Edição: sexta-feira, 09 de outubro de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

Célio Salim Thomaz

Arquiteto da Memória Social Petropolitana

Fernando Costa

Célio Salim Thomaz foi um tradicional jornalista, colunista social, célebre por assinar coluna de grande circulação regional e registrar a vida política, cultural da região serrana e dedicado rotariano de Petrópolis.

O mestre da alta sociedade montesina Célio Salim Thomaz, nos anos dourados fez reluzir em esplendor os salões do Palácio Quitandinha, sobretudo, nas décadas em que a Cidade de Pedro respirava o glamour da aristocracia e da  burguesia brasileira, atento e arguto, conhecia ele passo a passo, distinguia, localizava o tilintar de cristais e o linho alvo das mesas brasonadas.

Não foi apenas um cronista, mas sim, o arquiteto da memória social petropolitana da segunda metade do século XX.

A caneta, o bloco de notas e a elegância aliada ao faro jornalístico impecável, registrou o auge e a transmutação da "Cidade Imperial", eternizando o período de ouro dos grandes bailes do Quitandinha.

Percorrer os salões do monumento histórico que abrigou celebridades e rememorar  a suntuosa decoração de Dorothy Draper era vislumbrar um universo à parte. A extraordinária artista foi a célebre designer de interiores americana responsável pela glamorosa e exuberante decoração do Palácio ora referido, inaugurado em 1944.

O cenário era digno do cinema Hollywoodiano.

As orquestras ditavam o ritmo de valsas, sambas-canção e boleros, joias, a brilhar, os vestidos esvoaçantes, cabelos encaracolados e sapatos de verniz cintilavam em imensos lustres dourados adornados em swarovski, asfour, baccarat, veneziano e tantos mais. A área serviu de palco para inúmeros eventos, desfiles e dos concursos Miss Brasil nos anos 50 onde os maiôs Catalina eram os preferidos das misses. Estetas da beleza, os lendários Jambert e Renaut, símbolos do éclat e da sofisticação carioca subiam a serra em atenção à fidalguia, principalmente entre as décadas de 1950 e 1970.

As senhoras desfilavam alto padrão da haute-couture carioca e da Serra da Estrela, assinadas pela Madame Maria Antônio Wiskutzki, onde  homens de casaca, vestidos pela Alfaiataria De Carolis discutiam os rumos da administração e dos negócios nacionais nas mesas de centro.

E lá estava Célio Thomaz. Discreto, circulava pelos recintos com seu carisma inigualável absorvendo cada pormenor: os adornos mais comentados, quem dançava com quem, flertes ocultos atrás das colunas e os altos negócios empresariais ali realizados.

O “Palais Versailles” local era um termômetro do Brasil e Célio Thomaz mantinha-se atento à  temperatura.

No dia seguinte, as páginas do Diário de Petrópolis, Jornal de Petrópolis, Revista Social, entre outros, ganhavam vida.

O leitor atualizado lia a sua coluna social, ritual obrigatório da manhã petropolitana.

Para a aristocracia da época, aparecer no famoso artigo jornalístico, sob os elogios de Célio Thomaz equivalia a receber uma condecoração nobiliárquica.

O jornalista, entre suas preciosidades ao publicar "quem é quem" era a aprovação de um “curriculum vitae”. Receber o “Troféu Vip” ou figurar entre os “Dez mais elegantes” era como se fosse o passaporte para o doutorado social.

Djanira, nome destacado da culinária orgulhava-se em dizer e agradecer, “depois de haver sido apresentada por Célio Thomaz em sua página, além de chefiar importantes banquetes locais realizou diversas viagens profissionais, em especial à Europa.”

Vários meios de comunicação o comparavam ao renomado jornalista Ibrahim Sued, de notoriedade internacional de quem Célio era amigo.

Suas crônicas captavam a atmosfera da Imperial Cidade que se dividia entre o frio da serra, o aroma de suas confeitarias tradicionais, “exempli gratia” da Casa D’Ângelo, Restaurante Copacabana e Grande Hotel onde se convivia com o retinir de taças de champanhe famosos, tais como o  Bollinger, Veuve Clicquot, Moët & Chandon, Perrier-Jouët, entre outros.

Célio seguiu firme, sobretudo, a virada do milênio, observando a transformação dos tempos com a sapiência de quem viu os cassinos fecharem e as pistas de dança se modernizarem. Seu falecimento em 25 de abril de 2001 marcou o fim de uma era no jornalismo impresso do interior fluminense, deixando órfã uma legião de admiradores que viam em suas palavras o espelho de uma Petrópolis romântica e imponente.

Para a felicidade geral seu filho o eminente advogado e jornalista Célio Salim Thomaz Júnior o sucedeu e prosseguiu a honrosa missão paterna cujo prestígio e amizade a todos contagia.

O nome Célio Thomaz eternizou-se nas páginas da história e continua indelével na cidade através de seu legado profissional, ecoando qual a trilha sonora de um eterno baile  e resplandecente na memória da serra e fez por merecer da edilidade integrante do Palácio Amarelo o nome de um logradouro ou de um prédio cultural no centro histórico ou cercanias. Célio recebeu inúmeras honrarias e laureis, destaco o Prêmio Academia Petropolitana de Letras, anos 80 e em 10-09-1994 o Prêmio Jornalista do Ano por ocasião de minha passagem pela presidência da centenária A.P.L. em sessão solene na Concha Acústica do Museu Imperial na presença de ilustres personalidades nacionais e locais, entre elas Suas Exas. Ministro Alexandre de Paula Dureyrat Martins (Justiça), Nascimento e Silva (Cultura) e Mauro Durante (Ministro Chefe da Presidência da República).

Neste epílogo, transcrevo a homenagem por mim, a ele dedicada no dia de sua Páscoa Celeste:

“Subiu aos céus onde dorme o sono da paz, o bom amigo Célio Thomaz. Não lhe causa inveja os belos passarinhos, agora é   alado em nuvens de carinho.

Hoje convive entre as estrelas, ao sol  candente   e a lua cor de prata, que tantas vezes  do firmamento  o viu dedilhar inspirados acordes  em belas serenatas...

Verdade é que se nós o lembramos, o mantemos vivo em nosso coração. Quem teve a graça de fazê-lo irmão em momento algum disso reclamou. Porque era fiel qual escudeiro iluminando estradas e sempre verdadeiro.

Olhe por nós aí do  infinito, tenha em Maria seu pálio e proteção. Bem junto aos Anjos e do Pai eterno, espalhe sua luz.  E da abóbada celeste agora está em doce desfrutar a justa recompensa que soube edificar.

Plantou o amor e soube dar valor ao significado e o sentido da amizade, por isso sorve o néctar etéreo de  suave odor, enquanto nós nesse  recordar contemos as  lágrimas que teimam em rolar e fazem  brotar do peito fonte cristalina e no ar exala o perfume  de róseas hortênsias  por entre  avencas e  saudade.”

Edição: sexta-feira, 09 de outubro de 2026

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral