Edição: sábado, 25 de abril de 2026

Frederico Amaro Haack

COLUNISTA

Frederico Amaro Haack

PETRÓPOLIS E A IDEIA DE ABAIRRAMENTO...

O novo projeto de lei do governo Municipal, pretende fazer um “apagamento” da História petropolitana, apelidado de “Abairramento da Cidade”, um absurdo com a memória dos colonos germânicos, já não bastava a teoria de que a Cidade foi originada de um quilombo, agora surge esse projeto.

O projeto simplesmente pretende acabar com a divisão original de Petrópolis, em QUARTEIRÕES, transformando-os em bairros. Jogando no ralo o trabalho magnífico do Major Júlio Frederico Koeler, levantado em 1846 na Planta da cidade. Documento este que por iniciativa do Instituto Histórico de Petrópolis, segue com um pedido protocolado na Prefeitura, para que seja tombado como Patrimônio Histórico Material da Cidade.

Nesse abairramento alguns quarteirões simplesmente deixarão de existir, e terão seus nomes alterados para nomes triviais de bairros e redivididos. É bom lembrar que o prefeito municipal é descendente de colonos germânicos que receberam prazos de terras nos respectivos quarteirões: Renânia Central e na Vila Imperial. Quarteirão e Vila que pelo dito projeto irão desaparecer.

Se querem acabar com os quarteirões com uma finalidade política, que pensem pelo menos na finalidade cultural, colocando placas informativas no início de cada Quarteirão e das duas Vilas, com os seus respectivos nomes. Para que a memória petropolitana seja respeitada, iniciativa antiga do saudoso historiador Paulo Roberto Martins, que cada quarteirão fosse identificado com placas.

Quando o Major Koeler levantou a planta urbanística da Imperial Colônia de Petrópolis, dividiu o território em quarteirões, que deu nomes das regiões de origem dos colonos germânicos e de pessoas ilustres que contribuíram para a criação da povoação.

A Planta foi dividida em 2 vilas centrais próximas ao Palácio Imperial e em 11 quarteirões divididos em lotes para abrigar assim os colonos e suas famílias.

Segundo a planta de Koeler de 1846, o território petropolitano foi dividido da seguinte forma:

1.    Vila Imperial

2.    Vila Tereza

3.    Bingen

4.    Castelânia

5.    Ingelhein

6.    Mosela

7.    Nassau

8.    Palatinato Superior

9.    Palatinato Inferior

10. Renânia Central

11. Renânia Inferior

12. Siméria

13. Westfália

Em 1854, dando seguimento ao trabalho do Major Koeler, Otto Reimarus, levantou outra planta acrescentando mais 11 quarteirões:

14. Brasileiro

15. Darmstadt

16. Francês

17. Inglês

18.  Mineiro

19. Presidência

20. Princesa Imperial

21. Renânia Superior

22. Suíço

23. Woerstadt

24.  Worms

Assim podemos observar que Petrópolis é dividida em 22 quarteirões, cuja divisão é vigente até hoje em dia.

A nomenclatura dos quarteirões foi dada em homenagem aos colonos germânicos para que assim pudessem se sentir em casa, na recente Colônia criada por d. Pedro II.

Os nomes de origem brasileira foram homenagens aos brasileiros que contribuíram na formação de Petrópolis.

Já os nomes das duas Vilas: Imperial e Tereza, serviram de homenagem a Família Imperial, assim como o quarteirão Princesa Imperial.

A província do Rio de Janeiro também foi homenageada com o Quarteirão Presidência.

O Quarteirão Mineiro foi uma lembrança ao caminho que passava pela região de Petrópolis rumo as Minas Gerais, estrada que deu início a povoação do “Sertão de Serra Acima”.

Segundo SÁ EARP, dividindo os quarteirões de acordo com a hidrografia local, temos a seguinte disposição dos mesmos:

1.    BACIA DO PALATINATO:  3 quarteirões Palatinato Superior (região do Morin); Palatinato Inferior (Regiões do Centro, como Rua Souza Franco, parte da Rua Paulo Barbosa, rua Benjamin Constant, UCP...) e Suíço (Floresta, Caxambu e parte da Provisória).

2.    BACIA DO PIABANHA: 8 quarteirões Woerstadt (Duarte da Silveira e BR 040); Bingen ( com início na Curva do Gióia e terminando no Bairro Castrioto, com parte do Bairro Manoel Torres); Darmstadt (do meio do Bairro Manoel Torres, rua Alice Hêrve, seguintdo em direção a Capela); Ingelheim (Quarteirão Ingelheim, patê do Campo do Serrano, região do Hospital Santa Tereza, seguindo a rua Duque de Caxias até o início da Vila Militar); Mosela (Bairro Mosela, Pedras Brancas e Moinho Preto e parte do Campo do Serrano); Nassau (Avenida Piabanha e Duchas); Westfália (Avenida Barão do Rio Branco até a sede do Corpo de Bombeiros, fazendo divisa do lado direito com a Estrada da Saudade); Brasileiro (Quarteirão Brasileiro, fazendo divisa com a Mosela, no Moinho Preto).

3.    BACIA DO QUITANDINHA: 8 quarteirões Worms (Quitandinha e Parque São Vicente); Inglês (Alto Independência); Renânia Superior (Dr. Thouzet, Rua Lopes de Castro, Cremerie, Taquara); Renânia Central (da rua Saldanha Marinho, Duas Pontes, na rua Coronel Veiga até a Ponte dos Fones) Renânia Inferior (Duas pontes, seguindo pela rua Washington Luiz, subindo pelo Valparaíso, ruas padre Moreira Trono de Fátima -,  rua Visconde de Itaboraí, rua Rockfeller, rua Monsenhor Bacelar, rua Barão de Amazonas); Siméria (parte da Ponte do Fones, São Sebastião na divisa com o Sargento Boening); Castelânea (Bairro Castelânea, rua Olavo Bilac , fazendo divisa com o Renânia Central, Sargento Boening até a Chácara Flora); Francês (Rua Ipiranga, fazendo divisa com a Estrada da Saudade).

Agora os as duas vilas e o quarteirão criados em homenagem a Família Imperial:

1.    Vila Imperial Região do Centro da Cidade,  Praça da Liberdade, Avenida Koeler, Avenida Tiradentes, rua da Imperatriz, Rua do Imperador, rua Paulo Barbosa até a Travessa Prudente Aguiar e

2.    Vila Tereza Rua Tereza, a partir da entrada da rua 24 de Maio, seguindo em direção ao Alto da Serra, Chácara Flora, Praça dos Ferroviários até o início da Estrada Normal da Estrela, a “Serra Velha”.

3.    Princesa Imperial Rua Fonseca Ramos, Estrada da Saudade, descendo a rua Quissamã, Itamarati e Cascatinha.

Os quarteirões ainda existem em Petrópolis, o problemas é que foram esquecidos pelos petropolitanos, porém para se fazer qualquer transação imobiliária, é necessário saber o quarteirão da residência ou do terreno, pois na Companhia Imobiliária Petropolitana, a cidade é dividida pelos seus respectivos quarteirões e prazos.

Referências:

SÁ EARP, Arthur Leonardo. Os Quarteirões. In http://www.ihp.org.br/site/

PETROTUR. Planta de Petrópolis, publicada em 1995.

Edição: sábado, 25 de abril de 2026

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