COLUNISTA
Rápida guinada ao tempo, uma pausa faz-se necessária: contemplarmos os oitenta e oito anos do Instituto Histórico de Petrópolis.
Rendamos, pois, ação de graças a um grupo de mentes irrequietas e apaixonadas por esse altar que Deus construiu em plena natureza e decidiu erguer uma indestrutível fortaleza nas altas terras da Serra dos Órgãos.
O legado do qual lhes falo não foi construído sob pedras ou em meio aos canhões, mas, em seus escrínios incontáveis papéis amarelados, atas manuscritas, fotografias em sépia e, acima de tudo, de muito amor.
Nascia em 25 de setembro de 1938 o Instituto Histórico de Petrópolis.
A instituição assumiu nobre e difícil missão: não deixar que a memória fosse vencida pelo tempo.
Ao comemorarmos quase nove décadas de existência do IHP e, daqui a pouco estaremos a celebrar o Jubileu de Salgueiro do conceituado Instituto, sabemos que é uma árvore conhecida pela sua enorme flexibilidade, resistência e capacidade em curvar-se diante de fortes tempestades, mas, não se quebra.
Rendamos, pois, graças a Deus sob intercessão de nosso Patrono Municipal São Pedro de Alcântara e ao farol que ilumina a nossa arcádia cultural.
Petrópolis, repleta em casarios centenários, palácios a espelharem o século XIX, pontes que cruzam rios de histórias e calçadas, ontem ecoaram os passos de imperadores, operários, poetas, escritores, políticos e doutores em diversas searas do notável saber, não corre o risco de transformar-se num cenário estático porque o Instituto Histórico de Petrópolis e, as demais coirmãs a exemplo da centenária Academia Petropolitana de Letras, Academia Brasileira de Poesia- Casa de Raul de Leoni, Academia Petropolitana de Letras Jurídicas, Academia Petropolitana de Educação, estabelecimentos de ensino “exempli gratia” da Universidade Católica de Petrópolis (UCP), Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto, (UNIFASE) sopram sua alma.
História e tradição caminham juntas entre as belas marouflages, vitrais, azulejaria portuguesa e traços arquitetônicos em estilo eclético com influências art déco (início do século XX) cuja sede é estabelecida à Praça de Liberdade, 247, Casa de Cláudio de Souza.
Resguardar o acervo da nossa Cidade Imperial é a convicção de que não preservamos tão somente relíquias em redomas de vidro, mas unimo-nos às vozes dos que nos antecederam.
O Instituto Histórico de Petrópolis aos 88 anos chama-nos a atenção de que o passado não é um lugar onde se vive, porém, uma raiz que nos sustenta.
As palestras, os artigos publicados, os debates promovidos por seus associados ao longo de quase um século servem qual uma bússola para os desafios futuros.
Uma sociedade que ignora sua origem, por certo vagueia na escuridão e a Imperial Cidade orgulha-se porque possui pilares a exemplo do IHP.
A assembleia de fundação do IHP presidida pelo Dr. Henrique Leão Teixeira Filho, e também, a Comissão constituída por Max Fleiuss, Leão Teixeira, Jacobina Lacombe, Rangel Pestana e Alcindo Sodré à elaboração do estatuto do “ Instituto Histórico Dom Pedro II”, aprovado em reunião no dia 24 de setembro de 1938 e oficialmente instalado em 2 de dezembro do mesmo ano, data natalícia do Imperador Dom Pedro II, patrono do renomado sodalício e, também as diretorias e associados durante essas quase nove décadas merecem nossos encômios, por isso, em nome deles o demorado abraço a alguns de seus ex-presidentes e diretorias, Jerônimo Ferreira Alves Netto, Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Paulo Machado da Costa e Silva, Ruth Júdice, Antônio Eugênio de Azevedo Taulois, José Leonice De Cusatis, Luiz Carlos Gomes, Maria de Fátima Moraes Argon da Matta, Ana Cristina Francisco e Elizabeth Maller, presidente atual do sodalício.
Parabéns aos associados, acadêmicos, pesquisadores e benfeitores, do passado e do presente, que doaram e doam seus dias, por isso, permanecem eternos.
Parabéns Instituto Histórico de Petrópolis, sentinela e escudeiro fiel repleto em obras e glória.
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