Edição: sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Gastão Reis

COLUNISTA

Gastão Reis

A ENGANAÇÃO (CONTUMAZ) DE LULA

O lado maquiavélico de Lula (e do STF) é público e notório. Entre ser  respeitado ou ser temido, ele seguiu o conselho de Maquiavel a favor da segunda opção. Ele ainda usa e abusa de Antonio Gramsci, aquele teórico marxista que abandonou o porrete da luta de classe de Marx em favor da técnica de tomar o poder sem que as pessoas percebessem o que estava acontecendo. E foi assim que a esquerda se infiltrou no ensino básico e no superior, nos sindicatos e até nas comunidades religiosas para divulgar a falsa narrativa de que tudo estava errado no Brasil desde os tempos coloniais.

Lula, sem conhecer nossa História, certa feita afirmou que na guerra contra os holandeses os portugueses proibiram a participação de negros na reistência contra os invasores. Tinham medo de que, depois da expulsão deles, os soldados negros se virassem contra a metrópole portuguesa. Na verdade, bem documentada, as forças portuguesas incluíam índios e negros. Estes comandados por Henrique Dias e aqueles por Felipe Camarão, ambos com a devida formação militar.

Eles foram depois condecorados, em Lisboa, com títulos dados aos nobres pelo governo português. Mais ainda: Henrique Dias pediu ao rei a perpetuação do regimento negro, que foi autorizada pelo monarca. A desfaçatez com que o sr. Lula mente é espantosa em várias outras oportunidades. Ele se apropriou de iniciativas sensatas de FHC como se fossem suas. O bolsa famíla é um bom exemplo. Mas ele dispensou as medidas de desempenho então embutidas na concessão original da bolsa educação.

E ainda passou seus oito anos de governo (2003-2010), batendo na tecla da herança maldita recebida de FHC, que, de fato, foi bendita. Cuspir no prato que comeu foi explorado à exaustão. Aquela técnica de repetir mil vezes uma mentira até se tornar verdade, ele deve ter aprendido com Goebbles, ministro da informação (mentirosa) de Hitler.

O atual mandato só foi possível com a conivência do STF. Com a desculpa de que o foro teria que ser o de Brasília, e não o de Curitiba, os autos foram requisitados e engavetados para não ter que enxaminá-los e proferir uma sentença condenatória, que confirmaria a de Curitiba. E foi assim que Lula pôde se candidatar e conseguir um terceiro mandato. A gastança e as falências que resultaram dos desmandos de sua atual política econômica estão aflorando agora pouco antes das eleições de outubro próximo. Suas lambanças, se bem examinadas, têm as digitais de quem o colocou lá, as do STF.

Outra proeza de Lula, baseada no conhecimento ralo de nossa própria História, pode ser observada, na sua frase frequente: “Nunca antes na História desse país se fez isso ou aquilo”. O isso ou aquilo é sempre ilustrado com alguma iniciativa dele ou PT. Aproveita também para propagar mentiras sem base factual. A visão dele é que o Brasil foi sempre explorado desde o início. Os portugueses, segundo sua falsa narrativa, e sempre repetida, vieram para enriqucer e voltar para Portugal assim que pudessem.

Será que foi isso mesmo? Os fatos documentados nos falam de outra coisa. Um exemplo interessante é o das santas casas da misericórdia que Portugal criava em todas as suas colônias. No Brasil, a primeira delas foi em Santos, em 1548, construída com doações de nobres e colonos que atendiam gratuita-mente quem precisasse de tratamento médico, inclusive índios e escravos. Na mesma época, foram criadas as do Recife e de Olinda. Bem diferente dos EUA, onde a segregação estava sempre presente em escolas, hoteis, hospitais, restaurantes,  banheiros etc.

Indo agora para terreno concreto do desenvolvimento da colônia brasileira pouco antes da chegada de D. João VI, cabe registrar o que nos diz Roberto Simonsen em seu clássico “História Econômica do Brasil (1500-1820)”, lançado inicialmente em 1936. A sexta edição do livro, de 1969, nos conta uma história bem diferente, respaldada em números, com os quais o autor tinha familiaridade por ter formação superior em engenharia.

Ele nos diz que em 1808, quando aqui chegou D. João VI, tanto o PIB do Brasil como nossa população e a de Portugal já eram do mesmo tamanho. Ele estava, portanto, afirmando que o nosso PIB per capita era o mesmo de Portugal. Ainda que a distribuição da renda fosse desigual, em termos per capita, éramos tão ricos quanto os portugueses. A conclusão é que haviam criado um outro Portugal do outro lado do oceano Atlântico em termos de desenvolvimento econômico.

Vejamos agora o terceiro mandato de Lula, permitido pelo STF ao liberá-lo para se candidatar. As 85 certidões criminais que pesam sobre o atual presidente foram devidamente engavetadas. A gastança desenfreada desses três anos e meio de seu desgoverno é do conhecimento de toda a população. Lula se queixa da taxa de juro (Selic) de quase 15% ao ano e põe a culpa no malvado Banco Central (BC), lamentando que seu presidente tenha mandato e seja independente em suas ações.

A verdade dos fato é outra. Para baixar a taxa de juros seria preciso fazer o corte de gastos, vale dizer, o ajuste fiscal. Lula foge disso como o diabo da cruz. É a ausência de uma política fiscal séria que obriga o BC a manter a taxa de juros onde ela está sob pena de abrir caminho para uma inflação galopante. Aquela que bate mais duro no bolso das pessoas de menor poder aquisitivo. Para piorar, os preços dos gêneros alimentícios subiram bem acima da inflação média. E machuca sem dó nem piedade a população mais pobre.

Portanto, a culpa é da irresponsabilidade do sr. Lula, que se recusa a cortar gastos, e não presidente do BC. No país inteiro, entre economistas de boa formação, há consenso sobre um inevitável ajuste fiscal. Finalmente, Lula resolveu dar o braço a torcer concordando em cortar gastos, se for reeleito. O problema é que o mercado não o leva a sério. E a maior parte da população vê nessa promessa mais uma enganação das muitas em que Lula traz em seu curriculum vitae.

E foi assim, de enganação em enganação, que poderá vir a ser despejado do Palácio do Planalto. É o que mais da metade da população deseja.


Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Políticos: Você no controle”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=pB8MRrtGRPs&t=6s

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