade Católica de Petrópolis lançou o documentário “Querida Cidade”, ocasião em que o laureado escritor, imortal da Academia Brasileira de Letras, da Academia Petropolitana de Letras, entre outras, Antônio Torres mereceu os encômios a que faz jus.
A coordenação do evento coube ao Professor e confrade Leandro Antônio Rodrigues.
O Salão Nobre da UCP, resplandecente ante o brilho do luminar escritor, em cujo evento estiveram presentes alunos, professores, intelectuais das diversas instituições culturais, em especial de nosso centenário Panteão e amigos.
O documentário é um projeto desenvolvido pelos universitários, estudantes do curso de Comunicação Social - Publicidade e Propaganda e do curso de Letras.
As imagens demonstram o amor do escritor com a imperial cidade de Petrópolis.
Era visível a alegria e gratidão de Antônio Torres aos alunos, coordenadores, enfim, consolidou o carinho pela Cidade de Pedro, cidadão honorário, título recebido por mérito, o Prêmio Guerra Peixe, tendo ele em sua alocução destacado, inclusive seus laços afetivos à Universidade Católica de Petrópolis e a Academia Petropolitana de Letras.
Parabéns a todos os realizadores desse belo projeto onde conferiu a Antônio Torres a justa homenagem, pois ela também nos alveja haja vista a amizade ao mestre, pois, por onde passa deixa um rastro de luz.
Impossível citar todos os presentes, ao consignar as presenças dos confrades Ivone Sol e Almir Tosta, Cleber Alves, Guedes Vaz, Sylvio Adalberto, Luiz Paulo, Gerson Valle e Senhora Francisca, Marilda Varejão, Isa Rabello, abraço também a mesa diretora dos trabalhos e ao público formado por amigos e admiradores presentes à histórica solenidade.
Ressalte-se que o ilustre confrade Antônio Torres em Petrópolis é titular da Cadeira 1, patronímica de Paulino José Soares de Souza, deste Cenáculo.
Sua posse ocorreu no dia 13 de dezembro de 2019, às 19h, na sede acadêmica à Praça de Liberdade, 247 em prestigiada solenidade.
Nessa ocasião a instituição era presidida pelo confrade Gerson Valle, tendo na vice-presidência a confreira Christiane Benaion Magno Michelim, integrada, também, pelos confrades 1º Secretário Cleber Francisco Alves, 2º Secretário Fernando Antônio de Souza da Costa, 1º Tesoureiro José Afonso Barenco de Guedes Vaz, 2º Tesoureiro, Antônio Eugênio de Azevedo Taulois, Relações Públicas, Ivone Alves Sol, 1º Bibliotecário, Almir Tosta e 2º Bibliotecário Walter Berner.
O Conselho Fiscal era composto dos confrades Ângelo Romero, Ataualpa Antônio Pereira Filho, Paulo César dos Santos e Sylvio Adalberto do Nascimento.
O Discurso de Recepção a Antônio Torres, escritor baiano, nascido em 1940 e que estreou na literatura em 1972 com o romance “Um cão uivando para a Lua” entre outros traduzidos em inúmeros idiomas, foi pronunciado pelo acadêmico Gerson Valle.
Eis um dos trechos da alocução do então presidente:
“Por todos os fatores já apontados dá para se compreender as razões maiores de honra e orgulho desta Academia receber Torres como membro. Seus livros formam um bem hoje raro, por encontrarmo-nos culturalmente em crise. Consultando o “google”, muita gente pode querer conhecer os conteúdos dos seus romances policiais, qual trama, qual o suspense e solução final. É este tipo de entretenimento que as pessoas costumam procurar na Literatura, sem saber que ela, em sua representação mais pura, não contém tal objetividade ou respostas, antes produzindo dúvidas que nos abrem a visão para uma reflexão maior do que todos os conhecimentos.”
O pronunciamento de posse de Antônio Torres, emocionante e belo num dos tópicos disse:
“A professora ajudou o menino a subir num palanque montado à porta da sua escola, uma casinha bem modesta, onde ela morava, para recitar um poema de Castro Alves que vem a ser o patrono da cadeira 28, que hoje o confrade Cleber Francisco Alves ocupa nesta academia, que aquele menino, naquele mundo agrário e ágrafo, esquecido nos confins do tempo, sem rádio e sem notícias das terras civilizadas, estava longe de saber que existia. Mas afora naquele agora-, ali havia chegado uma professora para guiar as crianças pelo reino encantado das palavras, e nele iniciarem os seus processos civilizatórios, o que incluía a leitura de poesia em voz alta, todo o santo dia. Como aquela que fez o menino desta história surpreender uma praça pública que de empoeirada e deserta passara a se apinha de gente, levando-o a ficar com tremedeira nas pernas, ao ver tanto povo à sua frente. Ainda assim, foi capaz de soltar a sua voz gasguita:
Auriverde pendão da minha terra
Que a brisa do Brasil beija e balança
Estandarte que a luz do sol encerra
E as divinas promessas da esperança.
O público reagiu com um emocionado aplauso à catilogência de uma criança capaz de guardar na memória todas aquelas palavras bonitas. Dali por diante, se perguntassem àquele menino o que ele queria ser quando crescesse, responderia, sem titubear:
- Castro Alves!”
As peças foram de rara beleza literária que Paulo César dos Santos e eu fomos incumbidos pela Academia Petropolitana de Letras em produzir a publicação da obra a que figurasse em seus anais acadêmicos o dia 13 de dezembro de 2019, adentrou a seus pórticos um astro de raro esplendor, simples como as hortênsias que margeiam nossos rios e dotado de alma bela e generosa que a todos encanta e anima.
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