COLUNISTA
A antiga Rua do Hospital, aberta pelo Município para facilitar o acesso ao Hospital de Santa Teresa. A obra foi realizada entre os anos de 1872/74, um pequeno monte foi cortado onde, desde os primeiros anos da Colônia de Petrópolis, a população havia aberto um atalho que diminuiu a distância entre os Quarteirões Bingen, Ingelheim e a Vila Imperial. A terra retirada com o corte da montanha serviu para aterrar o pântano que existia onde hoje temos a Praça Oswaldo Cruz até a Igreja do Sagrado Coração de Jesus formado pelas águas de pequeno córrego que descia desde os fundos da Terra Santa, propriedade do major Koeler e corria por onde se veio a construir o Cemitério Novo, atual Cemitério Municipal.
Encontra-se na Ata da Seção da Câmara Municipal de 7 de abril de 1874, proposta do vereador Rocha Cardoso, assim denominando a “Rua do Hospital”, delimitando-se a rua então macadamizada, como tendo início entre os números: 141 e 163 da Rua Montecaseros e terminando no início do lado par da Rua Bingen. Homenagem a Paulino Afonso Pereira Nunes, que nasceu em 1835, em Campos dos Goytacazes, onde se fez corretor de café. Veraneava em Petrópolis desde os primórdios da Colônia, formando aqui um núcleo de amigos, que em 1872 o levaram à política, elegendo-o vereador na Câmara Municipal, assembleia à qual veio a presidir de 1873 a 1879, como rezava a Constituição Imperial, exercendo o Poder Executivo da Cidade.
Em sua administração foram substituídos os postes de madeira da iluminação pública a lampiões, por postes de ferro no Quarteirão Vila Imperial e adjacências, postes estes que alguns ainda são utilizados, embora pintados de prateado, cobrindo a cor preta original. Ao fim do primeiro ano de seu governo, inaugurou os jardins da Praça D. Pedro II (lado da estátua do atualmente) que até então não passava de um matagal, obra que o beneficiou, pois
residia no prédio fronteiro à praça, casarão que anos mais tarde abrigou uma agência da Caixa Econômica Federal. Cuidava da praça como seu jardim particular, cercou-a com grades e havia um guarda municipal que a vigiava.
Passou à história como tendo sido o administrador municipal que tirou do próprio bolso as despesas de construção da Praça D. Pedro II, uma vez que o tesourou municipal, quando assumiu, possuía apenas duzentos réis. Em sua
administração melhorou o Matadouro Municipal, construíram-se algumas ruas, como a que o homenageia, o Hospital de Santa Teresa (então público) e a igreja dos colonos católicos, a do Sagrado Coração de Jesus, organizou exposições hortículas e consta ter pagado do próprio bolso festejos realizados e de adiantar ao tesouro municipal recursos pessoais para despesas urgentes. Há de se lembrar que o imperador, antes perdulário com sua colônia, após a elevação desta à condição de cidade, contra sua vontade, em 1859, tornou-se extremamente antipático aos dirigentes políticos desta. Apenas na administração de Paulino Afonso parece ter havido um abrandamento do coração de Sua Majestade para com sua cidade. Portanto não é de se estranhar a penúria do Tesouro Municipal, por estes anos, uma vez que poucos impostos conseguiam ser recolhidos pela municipalidade de uma população fixa de colonos que pouca ou nenhuma renda tinham.
Paulino Afonso foi condecorado Oficial da Imperial Ordem da Rosa e recebeu o título de comendador, foi o primeiro a pensar em construir um Paço Municipal. Em 1880 retirou-se para São Paulo e depois para a então Corte no Rio de Janeiro, onde veio a falecer a 3 de fevereiro de 1882. Em 21 de outubro de 1924 fundou-se a "Sociedade Beneficente Paulino Afonso", de pouca duração, cujo primeiro presidente foi o Sr. Jacob Kling, cujo objetivo era conseguir recursos para o atendimento a necessitados.
O professor Edmundo Jorge, em seu “Memórias da Rua Paulino Afonso” retrata a rua durante a primeira metade do século XX, quando então o casarão na esquina com a Rua Montecaseros, que ainda existe, possuía no térreo o Armazém do Sr. Narciso Castro, (meu bisavô materno Augusto Amaro, chegou a trabalhar nesse Armazém) que residia no sobrado, o mesmo sobrado que anos mais tarde foi a sede do Clube Social e de Futebol “Rio Branco”, de curta duração. Na esquina com a Rua Francisco Manoel existia a Escola Mista nº 17, que já havia ocupado os prédios de nº 319 e 372, escola que mais tarde transformou-se na Escola Estadual Presidente Kennedy, e mudou-se para a Rua Bingen. Quase toda a rua era cercada de residências familiares, apenas o trecho próximo ao hospital foi logo ocupado por comerciantes, que aproveitavam o movimento local, funerárias logo se instalaram e ainda lá
estão.
Foi calçada a paralelos na década de 1930, quando também recebeu iluminação pública elétrica, que substituíram antigos e esparsos lampiões. Rua frequentada por toda a sociedade petropolitana que, inevitavelmente, por ela transita desde as alegrias dos nascimentos até aos estertores da vida.
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