Edição: sexta-feira, 02 de outubro de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

Sylvio Adalberto,

Luminar das Belas Letras!

Fernando Costa

Antes dos eflúvios ao homem estudioso que busca a perfeição em tudo o que se propõe a realizar quer no âmbito familiar, literário e profissional o bendigo pelo amor franciscano aos pássaros, à mãe terra, ao sol, ao céu, às estrelas, à vida...

Gosto de suas críticas austeras porque conheço seus elogios, portanto o prefiro assim porque é sincero.

E fala com propriedade de quem se debruça em livros e pesquisas.

Sempre que reunidos diz: "quem deseja enveredar pela seara da literatura precisa ler a obra de Marcel Proust, Cervantes e etc."

E, carece mesmo.  Porque se engana quem pensa que o poeta é aquele que empilha palavras e forma um texto às vezes ao arrepio do contexto.

Mas, isso é assunto para outro momento. Quero mesmo é falar de Sylvio com quem há mais de 40 anos desfruto do cordial convívio e que, para minha surpresa há mais ou menos uns trinta anos me surpreendeu em emoção ao saber que era seu primo.

Em fração de segundos tomei conhecimento de que se tratava de neto da tia Djanira Carvalho Fonseca de Moraes, irmã de minha avó Almerinda.

O destino nos deu como berço Hermogênio Silva, bairro de Três Rios e depois cada qual seguiu seu caminho e viemos nos encontrar em Petrópolis na fase madura da vida. Quanta alegria.

Sylvio aos três meses foi registrado no cartório de dona Celita, 3º Distrito de Petrópolis, Itaipava, que, então, passou a ser o centro do mundo, o seu universo e seguiu sendo referência até aos dias atuais.

Cresceu sem rédeas e sem cabresto e fez das águas limpas do rio Santo Antônio seu motivo maior de deleite.

Aprendeu a amar as aves, a terra e as pessoas deste solo. Cresceu ouvindo “causos” de assombração e de brigas de faca e de pau, comuns nos bailes de barraca da Itaipava dos anos 40 e cinquenta, de que poucos têm memória, a não ser o Confrade Jerônimo Ferreira Alves (de quem ainda se perpetua amigo) e que ainda vive e é testemunha ocular e auditiva!

Aprendeu muito cedo o valor da palavra empenhada, nas atitudes de seu velho pai Antônio e de seu avô Dorcelino a quem sempre teve como exemplos.

Sua admiração pela mãe Jandira perdura e ainda brilha na exuberância e exemplo dos seus noventa e dois anos.

Cresceu cético, sempre querendo ver para crer; os pais eram devotos de santos e cultuavam imagens de sua fé! “Nunca descobriram porque as cabeças das imagens apareciam separadas do corpo,  provavelmente por algum milagre as avessas!”

Dividiu sua infância entre os livros e o esporte; suas primeiras leituras; Cervantes, por quem se apaixonou e ainda hoje relê uma vez por ano e considera o maior livro  que a humanidade já produziu.

Na puberdade descobriu Raul de Leoni e se encantou e continua lendo, ainda, se embebedando em sua Luz Mediterrânea.

Aprendeu a gostar de Machado, o de Assis, fez-se amigo do Paulinho, o Machado da fazenda Santo Antônio, pai da Sylvia Amélia, desenhista de orquídeas, aprendeu com o pai, Antônio, a amar as aves e reconhecê-las, pelo canto ou pelas plumagens.

Jogou bola e marcou muitos gols  no Benfica Futebol Clube, no Flamenguinho de Itaipava, nos Clubes Boa Esperança e   Cascatinha estudou no Ginásio Belisário de Assis Fonseca, fez teatro, trabalhou na peça “A destruição de Numância,” de Cervantes, venceu o Festival de Teatro do Estado do Rio em 64, recebendo o prêmio das mãos de Paschoal Carlos Magno, seu grande orgulho,  escreveu crônicas no Diário de Petrópolis, na Tribuna de Petrópolis, na Folha Serrana e até hoje faz parte do Conselho do Poiésis, onde publica seus contos, poemas e narrativas e publicou muitas das entrevistas que fez com  personalidades petropolitanas, onde seu primeiro entrevistado foi Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, o primeiro Bispo Diocesano e sua primeira reportagem na vida, segundo palavras do próprio.

Seu principal motivo de orgulho: os amigos que tem, feitos pela vida.

Ainda hoje os Colegas de farda, do Primeiro Batalhão de Caçadores (cinquenta e cinco anos depois) ainda se reúnem em sua casa para comemorar a amizade tão duradoura.

Foi presidente da Academia Brasileira de Poesia - Casa de Raul de Leoni, por três anos, de quem fui assessor e Relações Públicas, onde deixou como legado o site da Academia e faz parte do quadro de efetivos da Academia de Letras.

Trouxe para a ABP como Correspondentes os nacionalmente e internacionalmente conhecidos, Pedro Lyra, Anderson Braga Horta e Reynaldo Valinho Alvarez de quem  se sente honrado pela consideração e carinho que recebe deles.

“Entende de poesia, mas, não se considera poeta, gosta de escrever crônicas, mas, não se considera cronista.”

Ama Petrópolis e sua gente, por sua história, doçura e capacidade de ser feliz!

Hoje, faz palestras nas escolas de Petrópolis, pedindo aos jovens que evitem manter aves engaioladas e fotografa os pássaros da cidade, expondo suas fotos em colégios e nos centros culturais, com a intenção de torná-las conhecidas, mantém um site www.avesdamataatlantica.com.br que recebe mais de 600 visitas mensais, para divulgar seu trabalho.

No dia dois de setembro do ano em curso, Sylvio Adalberto, “O Poeta Petropolitano” foi homenageado por constituir-se um dos “Expoentes da Literatura” pelo Curso de Letras da Universidade Católica de Petrópolis, tendo sido ministrante o professor Leandro Rodrigues, no Campus Dom Veloso em concorrida e memorável noite literária.

Acredita, sinceramente, que Petrópolis pode se transformar em uma das cidades mais importantes do estado no quesito observação de alados, devido à grande diversidade e beleza de suas aves, ainda, quase totalmente desconhecidas, o que já gerou a curiosidade de fotógrafos de outras localidades, que visitam com frequência o município em busca de seus belos passarinhos.

Sylvio me lembra de Santo Agostinho que antes relutou, no entanto, ao abraçar a Cristo se tornou Doutor da igreja e digno do Cânon Celestial, me remonta ao pobrezinho de Assis porque ama a mãe terra e seus elementos com especial preferência pelos pássaros, porque é amigo de verdade sem máscaras ou subterfúgios, porque ainda diga que é cético guarda um coração de anjo e personifica o amor, a caridade e a inarredável fé.

É dessa forma que Cristo dele fez morada, por isso, eu acredito nos dizeres dos antigos lá da roça: “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.”

Este é Sylvio Adalberto do Nascimento, sábio e humano,  indaga sobre o Divino, mas, nos gestos e ações é um verdadeiro Cristão.

Edição: sexta-feira, 02 de outubro de 2026

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