Edição: sexta-feira, 01 de maio de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

Paulo, o Evangelista e Paulo César, o Apóstolo das Letras!

Paulo, o Apóstolo, permanece como uma das mais elevadas referências de fé, coragem e amor ao próximo, cujos ensinamentos, registrados nas Escrituras, continuam a iluminar gerações. Sua presença ecoa não apenas nas páginas sagradas, mas também nos monumentos e símbolos que a tradição cristã preservou ao longo dos séculos, como aqueles que se erguem em Roma e no Vaticano, testemunhos vivos da história, da arte e da espiritualidade da Igreja. Ali, em meio à grandiosidade das obras que exaltam São Pedro e São Paulo, reconhece-se a força de um legado que atravessa o tempo e se renova na vivência dos fiéis.

São Pedro, pedra angular da Igreja e primeiro Papa, representa a base sobre a qual se edificou a fé cristã, enquanto Paulo, o Evangelista, simboliza a expansão dessa mensagem ao mundo. Ao longo dos séculos, diversos pontífices deram continuidade a essa missão, cada qual com suas virtudes e características próprias, conduzindo a Igreja com sabedoria, serenidade e firmeza, mantendo acesa a chama da tradição e da esperança.

É sob essa inspiração que se volta o olhar à cidade de Petrópolis, cenário de rica história e expressiva vida cultural, onde se destaca uma verdadeira constelação de nomes que, sob o signo de Paulo, deixaram marcas significativas. Religiosos, educadores, artistas, magistrados e homens públicos contribuíram, cada qual à sua maneira, para a construção de uma cidade que preserva sua memória e valoriza sua identidade cultural.

Entre esses nomes, sobressai Paulo César dos Santos, cuja trajetória se entrelaça de forma indissociável com a história das letras e da cultura petropolitana. Nascido em 14 de janeiro de 1945, em Petrópolis, formou-se em Direito e licenciou-se em História pela Universidade Católica de Petrópolis, dedicando-se com afinco ao magistério e à formação intelectual de inúmeras gerações. Atuou em diversas instituições de ensino, sempre pautando sua conduta pela seriedade, competência e compromisso com a educação.

Sua atuação ganhou ainda maior relevo no campo cultural, especialmente com a fundação da Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, posteriormente denominada Academia Brasileira de Poesia Casa de Raul de Leoni, da qual foi o primeiro presidente. À frente da instituição, exerceu papel fundamental na promoção da literatura, incentivando novos autores e consolidando um espaço de referência para a produção poética.

No exercício de funções públicas, especialmente à frente da Secretaria de Cultura do município, entre o final da década de 1980 e início da década de 1990, destacou-se pela intensa atividade cultural promovida em toda a cidade. Teatros, salas de exposição, cinemas e demais espaços culturais passaram a contar com programação contínua, contribuindo para o fortalecimento das artes e para a ampliação do acesso da população às diversas manifestações culturais.

Como escritor, historiador e poeta, construiu uma obra significativa, com mais de três dezenas de publicações, entre livros e coletâneas. Seus trabalhos abordam temas históricos, literários e culturais, preservando a memória local e incentivando o surgimento de novos talentos. Participou, ainda, de diversas academias e instituições culturais no Brasil e no exterior, ampliando o alcance de sua produção e consolidando seu nome no cenário literário.

Entre os vários livros publicados destacam-se “Verdades Históricas ” prefaciado pelo saudoso Presidente Tancredo Neves; “Nossos Poetas”, com o prefácio do acadêmico Arnaldo Niskier; “Nair de Teffé, Símbolo de um Época”, “Castelo Branco visto por Raymundo Padilha”, “Fatos da República Brasileira” , “Dicionário de Escritores Petropolitanos”, “Petrópolis, História de uma Cidade Imperial”, “Poetas Petropolitanos, uma Saudade”, prefácio do acadêmico Antônio Torres e “As mais belas Poesias Petropolitanas de Amor”, “Gratacós, Missão quase cumprida”.

As coletâneas as quais participou: Nossos Poetas, Nossos Poetas II, prefaciado pelo poeta J.G. de Araujo Jorge, Nossos Poetas III, Caminhando Juntos, Andanças Poéticas 1, 2 e 3, Semeando Poesia, Sinfonia Poética, Cascata de Versos, os Versos que te Dou 1,2,3, Ciranda de Versos, No Mundo Encantado da Poesia 1, 2 e 3, Encontro Poético, primeira e segunda edições, 2016 e 2017 e,  Tributo aos Acadêmicos de ontem, 2022,  em conjunto  comigo, seu confrade e amigo há mais de meio século nas lides culturais e literárias.

Ao longo de sua trajetória, recebeu inúmeros prêmios e distinções, que reconhecem sua contribuição às letras e à cultura. Sua atuação ultrapassa a produção intelectual, estendendo-se à organização de eventos, à formação de escritores e ao fortalecimento das instituições culturais.

Assim, ao evocar a figura do Apóstolo Paulo, cuja vida foi marcada pela perseverança e fidelidade à missão, encontra-se, na trajetória de Paulo César dos Santos, a expressão de um compromisso contínuo com a cultura, a educação e a valorização das letras, deixando um legado que permanece vivo na história e na memória de Petrópolis.

Guardo querido mestre, amigo, conselheiro e confrade seus ensinamentos.

Constitui-se num rastro de luz a incendiar a todos nós, pois é centelha divina, uma estrela nos céus de nossa benquerença.
E, de Paulo para Paulo é  a pura tradução das palavras do Apóstolo aos Gálatas quando proferiu: Bonum certamen certavi; fidem servavi cursum consumavi, ou seja: “Combati o bom combate, cumpri o meu dever, não perdi a fé”.

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