Edição: sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

O Coração que diz sim!

Fernando Costa

Por mais inexplicável pareça, até neste momento ao despojar-me da materialidade terrena, para fincar meus joelhos ao solo abençoado, surpreendendo-me e repreendendo-me ao cometer mais um pecado a vaidade.

Sim, a presunção em sentir-me  privilegiado em fazer parte deste deslumbramento e ser mais uma obra criada por Vós Senhor.

Plasmastes a humanidade, o cosmo, o plano físico e tudo o que nela habita e descrito no Livro de Gênesis capítulos 1 e 2 das Sagradas Escrituras.

Em que pesem às inúmeras imperfeições constituo-me integrante às criaturas, e ela se distingue das demais obras do mundo. Somos dotados de alma e de vida eterna.

Será que nos apercebemos da grandeza e ao mesmo tempo, da responsabilidade em nos constituirmos parte do Criador, uma centelha Divina a partir de Jesus Cristo através do abraço à cruz redimindo-nos?

Senhor, eu não vejo e não toco pelo menos a barra de Vossas vestes, mas sinto-Vos vivo a cada minuto.

Destes ao frágil passarinho o dom de cantar, cada um com sua característica, tal qual se fora um daqueles músicos de câmara.

Nas mais diversas matizes Vós estais, no verde em vários tons, nas pigmentações mais perfeitas, impossível quase de se retratar através de palavras.

Distribuístes para cada região clima peculiar, nos oferecestes a ventura de podermos sentir o frio, o calor ou outono que desnuda suas folhas para pedir passagem à primavera cheia, de flores, e dela ofereço-Vos, a mais bela guirlanda de todas as cores...

Se temos sede criastes a água, se fome, o pão...

Conferistes uma sublime missão à borboleta para, passear de flor em flor, ao colibri de beijar uma por uma a cada minuto...

Vejo a abelha extraindo delas o néctar transformando-o em mel...

Tantos nomes Vos chamam, no entanto, para mim não importa se Adonai, Elohim, Jeová, Messias, Oxalá, Allah, Tupã, Olodumare, Ishvara, Bhagavan, Brahman, Trimúrti, seguindo uma senda de prenomes que em síntese resume em significado tão nobre, que é o Senhor Pai, Trindade, Mestre e nosso Deus: Onisciente, Onipresente, Onipotente, trino e uno, o Criador e o Espírito Santificador, na pessoa do Filho Redentor que é Jesus Cristo!

Bem sei, se quisesses poderias destruir tudo, pois Vós sois o poder, a glória, a força, o alfa e o ômega do cosmo.  Nos legastes a inteligência, discernimento e sabedoria.

Presenteastes o mundo, fazendo de Maria Mãe do Divino Filho e no-la destes em testamento como mãe também. Quanto privilégio!

Nem sempre temos ciência do tesouro que possuímos e do quanto usufruímos de coisas boas da vida!

Provas, dores, sacrifícios intercalados a alegrias e espinhos. Normalmente damos ênfase às dificuldades.

Raramente lembramos de agradecer as horas doces e suaves.

Já notaram como nos preocupamos em cobrar, reclamar e pedir?

Pai Celeste, vele por todas as obras de Tuas mãos, clientes, familiares, amigos e desafetos gratuitos, já que desses o bem querer não depende de minha vontade, enfim, a todos, conhecidos e desconhecidos, mas usufrutuários do esplendor constituído pelo paraíso terrestre, juntos da certeza do festim sublime, um dia quando Vós assim permitires.

Estarmos abertos aos planos divinos, sem amarras, sem medo ou insegurança.

Não é fácil, eu também conheço minhas limitações, mas tentarei disciplinar-me.

Mesmo aquele que experimenta o gosto amargo de um sofrimento, fragilidade na saúde, como por exemplo, a da falta de um braço ou perna, carência visual e tomado pela dor de um cálculo renal, diabetes por disfunção metabólica e alta dosagem de glicose no sangue, conscientize-se de que sua alma é intocável e sua vida é preciosa.

A purificação é como o ouro que necessita passar pelo fogo para atingir sua preciosidade.

E mais uma vez é bom recorrer-se à exegese e à hermenêutica buscando arrimo nas Sagradas Escrituras como está pontificado no Livro do Eclesiástico, Capítulo 2,1-18.

Em tudo Vós estais Senhor. Tenho e temos certeza. Fiéis à nossa consciência, munidos de fé e esperança.

Quem dera se cumpríssemos pelo menos os dez mandamentos por Vós ditados a Moisés e insculpidos nas tábuas da lei.

No entanto, falamos e prometemos em prol de um dia partilharmos do convívio celeste e a cada instante decaímos, relutamos e tornamos a incidir nas mesmas imperfeições.

E Vós sois misericórdia e estás sempre pronto ao perdão.

Se cumpríssemos pelo menos amando-Vos sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, já teríamos conquistado um pedacinho do paraíso.

Não parece incoerente amarmos um Deus que não vemos, quando não nos dedicamos ao nosso semelhante, presente a um palmo de nossos olhos?

Por que não praticarmos este puro sentimento, através da caridade espelhada na imagem de Cristo nos vários rostos que nos circundam, quer em forma de Verônicas, de deficientes, anciões, idosos, órfãos, viúvas, carentes, oprimidos, sem-terra, assalariados, enfermos, vítimas do arbítrio, flanelinhas, meninos-de-rua, respeitáveis doutores, abastados senhores, belas donzelas ou ricas senhoras?

É providencial encontrarmos em cada pormenor a razão de viver e, naturalmente, juntando pedra sob pedra, haveremos de seguir a ordem natural das coisas, entoando um hino maravilhoso em cadência harmoniosa e encontrando a cada instante um sentido pleno à existência, que é, na verdade, fase de transição ao estágio superior reservado por Aquele que gera e recolhe a seu regaço quando estiver determinado.

Na vontade soberana e divina não existe distinção de categoria ou classe social.

Por isso mesmo jamais esquecerei as palavras de meu Pároco dos tempos de infância que se chamava Monsenhor Ferdinando Osimani, por ocasião das homilias na Capela de Nossa Senhora da Glória de Hermogênio Silva, Bairro de  Três Rios, pertencente à Bemposta, assim dizia: “morte morieres” ou seja “morrerás certo”, esta é a lei de Deus, para todos, sem exceção.

Aqui deixaremos o poder, o prestígio, a fortuna, a opulência, a empáfia e para os céus seguirão apenas a alma, as obras e as virtudes. Obrigado Senhor, pelo dom de acreditarmos no amor.

Edição: sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Veja também:




• Home
• Expediente
• Contato
 (24) 99993-1390
redacao@diariodepetropolis.com.br
Rua Joaquim Moreira, 106
Centro - Petrópolis
Cep: 25600-000

 Telefones:
(24) 98864-0574 - Administração
(24) 98865-1296 - Comercial
(24) 98864-0573 - Financeiro
(24) 99993-1390 - Redação
(24) 2235-7165 - Geral