COLUNISTA
Foi denominada, na ordem: Do Mordomo, Do Honório e Avenida Washington. A atual denominação se deve à Deliberação nº 5, de 5 de agosto de 1913. Tem início na Rua do Imperador, iniciando da Praça Alcindo Sodré e terminando na Rua Dr. Porciúncula.
Paulo Barbosa da Silva nasceu a 25 de janeiro de 1794 e faleceu em 28 de janeiro de 1868. Militar e político, foi efetivado mordomo da Casa Imperial em 1840, é um dos mentores do Decreto Imperial nº 155, que fundou a povoação de Petrópolis. Na planta de Köeler de 1845 aparecem duas denominações para este logradouro: Rua do Mordomo e Rua do Honório, sendo Mordomo referindo-se a Paulo Barbosa, Mordomo Imperial e Honório, a Honório Hermeto Carneiro Leão, o marquês do Paraná, o qual construiu residência, próxima à rua, no Quarteirão Palatinato Inferior. Em 1851, Reymarus já denomina a ambos os trechos Rua de Paulo Barbosa, na qual mandara erguer o próprio Paulo Barbosa sua residência de verão.
A rua foi calçada primeiramente de pedras miúdas tipo Mac Adam, em 1857, no dizer dos colonos, macadame. Quando existiam nela, além de outros: ao nº 14 a Loja de Calçados do Sr. Jorge Antônio de Abreu e no nº 18, um Tapeceiro e Marceneiro. De 1859 a 1880, no entãonº 12 funcionou a primeira sede da Câmara Municipal de Petrópolis, prédio que a partir de então abrigou a Agência dos Correios e Telégrafos até 1903. Desde a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Príncipe do Grão-Pará, em 1883, até 1926 com a conclusão das obras da Estrada de Rodagem Rio-Petrópolis (futura Rodovia Washington Luiz) rivalizava com a Rua do Imperador em pujança comercial.
No ano de 1926, setenta e cinco anos após Reymarus denominá-la Paulo Barbosa e, após ter sido Avenida Washington, logo após a proclamação da República e até 1913, quando a Câmara Municipal fez retornar o nome tradicional, por coerência histórica e por ter sido presenteada por descendentes do mordomo com um busto de mármore daquela importante figura. Este busto de Paulo Barbosa se encontrava no saguão de entrada da Casa Legislativa Municipal até as obras de restauração do plenário, no ano 2001, tomando destino desconhecido... Como dizia, pelo ano de 1926 existia na rua um bom e florescente comércio, dos quais se pode destacar: ao nº 6 a Casa Castro Tecidos, roupas e fogos de artifício, a qual no dia 4 de julho deste ano soltou vários balões, sendo um de doze metros, todos com fogos; do nº 26 ao 32 estava Gomes e Moraes & Cia. Secos e molhados, filial com o telefone 230; ao nº 36 o consultório do Dr. Ademar de Sá Rego, cirurgião-dentista; no nº 58, Moderne Teinturerie de Silla Trucci; nº 66 a Vulcanização São Bernardo, do Sr. César Bernardo; nº 140 a residência do Dr. Luciano Kuntz; nº 344 a Agência “Ford” e sede da Petrópolis Crédito Móvel, grande magazin de propriedade do Dr. Osório Magalhães Salles. No local anteriormente e até 1915 erguia-se o Hotel Inglês. Portanto, comércio apenas do lado par, do outro, o Colégio Pinto Ferreira na esquina com Avenida XV de Novembro (Imperador) e residências familiares a seguir, em toda a sua extensão. Importantes personalidades da vida nacional e petropolitana tiveram palacetes na Rua Paulo Barbosa.
Em 22 de março de 1933 foi assassinado a tiros o diretor-gerente da Petrópolis Crédito Móvel, o Sr. Duarte Teixeira, pelo prefeito de Santo Antônio de Pádua, capitão Altivo Linhares. Crime passional, o autor foi absolvido no julgamento realizado em 27 de junho de 1935, para o qual houve grande aparato policial, pela revolta popular, que pedia justiça para o conhecido comerciante da cidade. No lugar da “Crédito Móvel” surgiu em 1950 a empresa de carrocerias de ônibus de Augusto Filpo e João Varanda, a sede de sua ampla rede de comércio localizava-se nos prédios hoje ocupados por um supermercado e estacionamento de ambos os lados da rua. Também em 1950 foi inaugurado o Cine Esperanto na antiga garagem da Agência “Ford”, tendo à frente, perigosamente um posto de combustíveis. Até o final da década de 1960 os irmãos João e José Varanda mantiveram seu negócio no local até a mesma época.
Com a desativação da Estação Ferroviária em 1967, a rua perde boa parte de seu grande movimento e o antigo viaduto para pedestre que existia ao final da rua, por sobre os trilhos da ferrovia é substituído por ampla ponte de concreto armado, ligando-a a Praça Marechal Carmona. Um abrigo para terminal de coletivos urbanos foi construído em 1947 e tornou-se característico do final da rua pelo lado par. A partir da década de 1950, os antigos sobrados e palacetes foram sendo gradativamente derrubados, dando lugar a edifícios de apartamentos residenciais e escritórios. O antigo prédio da Câmara Municipal deu lugar ao Edifício Rocha nº 146 hoje. No casarão em centro de terreno que abrigou por alguns anos, até 1961, o curso primário do Colégio Werneck temos hoje um grande prédio e no térreo uma agência do Banco do Brasil. O prédio de Móveis Martins Filho, hoje Receita Federal, é de 1954.
Foi calçada com bloquetes de concreto, substituindo os paralelos do início do século XX, em 1955 e coberta por camada de asfalto em 1970. A Paulo Barbosa é hoje ocupada por dezenas de terminais de coletivos urbanos e comércio de caráter bem popular.
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