COLUNISTA
LULA E A MENTIRA NA POLÍTICA
A MENTIRA COMO ARMA POLÍTICA EM LULA
Política e mentira têm um parentesco muito próximo. Talvez seja um exagero afirmar que sejam irmãs gêmeas, mas não estaríamos muito longe do que realmente são. Na vida dos povos, é importante saber com que grau de tolerância ela foi tratada. Em que períodos ela foi aceita em maior ou menor grau e aqueles em que não foi tolerada. E saber das consequências provocadas por cada uma dessas posturas em relação à mentira na política.
Uma pequena volta à nossa História do século XIX é salutar para verificar a quantas andavam as mentiras na política daqueles tempos. Em linhas gerais, tinham pernas curtas, bem diferente do que ocorre hoje cujas pernas são longas e andam a passos largos. Por volta de 1915, Ruy Barbosa, já completamente desiludido com a república, afirmava: “O Parlamento do Império era uma escola de estadistas, o Congresso da república virou um balcão de negócios”. Observe, caro(a) leitor(a), que o balcão já comemorou mais de 100 anos de roubalheiras e desrespeito ao dinheiro público.
Obviamente, isto não quer dizer que políticos do Império nunca mentiram. Mas que se policiavam muito por que sabiam da existência do poder moderador sempre atento aos desmandos do andar de cima, que incluia as mentiras. Tudo isso mudou, repentinamente, na primeira década republicana (1890-1899) com a enganação por atacado no chamado Encilhamento. Liberação de emissão de moeda pelos bancos e crédito fácil se deram as mãos para um processo de especulação em alta dose sem fiscalização adequada.
Ao longo da chamada República Velha (1889-1930), ainda houve alguns presidentes responsáveis no trato do dinheiro público. Curiosamente, os três melhores foram antigos Conselheiros do Império, quando se levava a sério essa questão. Depois veio a ditadura de Getúlio Vargas (1930-1945), aquele que a verve dos cariocas chamava de pai dos pobres e mãe dos ricos. É fato que Vargas pessoalmente foi muito diferente de Perón, cuja fortuna pessoal, após sua queda, em 1954, bateu em 200 milhões de dólares atuais. A ressalva de Vargas não implica que não tenha havido favores e corrupção em seu período ditatorial.
Mas a verdade é que os tempos republicanos não foram nada exemplares no trato do dinheiro público. Os dias atuais é caso de vergonha nacional sem a devida punição. Chegamos mesmo ao que podemos chamar de mentira institucional no 8 de Janeiro, que tentatam rotular de tentativa de golpe de Estado, orquestrado pelo ex-presidente Bolsonaro, que estava lá nos EUA. Pensar em dar golpe, muito comum na tradição golpista republicana brasileira, virou golpe que não houve. E foi assim que se instituiu o crime de pensamento, que pode ou não ter havido, duramente criticado pelo ministro Fux em seu longo voto de mais de 9 horas em sessão solene do STF.
Mas em matéria de mentiras em política o campeão hors concours é sem dúvida o sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Ele mesmo já admitiu ter mentido aqui e lá fora. Uma das mais famosas na Europa foi afirmar que havia no Brasil mais de 40 milhões de jovens perambulando pelas ruas do País. Coisa que jamais houve. Mas o ponto alto das mentiras seriais se deu em sua entrevista como candidato a presidente dada à rede Globo, em 27/08/2026. Vamos a ela.
Antes de mais nada, cabe ressaltar que existe algo de profundamente errado com o Patropi quando um candidato a presidente se sente à vontade para mentir, em dose cavalar, diante de expressiva parcela população atenta ao que viam e ouviam na telinha de suas TVs. Uma breve pesquisa via Google nos fornece números que deveriam enrubescer o semblante do atual presidente. Mas a cara de pau que ostenta não tem como ficar avermelhada.
Uma consulta ao Google para saber dos percentuais de mentiras e meias verdades nos dá a resposta. Em apenas 40 minutos, Lula conquistou facilmente o primeiro lugar dentre os presidentes mais mentirosos do mundo. Teria lugar de destaque no Guiness Book. As falas de Lula foram as seguintes: 26% falsas (inverdades e mentiras); 26% parciais (meias verdades); 37% verdadeiras (respaldadas por dados oficiais); e 11% não verificáveis.
Se somarmos as declarações falsas (26%) com as meias verdades (26%), chegamos a 52%, ou seja, na maior parte do tempo da entrevista, Lula mentiu ou afirmou meias mentiras. Absoluto desrespeito à população que assistiu a entrevista. Tal desfaçatez em apenas 40 minutos é impensável para qualquer presidente ou primeiro-ministro europeu. Como são países parlamentaristas, o voto de desconfiaça os mandaria para casa no dia seguinte. É invejável a velocidade da punição num regime parlamentar, que foi o nosso até 1889...
Alguns exemplos revelam o desrespeito aos fatos. Afirmou que o PIB só voltou a crescer acima de 2% ao ano só após sua volta à presidência quando, em 2001 e 2002, os percentuais de crescimento foram, respectivamente, 4,76% e 3,02%. Não satisfeito, emendou outra mentira ao se referir ao déficit fiscal herdado em janeiro de 2023 de 2,8% quando de fato recebeu um superávit primário de 0,6% em 2022. Ao declarar que não conhecia a lobista Roberta Luchsinger, três fotos dos dois estampadas no jornal O Globo mostram que era sua queridinha. A erradicação da fome, sempre proclamada A por Lula, é mais uma mentira dele.
A questão maior envolvida no episódio da (des)entrevista, onde mais enganou do que propôs, é realmente séria. No fundo, Lula apostou na desmemória nacional e no clima de vale tudo na política brasileira. Ele, obviamente, é adepto do “política é assim mesmo”, muito comum nas rodas de cafezinho diário Brasil afora. Em outras palavras, para ele, sua proposta política de quinta categoria, com muita mentira e roubalheira, mal ou bem, tem sido tolerada sem punições.
A situação se assemelha à respota dada pelo Barão de Itararé quando lhe pergutaram o que era o Estado Novo, de 1937, de Getúlio Vargas. Foi curto e grosso na resposta: “É o estado a que chegamos!”. Estamos na mesa situação. Cabe a nós, brasileiros e brasileiras, dar um enfático NÂO! a este estado de coisas para abrir espaço para outros horizontes realmente decentes na política.
Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: Políticos: O que a revis-ta VEJA não viu”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=qS3-k352Ktc&t=3s
Vídeo feito em outra época, mas atualíssimo.
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