Edição: domingo, 31 de maio de 2026

Frederico Amaro Haack

COLUNISTA

Frederico Amaro Haack

QUARTEIRÕES BINGEN E DARMSTADT


O Quarteirão Bingen é, ao lado do Quarteirão Mosela, o que talvez guarde ainda a maior herança dos colonizadores alemães, no tipo físico de muitos de seus moradores, nas casas térreas de cumeeiras e telhas francesas com pequenos jardins. Diferentemente dos limites oficiais, considerarei como início do Quarteirão a foz do riacho Paulo Barbosa, início também do Quarteirão Mosela. Seria difícil fazer entender, que o Hospital de Santa Teresa
esteja no Quarteirão Hingelheim, conforme seria oficialmente.

Por esses limites, segundo a planta de Reymarus, existiam no Quarteirão duas praças: a Praça do Bingen e a do Ingelheim, além das de Wisbaden, no limite com o Quarteirão Mosela e a de Kreuznach, no limite com o Quarteirão Darmstadt. A Praça do Ingelheim situava-se na barra do rio Delamare no lado esquerdo da rua Bingen, par da Rua Duque de Caxias, exatamente onde temos o prédio conhecido por “almoxarifado” ou “garagem” da Prefeitura. A Praça do Bingen situava-se entre os prazos 1.207 e 1.208 do Quarteirão Bingen, onde hoje temos o entroncamento das ruas Afrânio Peixoto e Dr. Henrique Cunha com a Rua Bingen. Naquele tempo todas não passavam de pontos nos mapas, esquecidos entre prazos, ainda cobertos pela Mata Atlântica original. Não é de estranhar que tenham sido esquecidas pelas gerações posteriores e pelas autoridades, embora estas tenham se lembrado de as
incluírem entre os bens municipais. O Bingen tornou-se parcialmente industrial no início e em meados do século XX, com a instalação de indústrias, tais como: a Fábrica Werner em 1904 e a CELMA em 1951, que ainda resistem a desindrustrialização da cidade com o passar dos anos, diminuindo um pouco seu bucolismo primordial, que perde, definitivamente, com a abertura da Rodovia do Contorno em 1962, quando passa a ser via de um dos acessos à
cidade. Embora houvesse residências de veranistas em suas paragens, não foi um Quarteirão especialmente escolhido para o descanso dos forasteiros, em termos de Petrópolis era “muito longe” o “Bingi”, no dizer petropolitano simples, tinha cheiro de hospital e som de apito de fábrica.

O Quarteirão Darmstadt não figura na Planta de Köeler de 1846, vai aparecer na de Reymarus, de 1851. Lembra a capital do, à época da fundação de Petrópolis, Grão-Ducado de Hesse-Darmstadt. Uma dos três Hessen de onde vieram colonos em 1845. As palavras Prússia, pois ainda não existia Alemanha como uma nação, e Hessen estavam muito em evidência entre os colonos em 1845. Porém não é bem esclarecido o verdadeiro local de
origem dos colonos, pois, afinal, dos três Hessen vieram imigrantes: do Hessen-Hamburg, do Hessen-Cassel, ou Hessen-Eleitortal e do Hessen-Darmstadt, cuja capital tem uma homônima em Petrópolis.

Nosso Darmstadt é banhado, não por um rio como o Darm na Alemanha, mas pelo rio com um nome curioso: Avé-Lallemant, dado em homenagem ao pastor luterano Heindrich Friededrich Avé-Lallemant, que oficiou o primeiro culto evangélico em Petrópolis.

O Quarteirão Darmstadt é um dos chamados quarteirões exteriores, pois se encontra nos limites da Imperial Colônia de Petrópolis. Debruça-se sobre as grotas da Serra da Estrela. Foi dividido em prazos grandes e a população, por isso, era escassa e dispersa. 22 prazos distribuídos pelas famílias: Blaesser, Capallo, Justen, Kerger, Beschlufft, Vogel, Stratler, Winter, Haubrich, Shimnels, Ruhl, Bonacker, Jacobs, Schweikart, Meyer, Bender, Renaler e
Troyack.

As trapalhadas de legisladores, desavisados, no afã de agrados a eleitores ou a grupos fizeram com que o Darmstadt seja um bairro, cujo nome é oficializado pela Lei 5.039, de 15 de setembro de 1993. É interessante que tal lei substitui a denominação popular de Capela e hoje a divisão da cidade seja em Quarteirões, novamente. Isolado, fim de linha até a construção da Rodovia do Contorno de Petrópolis, em 1959. Tornou-se conhecido a partir do final do século XIX por Capela do Bingen e depois, até os dias atuais, simplesmente por Capela. Denominações pelas quais passou a ser referido, após a construção de uma capela consagrada a Nossa Senhora Auxiliadora, concluída justo em 1900. Tornou-se uma das entradas da cidade, o que fez surgir comércios ligados a turistas e mais tarde “sacoleiras” com destino à Rua Teresa, que passaram, algumas, a fazer suas compras em lojas e pequenos boxes, construídos durante os anos de 1990.

As ruas deste Quarteirão tem história bastante recente e perdida no tempo, de difícil pesquisa. Foram escolhidas por homenagear vultos que têm muito a ver com Petrópolis, vidas que amaram esta terra.

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