Edição: sábado, 21 de fevereiro de 2026

Frederico Amaro Haack

COLUNISTA

Frederico Amaro Haack

RUA QUISSAMÃ

Apenas oficializado pela Lei nº 5.723. de 2 de janeiro de 2001, para rua que começa ao final da Rua Silva Jardim e termina no Largo do Itamarati, no início do 2º distrito de Petrópolis. Denominação conhecida antes da fundação da cidade, é citado no relatório do presidente da Província Fluminense de 1839 o “Alto do Quisamã” como parte do “Caminho de Minas”. Verbete que raros dicionários ou enciclopédias registram, é a designação de uma tribo de Angola, e de uma manifestação folclórica de origem africana, segundo Câmara Cascudo. É também nome de um ex-distrito da cidade de Macaé, RJ, e título de um barão do Império, que nada teve haver com Petrópolis. Poderia-se supor a existência de algum vínculo local com cativos africanos fugitivos ou coisa parecida, mas não há nenhuma evidência conhecida, neste sentido.

Caminho de tropeiros, desde o século XVIII transformado em logradouro público com a criação da Colônia de Petrópolis, ladeira íngreme em toda sua extensão, foi desde sempre morada de uns poucos emigrantes alemães e muitos migrantes das Minas Gerais. Em 1858 a diretoria da Colônia mandou que fosse calçado com pedras miúdas e areia sistema de Mac Adam apenas o alto do Quissamã, ou seja, a parte inicial da rua, todo o restante conviveu com a lama e poeira, sem nenhum tratamento, até 1954.

Ainda em 1858, no “alto”, residia o Sr. José Rubens de Araújo, sócio de uma casa comercial na Rua do Mordomo (Paulo Barbosa) e havia um armazém de secos e molhados no Largo do Itamarati. Já em 1901, ao número 49ª, residia a família de um senhor que viria a ser homenageado com seu nome em rua do quarteirão, o Sr. Luciano Camarota.

Em 14 de setembro de 1924 circula o primeiro ônibus pela rua, porém não passa pelo alto, mas vem pela Rua Ipiranga. Por muitos anos a curva em S, logo no início da rua e um trecho particularmente íngreme logo depois, impediram a circulação de coletivos por toda a extensão da Rua Quissamã. Entre muitos outros prédios, no número 473 residia o Sr. Manoel dos Santos, conhecido por todos como Manoel “da Luz”, por trabalhar na companhia de eletricidade, em legítima defesa mata a Leôncio Ribeiro, que o agredira covardemente, isto ocorreu a 4 de outubro de 1926, Manoel entregou-se ao comissário Adriano Batista; neste mesmo ano a “Flora Oriental” já estabelecia seu cultivo de flores no início da rua, onde se encontra até aos dias atuais; no número 1.168 residia a família Berchielli; no número 1.393 a residência do Sr. Nicolau Wendling; ao número 2.041 estava a sede da Sociedade Beneficente Internacional do Itamaraty; no número 2.108 há um depósito de pão e jornaleiro e no número 2.186 o Sr. Edgar Nogueira se estabelecia com uma farmácia, em 1926, porém o mesmo pede falência onze anos depois, em 30 de abril de 1935. Como se pode ver, havia poucas residências no espaço da rua entre o “alto” e o largo do Itamarati. Em 18 de agosto de 1942, populares exaltados trocam a tabuleta (letreiro) do ônibus Quissamã por “Cairu”, nome de um dos navios mercantes brasileiros torpedeados por submarinos, supostamente alemães. Não aceita pelos moradores, a mudança é efêmera.

Em frente ao prédio número 1.407 da Rua Quissamã, em 29 de abril de 1955, um homem conhecido por “Bandeira”, após luta corporal, por motivos passionais, mata ao Sr. Antônio Morada. Bandeira consegue fugir, para mais tarde de apresentar na Delegacia. Durante o ano de 1956 estão em andamento as obras do Túnel do Palatino, uma das firmas contratadas para a obra chama-se Empresa de Águas, os moradores próximos, incomodados como constantes explosões de dinamite, recorrem à Prefeitura e até mesmo à Polícia em julho deste ano.

O verão de 1966 foi particularmente duro para os moradores da Rua Quissamã: durante o temporal que desabou sobre a cidade na tarde/noite de 13 de janeiro diversas “barreiras” desabam sobre a rua e residências, assim como o córrego com as obras ainda não concluídas transborda, invadindo casas às suas margens. No número 260, em local conhecido por “Esqueleto”, obra inacabada de dois andares, onde algumas famílias invasoras viviam já há algum tempo, é derrubado e soterrado por enorme “barreira”, vinda da Rua Dr. Bonjean, acima, entre os mortos a família Ribeiro de Carvalho: os pais Walmir e Ivete e os filhos menores, Sandra, Sidney, Solange e Alexandre. Neste mesmo dia o feirante Sr. Wílson de Souza Maia prestou relevantes serviços aos moradores, com seu caminhão salvou pertences, socorreu desabrigados conduzindo famílias para o postos de recolhimento na sede do Palmeira F.C., durante a madrugada. A rua, por fim, foi toda interditada por uma grande avalanche de terra, próximo ao posto de gasolina, ainda existente na rua.

Próximo ao número 628, foi assassinada uma viúva nas primeiras horas da madrugada de 9 de dezembro de 1970, no interior de um “Fusca” estacionado, em companhia do nemorado. Segundo a imprensa, o amor pode se tornar assassino. Uma carreta transportando melaço para uma grande empresa multinacional que se estabeleceu por muitos anos, logo depois do Largo do Itamarati, deixou vazar o produto por toda a Rua Quissamã, o que causou diversas derrapagens de outros veículos e acidentes, e ninguém se responsabilizou pelo ocorrido a 20 de abril de 1994, outras vezes já havia acontecido problemas semelhantes.

A rua foi asfaltada no ano 2000, as constantes derrapagens que as pedras dos paralelos causavam praticamente não mais aconteceram, embora a declividade da rua faça com que muitos motoristas desenvolvam velocidades perigosas, assim como o estacionamento nas calçadas sejam uma constante. Áreas perigosas, às suas margens ainda existem barrancos íngremes que põem em perigo a cada verão não só a rua como as residências.

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