Edição: sexta-feira, 29 de maio de 2026

Gastão Reis

COLUNISTA

Gastão Reis

O  QUADRO É DE FALÊNCIA INSTITUCIONAL


A desconjuntura institucional está, cada vez mais, visível. Faz muitos anos que venho batendo nesta tecla, apontando a situação de involução político-institucional pela qual o País vem passando. Além de se agravar, confirma o vaticínio de Ulysses Guimarães, quando lhe reclamavam da qualidade do Congresso Nacional nos idos da década de 1980. Sua resposta era desanima-dora: “Você só diz que este Congresso é ruim porque ainda não viu o próximo”.

Desde então, mais de uma geração se passou, e os Congressos que se seguiram foram piorando até chegar ao atual em que a qualidade desceu ao nível do tornozelo com pretenções à sola do pé. Ulysses Guimarães anteviu ainda e acertou! , que  “o sistema eleitoral vigente nos levaria a composições cada vez mais fragmentadas e complexas”. E a práticas populistas e corruptas, acrescento eu. A questão das emendas parlamentares falam por si mesmas quanto ao desrespeito à população e ao dinheiro público.

A novidade, em termos, é que colunistas da cena política, à esquerda e à direita, se deram conta de que estamos diante de um quadro crítico em que as instituições são lerdas em tomar as devidas providências na urgente correção de rumos. É conhecida nossa síndrome dos 30 anos para resolver questões graves como foi ocaso das das reformas trabalhista e tributária. O dramático é nossa perda de posição relativa face aos demais países do planete terra.

Não há necessidade de bola de cristal para prever que, a continuar nesta batida, vamos continuar a perder a referida posição, caminhando em direção a um futuro que poderia ser bem melhor se houvesse uma reforma institucional para valer. Na verdade, não nos livrarmos de outra síndrome, que bem poderia ser chamada da meia sola. Fazer as coisas pela metade é a especialidade do Bar Brasil, onde parece estar sempre presente a elevada dose  etílica com que os grandes e urgentes temas nacionais são tratados. Muito de  coração maroto (visão cega de curto prazo) ao invés de cérebro bem calibrado.

O Judiciário assumiu ares de salvador da pátria em que o ator principal vem sendo o STF. As acusações de ditadura do Judiciário, tão temida por Ruy Barbosa, já extrapolou nossas fronteiras. Nada mais revelador do que a notifi-cação ao ministro Alexandre de Moraes, autorizada pela justiça americana. A alegação contra Moraes é que “suas decisões violariam os direitos de liberdade de expressão garantidos pela constituição dos EUA”. A acusação é o retrato perfeito do alerta levantado por Ruy Barbosa.

A situação de Moraes é bastante grave a ponto de ele ter que constituir advogado nos EUA para sua defesa. Se não o fizer, corre o risco de sofrer uma sentença à revelia. É fato que os documentos a serem apresentados pela defesa do ministro serão mantidos em sigilo no tribunal americano. No Brasil, pesam diversas acusações contra Moraes por decisões também inconstitucionias. Lá e aqui, temos o mesmo problema.

A pergunta que não quer calar é quem vai pagar a conta. Dadas as gravíssimas acusações feitas ao ministro, cabe a ele arcar com o ônus de sua defesa. E não ao dinheiro público. Até mesmo se levarmos em conta o gordo contrato de 129 milhões de reais do escritório de advocacia de sua esposa com o Banco Master, até hoje mal explicado. De toda forma, já entrou no caixa de Viviane Barci de Moraes “modestos” 80,2 milhões de reais. O valor total do contrato é caso único entre os grandes escritórios brasileiros de advocacia.

No poder executivo federal, o presidente Lula vem lançando pacotes de medidas de caráter visivelmente eleitoreiras como até a grande mídia impressa e televisionada reconhece. Em 2026, o valor está encostando na casa dos 227 bilhões de reais. Se dividirmos pelos primeiros cinco meses deste ano a média foi de 45 bilhões de reais. Vale dizer que as benesses atingem cerca de 1,5 bilhões por dia. E o STF a fazer cara de paisagem...

Já sabemos, também, que o atual Congresso deixa muito a desejar. Malversação de dinheiro público e desrespeito aos eleitores estão sempre de mãos dadas tipo gêmeos univitelinos, aqueles que têm o mesmo DNA, para infelicidade geral da Nação Brasileira. A derrubada recente de vetos presidenciais abriu espaço, às vésperas das eleições de 2026, para repasses federias a redutos eleitorais dos parlamentares. Até mesmo municípios inadimplentes com menos de 65 mil habitantes foram beneficiados. Simplesmente violaram as leis eleitoral e de responsabilidade fiscal. Desfaçatez, completa, geral e irrestrita. Pode?

Haveria alguma área onde a visão de longo prazo pudesse amenizar a visão de curto prazo dos interesses umbigoides? Aparentemente, caro(a)s leitore(a)s, a resposta é NÃO! Houve ainda uma reversão em relação ao passado. Agora, intimidações por parte de familiares e alunos  vêm aumentando em relação a professores nos ensinos médio e superior. É o que nos informa o Observatório Nacional da Violência Contra Educadore(a)s da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Como fator agravante, os quadros de professores oriundos das unviver-sidades brasileiras para o ensino básico são provenientes do terço inferior de seus alunos. Aqueles menos qualificados, fato decorrente do desprestígio social e de baixa remuneração da classe.  Na Coreia do Sul, eles saem do terço superior, o que significa que os melhores alunos das universidades coreanas é que dão aulas e orientam os estudantes do referido ensino básico. Some-se a isso o prestígio social elevado de que o(a)s professore(a)s gozam perante a população coreana.

Em suma, estamos diante de uma situação que requer uma reforma não só político-institucional mas também da educação superior e do ensino básico. É fundamental formar mestre(a)s realmente comprometido(a)s em dar aos alunos educação de qualidade em que fatores ideológicos não sejam o rumo norteador de professores com formação superior. É fato público e notório que o viés político-ideologico avançou muito na direção errada nas nossas universidades.

E como fica o Projeto de Nação? Por enquanto, adiado sine die...


Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: A Voz e a Vez do Povo”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=WKODzv2iX1g&t=3s

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