Edição: sexta-feira, 06 de novembro de 2026

Fernando Costa

COLUNISTA

Fernando Costa

FERNANDO AUGUSTO MAGNO

Poesia e Fidalguia

No universo literário fluminense, é consenso que Fernando Augusto Magno ocupa lugar de honra entre os mais célebres poetas da Imperial Cidade de Petrópolis. Nascido em Manaus, Amazonas, em 29 de dezembro de 1925, mudou-se em 1945 para o Rio de Janeiro motivado por um convite profissional. Na antiga capital federal, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, vindo a diplomar-se em Química pela Universidade do ex-Distrito Federal.

Em 1954, aceitou o convite de seu padrinho para passar o carnaval em Petrópolis e acabou radicando-se de vez na Serra. Encantado pelo verde das matas, pela beleza das flores e pelo canto dos pássaros, trocou a vastidão amazônica pelo acolhimento caloroso da comunidade petropolitana, afeto que mitigou as saudades de sua terra natal.

Na cidade, dedicou-se profundamente à educação, dirigindo o Instituto de Educação Presidente Kennedy entre 1963 e 1968. Sob sua gestão, ergueu-se a nova sede da instituição que, posteriormente fundida a outras duas escolas, originou o CENIP. Durante esse produtivo processo, foi forçado a se aposentar precocemente devido à perda da visão, evento que, longe de interromper sua trajetória intelectual, impulsionou-o a se dedicar de forma exclusiva à literatura.

Como escritor e eminente professor, construiu uma sólida carreira literária e cultivou laços com grandes intelectuais, tornando-se amigo próximo de Carlos Drummond de Andrade, com quem manteve uma rica troca de correspondências literárias. Sua vasta produção bibliográfica soma mais de uma dezena de livros publicados, abrangendo poesias e crônicas premiadas pela Academia Petropolitana de Letras (APL). Dentre as suas principais obras independentes e em antologias destacam-se:

·                     Retroflexo (Vozes, 1975)

·                     Epístola Fragmentada e Outras Invenções (Vozes, 1977)

·                     O Dia do Canto Imaginado (Serrana, 1979)

·                     Canto Entre Amarras (Esdeva, 1984)

·                     América, um Ver e Olhar (Vencedor do Prêmio Sesquicentenário de Petrópolis)

·                     Às Margens do Olhar (Catedral das Letras, 2004)

·                     Musgo e Vento poesia ( Editora Quártica 2015)

·                     Era Setembro e Madrugava (Lançado em concorrida noite de autógrafos em 2016 - Obra autobiográfica focada na superação da perda de sua visão  ) Gráfica da Editora Vozes Edição do Autor

·                    De Tudo Fica Um Pouco Meus Cartões de Drummond (Lítteris Editora 1998)

Sua escrita também perpetuou-se em belíssimas parcerias familiares, como no livro Convergência, no qual dividiu as páginas assinando as crônicas enquanto sua filha, Christiane Michelin, assumia as poesias. Em julho de 2020, a dupla repetiu o sucesso com o lançamento de Tempo em Travessia, obra que reuniu poemas cronológicos que Fernando dedicou à filha desde o nascimento dela, contextualizados por Christiane sob a ótica das vivências dos últimos 50 anos. Assinaram juntos, ainda, a obra Os Rios na Poesia, inspirado em um palestra de Fernando Magno na APL.

Reconhecido por seus pares, Fernando Magno foi membro emérito da Academia Brasileira de Poesia (Casa de Raul de Leoni), titular da Academia Petropolitana de Letras, membro da Academia Petropolitana de Educação e ex-integrante da Academia Petropolitana de Ciências. Paralelamente às letras, carregava sólida bagagem científica com especializações em Atomística, Metalografia, Controle Térmico dos Materiais e Metodologia das Ciências. Sua brilhante atuação rendeu-lhe o Prêmio A.P.L. pelo Conjunto da Obra, a honraria de Acadêmico do Ano e o prestigioso título de Cidadão Petropolitano.

Toda essa jornada poética e espiritual foi construída sob o alicerce de sua família. É impossível dissociar a trajetória de Fernando de sua dedicada esposa, Albenice Benaion Magno, a carinhosa Nicinha, com quem dividiu mais de meio século de casados. Dessa união nasceu a festejada escritora, poeta e jornalista Christiane Benaion Magno Michelin nascida sob as bênçãos da primavera em 1.º de outubro. O talento e a verve literária de Christiane herdaram a comunhão de almas dos pais, figuras unânimes em carisma e prestígio.

Fernando Augusto Magno partiu aos 97 anos em maio de 2023. Deixou saudade cristalizada no coração de seus admiradores, mas sua trajetória prossegue viva sob o pálio divino, eternizada nos versos inspirados pelos casarios centenários e esquinas de Petrópolis. Definitivamente, ele provou ser Magno não apenas nas cercanias da Serra, mas como uma das vozes mais puras e singulares da poesia brasileira.

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