COLUNISTA
Em relação ao meu último artigo, “Pobre não nasceu para estudar, Lula?”, eu recebi de um leitor assíduo um pedido de retratação em função de um vídeo na internet fora de contexto. Na verdade, Lula havia dito o contrário do que o vídeo parcial nos induz a acreditar. Enviou-me ainda dois vídeos completos que mostram o que Lula realmente disse. A internet, por vezes, nos leva a equívocos. Deveria ter me informado melhor para evitar fazer uma afirmação improcedente.
Mas vamos, agora, a uma apresentação do governo Lula que não exigirá retratação, baseada em dados do IBGE e em análises de economistas nada simpáticos e até simpáticos ao presidente. Eles deixam claro os erros da política econômica de seu governo, em especial a gastança desenfreada que impede o Banco Central (BC) de levar adiante uma queda mais expressiva da taxa de juros (Selic). E a razão é simples: a política econômica Saci-Pererê, aquela de uma perna só, ou seja, a monetária, sem o complemento da necessária política fiscal de corte de gastos públicos.
O atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, nomeado por Lula, com boa formação como economista, não poderia embarcar na canoa furada de reduzir a taxa de juros na marretada sem a contrapartida do corte de gastos públicos, iniciativa que Lula nunca levou a sério. Seu governo nasceu com um pedido ao Congresso, devidamente concedido, de uma verba extra de 300 bilhões de reais para gastos, disse ele, imprescidíveis.
A despeito das simulações de Haddad de corte de gastos públicos, nada foi realmente feito nessa direção. Os déficits foram num ritmo crescente a ponto de ser um consenso entre economistas respeitados nacionalmente. Esta é a razão de a Selic ter-se mantido no patamar elevadíssimo de 15% ao ano. Cabe registrar que a decisão de preservá-la tão alta vem sendo tomada por unanimidade pelos diretores do BC. Nunca houve um voto contra até agora.
É claro que esta taxa de juros tem efeitos fortemente negativos no investimento privado. Como tomar recursos para investir se o retorno do investimento provavelmente ficará abaixo dos 15% ao ano. Por outro lado, a redução Selic sem corte de gastos iria certamente desembocar em inflação elevada, que atinge bem mais a quem está nas faixas de renda mais baixas, os pobres. Na verdade, o BC está preocupado em impedir o pior dos mundos, a inflação, que afetaria também a população em geral.
A incapacidade crônica de Lula e PT em entender princípios básicos de economia é que abriu as portas para a atual situação. Cortar despesas públicas é o caminho para fazer um ajuste no setor público de modo a torná-lo mais eficiente. Certamente, o BC não adota a atual política monetária por maldade, e sim por necessidade, face a irresponsabilidade do governo federal. As taxas de crescimento do PIB em torno de 3% ao ano, nos dois primeiros anos do governo Lula resultaram de fatores de mercado. Não foi mérito de Lula. Para 2025, deverá cair, pouco acima de 2%, como diversos economistas competentes alertaram em razão das pífias taxas de investimento.
O governo Lula acumula ainda problemas sérios de corrupção em todos os níveis. As estatais foram entregues a Lula no azul, hoje estão no vermelho. Em 2023 e 2024, o buraco foi, respectivamnete, de 2,2 e 8 bilhões. Para 2025, até novembro, já encostou em 6,3 bilhões. Os aposentados foram descontados, sem sua autorização, em 6 bilhões, sendo que 5 bilhões se deram já no governo Lula. E, a todo momento, surgem novas denúncias de roubalheiras.
O caso do Banco Master, presidido por Daniel Vorcaro, é revelador de seu conteúdo explosivo, envolvendo as mais altas figuras da república e seus parentes próximos, inclusive o próprio STF. Afinal, a decretação de sigilo de justiça na apuração dos fatos pelo ministro Dias Toffoli escancarou o medo do andar de cima de que revelações comprometedoras cheguem ao conhecimento da sociedade brasileira, cada vez mais, encolerizada com a corrupção ampla, geral e irrestria dos poderes da república.
Na verdade, excluindo o jurista Fux, o STF hoje é dominado por 6 ministros, a maioria, da lavra de Dilma (Barroso, Rosa Weber e Fuchin) e Lula (Toffoli, Carmen Lúcia e Zanin) . O filósofo italiano Gramsci, que aconselhava ocupar as instituições de modo dissimulado, ficaria orgulhoso da obra dos dois discípulos. O lado trágico dessa ocupação foi que as nomeações se pautaram por um critério político-ideológico. A ausência de juristas de notável saber jurídico e ilibada reputação, como manda a constituição, explica a baixa qualidade do atual STF e sua desmoralização diante da população.
Rigorosamente falando, ministros como Toffoli, reprovado em suas tentativas de passar em concursos públicos, não atende a nenhum dos dois requisitos. Em termos constituicionais, Toffoli não teria legitimidade para ser membro da corte. Outro ministro, como Alexandre de Moraes, que escreveu livro sobre Direito Constitucional, conseguiu ferir a constituição em várias oportunidades, como nos garantem juristas do calibre de Modesto Carvalhosa e Ives Gandra Martins.E ainda tem o contrato de R$ 129 milhões do escritório da sua mulher.
Finalmente, mas não menos importante, foi o caso do ministro Edson Fachin, que assumiu o STF propondo um Código de Conduta para os ministros. O fraco entusiasmo deles pela proposta dá bem a medida do que é o atual STF. Fachin, ao sair na defesa de Toffoli nas apurações sigilosas das irregularidaes bilionárias do Banco Master, jogou na lata do lixo sua proposta de Código de Conduta até mesmo porque não há interesse nele do atual STF.
A defesa da democracia, tão alardeada pelo STF, não convence à grande maioria da população. Simplesmente, não houve golpe de Estado como ficou claro na competente exposição de 14 horas do ministro Luiz Fux. O último pacote de bondades de Lula envolve 8 programas que, somados, atingem 88 bilhões de reais que mal disfarçam o populismo da compra de votos com dinheiro público para as eleições de 2026. E o STF ali, com cara de paisagem...
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: As estatais e você”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=zkaVqy-sy14
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