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Gastão Reis

COLUNISTA

Gastão Reis

UM PARALELO (NÃO SÓ) ENTRE RÚSSIA E BRASIL


Pode parecer, num primeiro momento, que Brasil e Rússia têm pouca coisa em comum. Aqui, muito sol; lá, muita neve. Gente muito branca, loura e de olhos claros enquanto nós, majoritariamente, temos pele morena, olhos castanhos ou pretos e cabelo preto ou castanho. Quanto ao consumo em excesso  de vodka, lá chega a 14 litros por pessoa ao ano ao passo que no Bra-sil ficamos em torno da metade de 6,9 litros de cachaça anuais por habitante.

Saindo das diferenças e indo em direção a certo paralelismo existente entre nós e eles, podemos adentrar na esfera político-institucional. A Rússia já foi uma monarquia absolutista e depois houve uma revolução comunista, que mudou o país do vinho para a água a partir de 1917. Nós tivemos também um período de monarquia absolutista que, em 1824, se tornou constitucional com uma Carta que dispunha de mecanismos para controlar os desmandos do andar de cima, perdidos desde 1889 com a chegada da república, sempre grafada com “r” minúsculo por não fazer jus ao significado do termo.

(Merece registro a obra de Regiani Bertini intitulada “100 MITOS: REVOLUÇÃO RUSSA, da Editora Linotipo Digital, que faz uma surpreendente abordagem, baseada em sólida informação estatística, que desmonta mitos sobre o que a Rússia era de fato. Exemplos: o desenvolvimento industrial russo caminhava muito bem até 1917, fato também confirmado por uma pesquisa de Annibal Villela, do IPEA; as relações trabalhistas eram bem diferentes do que foi propagado pelos comunistas; os camponeses tinham acesso à terra; havia eleiçoes regulares; e o próprio czar, internamente, obedecia a certos limites.)

É fato histórico concreto, entretento, que houve uma revolução comunista que tomou o poder em 1917, liderada por Lênin e a camarilha do Partido Comunista Russo (PCR), dentre eles Stálin e Trotski, cujo conhecimento de economia era semelhante ao que eu entendo de sânscrito, a língua sagrada dos indianos, vale dizer, nada. Já de início, Lênin teve que recorrer à NEP (sigla em russo), que foi rotulada de Nova Política Econômica. Na verdade, foi um retorno aos princípios de mercado face à total desorganização da economia sob o comando daquele grupo de incompetentes em economia

Depois da morte de Lênin, Stálin conseguiu tomar o poder, coisa que Lênin, conhecendo a peça, desaconselhava. E ai sobreveio um período negro da história russa com a industrialização a ferro, fogo e sangue e mais a coletiviza-ção na marra da agracultura, cujo maior feito foi produzir fome e escassez no país. Milhões de pessoas morreram de fome submetidas aos delírios stanilistas. Depois de 70 anos de Revolução Comunista, começou a grassar uma visão de que a economia russa estava emperrada com filas permanentes para obter bens de consumo corriqueiros como comida, roupas e sapatos.

Acabou desembocando na era Gorbachev (1985-1991), caracterizada por duas reformas indispensáveis para retirar a Rússia da letargia em que se encontrava: a Perestroica (reestruturação da economia) e a Glasnost (tranparência, ao pé da letra, ou seja, abertura política). Sua gestão buscou modernizar o socialismo, palavras delicadas para adotar práticas típicas de economias de mercado. A Perestroica livrou o país de uma grave estagnação econômica e a Glosnost garantiu a liberdade de expressão, de imprensa e a realização de eleições multipartidárias. Gorbachev ainda pôs fim à guerra fria, buscando a paz com o Ocidente.

As reformas de Gorbachev acabaram desaguando no colapso do bloco soviético. Ele retirou as tropas soviéticas  do Afeganistão e cessou por completo a intervenção militar nos países do Leste Europeu, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz. Na época, a piada que circulava em Moscou era a seguinte. Pergunta: “O que é o comunismo?” Resposta: “É o caminho mais longo entre o capitalismo e o... capitalismo!” Depois, com Putin se perpetuando no poder, o velho imperialismo russo mostrou novamente suas guarras afiadas na atual guerra contra a Croácia. Em suma, uma marcha à ré e tanto.

Vejamos agora o caso do Brasil, em que há diferenças marcantes.    Nossa monarquia, desde 1824, se pautou por uma constituição democrática em que o próprio Imperador não podia gastar a rodo, tendo que pedir autorização ao Parlamento em questões financeiras. Era para valer. Tinha ainda o poder moderador, nunca usado para oprimir o Povo, e sim, para defendê-lo dos desmandos do nadar de cima. Garantia as liberdades civis, de expressão e de imprensa e ainda dispunha de instrumentos de controle do poder pela população. Qualquer dúvida é só consultá-la na internet. Havia respeito ao Povo com audiências semanais dos monarcas desde de D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II. E ainda extremo respeito ao dinheiro público.

O parágrafo anterior escancara o que NÂO acontece hoje. O então presidente da Venezuela, Juan Rojas, de 1888 a1890, ficou famoso com a frase profética ao saber da proclamação da república, em 1889: “Foi-se a única república, de fato, da América Latina”.  E acertou na mosca. Quando os atuais detentores do poder no Brasil falam em valores republicanos é algo que causa riso frouxo tamanho é o desrespeito ao Povo e ao dinheiro público..

Fernando Gabeira, em vídeo recente, nos fala, de modo bem fundamen-tado, que o ministro Alexandre de Moraes, em função daquele “modesto” contrato de 129 milhões de reais de sua esposa, virou funcionário de Vorcaro. E vai além, sugerindo adotarmos a proposta do jurista Wálter Maierovitch na linha de que o STF deveria acabar. (Cabe também levar em conta a situação irreversível de total desmoralização diante da opinião pública nacional e internacional.) E ser substituído por um novo STF cujos membros atendessem aos requistos constitucionais de moral ilibada e notável saber jurídico.

O quadro é de falência político-instiucional. Hora de pensarmos em soluções que já funcionaram no passado como foi no nosso longo período de monarquia parlamentar em que os poderes no Brasil gozavam de respeito interno e externo.  E havia respeito pelo Povo e pelo dinheiro público.


Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Economia Esqui-zofrênica”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=_jqMlxDReBA

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