COLUNISTA
Segundo nos informa o professor Frederico Dameck, em artigo publicado no jornal O Mercantil, no ano de 1857, quando o Major Júlio Frederico Koeler foi levantar a planta topográfica da província do Rio de Janeiro no trecho, do Porto da Estrela até Paraíba do Sul, partiu com sua esposa Maria de Lamare Koeler, sua fiel companheira, permanecendo na vargem entre a Vila da Estrela e a raiz da Serra, no ano de 1835. Sua residência no clima quente em Estrela, fez com que apreciasse as delícias do clima ameno do alto da Serra, quando, mais tarde, veio ali residir na Fazenda do Córrego. Talvez tenha sido dessa época a ideia de formar aqui uma Colônia.
Finalizados os trabalhos de levantamentos topográficos, foi a vez de realizar o plano da nova estrada de rodagem subindo pela Serra da Estrela. Foi então, encarregado de realizar os estudos dessa obra e execução. Em 1837, aportou no Rio de Janeiro, o navio Justino, vindo da França com destino ao Porto Adelaide, em Sydnei, Austrália, com 235 alemães. Devido a conflitos durante a viagem, decidiram não prosseguir viagem, ficando no Brasil. Koeler
aproveitou da oportunidade para contratar esses estrangeiros nos trabalhos da nova estrada, pois acreditava que o trabalho de europeus era mais proveitoso para o nosso país, do que o trabalho escravo. Na Serra da Estrela havia dois ranchos: o Cortiço e o Ciência. O primeiro era situado no em torno do meio da Serra, servindo de abrigo aos imigrantes, já o segundo, ficava mais a baixo, servia aos engenheiros e construtores da estrada.
Nessa época, o contrato de arrendamento da Fazendo do Córrego Seco a Antonio Joaquim Tinoco já havia terminado, Koeler então entendeu que era o momento de concretizar o seu plano de colonização no alto da Serra da Estrela.] Entre os seus colegas de alta posição social encontrava-se o Brigadeiro-Conselheiro Paulo Barbosa da Silva, a quem o Major Koeler expôs o seu projeto, o convencendo da conveniência da sua execução. O Mordomo da Casa Imperial, Paulo Barbosa dispunha de prestígio para conseguir o arrendamento da Fazenda do Córrego Seco. Não teve, assim grande trabalho em obter a permissão de d. Pedro II, o qual também, já tinha tido ideia de colonizar a região.
Em 26 de julho de 1843 foi firmado o contrato: arredamento pela quantia de 1 conto de réis ao ano, obrigando ao Major Júlio Koeler a reservar um terreno de tamanho suficiente para ali ser edificado o Palácio Imperial de Verão com suas dependências e jardins, e outro terreno para uma povoação no seu entorno, o qual deveria ser aforado a particulares em datas e prazos preços convencionados. Paulo Barbosa, foi autorizado a executar o plano de colonização, a demarcar um terreno para nele se edificar uma igreja-matriz com a invocação a São Pedro de Alcantâra, padroeiro da família Imperial e do Brasil, no lugar que mais conviesse aos vizinhos e foreiros, do qual terreno o próprio Imperador fez doação tal fim, e também para o um cemitério da futura Imperial Colônia de Petrópolis.
Em 1844, estando residindo temporariamente na Fábrica de Pólvora da Estrela, d. Pedro II e sua família foram visitar o Córrego Seco. Não havia outra residência por lá, além da velha Casa Grande da Fazenda. Dando continuidade aos trabalhos de construção da estrada construíram no alto da Serra, alguns alojamentos e barracões para a acomodação dos operários. Nesse mesmo ano, foi iniciado a demarcação e aforamentos de alguns prazos de terras, e no ano seguinte em 18 de julho de 1845, foi dado início as obras de construção do Palácio de Verão, que inicialmente seria erguido na Rua do Imperador, na região da atual Praça d. Pedro, mas por sugestão do próprio imperador, foi descolado para o morro de Santa Cruz, na atual rua da Imperatriz.
Assim foi dada a largada ao povoamento da nossa querida cidade de Petrópolis, partir de três sonhadores: o Major Júlio Frederico Koeler, o Mordomo Paulo Barbosa da Silva e o imperador dom Pedro II.
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