Edição: sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Gastão Reis

COLUNISTA

Gastão Reis

MORAES: DEDO MÉDIO EM RISTE E DESPREZO PELO POVO

Foi numa noite de quarta-feira, dia 30 de julho de 2025, que o ministro Alexandre de Moraes foi assistir ao jogo da Copa Brasil entre Corinthians e Palmeiras. Ao chegar no estádio, sua presença provocou uma vaia monumental à Sua (dita) Excelência. Ato contínuo, o ministro, olimpicamente, mostrou o dedo médio em riste em resposta ao que o Povo Brasileiro pensava a seu respeito: aquele tipo de indivíduo execrado em função de sentenças descabidas, mortes por impedir atendimento médico e frequente desrespeito à constituição de 1988. Daí a merecida vaia.

O gesto de Moraes tem outras implicações freudianas que refletem o absoluto desprezo pelo Povo Brasileiro. Na cabeça de psicopata de Moraes, nós somos uma grande massa ignara incapaz de compreender os elevados desígnios de sua preocupação em preservar a democracia brasileira em (suposto) risco nos atos de vandalismo do 8 de Janeiro de 2023.  Os golpistas queriam anular a eleição que colocou Lula na presidência por decisão de interesse do próprio STF.

A corte suprema descobriu, tardiamente, que o foro de Curitiba não teria competência para julgar os crimes de que Lula e PT eram acusados pela Lava-Jato.  Teria que ser o de Brasília. Até aqui, poderia ser o caso, se Lula fosse então julgado em Brasília, e sentenciado culpado ou inocente. Mas o que houve foi um cavalo de pau dado por Moraes, respaldado pelo STF, que habilitou Lula a ser candidato a presidente.  E, obviamente, cabe também ao mesmo STF a responsabilidade pelos desmandos, mentiras e grossa roubalheira deste terceiro mandato de Lula nas estatais e órgãos públicos como INSS e Correios.      A narrativa da democracia em risco não resiste a um exame pé no chão. O responsável seria o ex-presidente Bolsonaro que estava no exterior. Não havia tanques e forças armadas em rebelião nas ruas contra a ordem constitucional. Pensar em golpes, uma velha tradição da república brasileira, foi algo comum em nossa história, aquela escrita com “h” minúsculo. Bolsonaro nunca teve apoio das forças armadas para o referido intento. Nem mesmo nos tempos de cadente na Academia Militar da Agulhas Negras em que suas tentativas de liderar os demais cadetes nunca deram em nada.

Certamente, os historiadores do futuro levarão em conta estes fatos e descartarão explicações deste tipo como narrativas movidas por intenções de ordem política da pior espécie. No fundo, colocar no poder um indivíduo como Lula sobre quem pesam acusações bem documentadas de corrupção, apoio a regimes ditatorias no exterior e descompromisso com a verdade dos fatos, seria a garantia de manter os privilégios da alta burocracia brasileira. Em especial, as do Judiciário e seus inaceitáveis e caríssimos penduricalhos pagos pelo povo brasileiro, que vem dando demonstrações de que vai dar um sonoro Basta!

E foi então que sobrevieram as novas revelações do banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, que envolveram mais ainda a alta cúpula dos poderosos de Brasília. Elas têm vindo à tona na medida em que os diálogos da meia dúzia de seus celulares vão sendo transcritos para o conhecimento do grande público brasileiro. A reação deixa a todos de cabelo em pé pela gravidade e corrupção ampla e geral  do andar de cima.

Aquele “contratinho” de 131 milhões de reais assinado com o escritório de advocacia da mulher de Moraes foi um fato único entre os grandes escritórios de advocacia brasileiros,  que jamais tiveram clientes tão generosos. O objetivo de Vorcaro era claro: compra de influência junto aos poderosos de Brasília para fazerem vista grossa para suas falcatruas. Por um bom tempo, a coisa funcionou até que acabou despertando a curiosidade da Polícia Federal (PF). E foi assim que as trapaças acabaram vindo a público.

O caldo entornou de vez quando o ministro André Mendonça, após consultar Fachin, presidente do STF, tornou público o relatório da PF que mostrava o envolvimento de Moraes em conversas suspeitas com Vorcaro. Aparentemente, o contrato de 131 milhoes foi revisto (talvez escrito) por Moraes em seu gabinete no STF. Tal situação configuraria crime de advocacia administrativa, ou seja, funcionário público usando sua função para defender interesses particulares perante a administração pública.

Moraes reagiu despejando acusações contra André Mendonça que teria ultrapassado suas legítimas atribuições ao invés de manter as acusações contra ele em sigilo. Exatamente, o mesmo pecado que ele, Moraes, cansou de cometer contra dispositivos constitucionais com aquiescência de seus pares do STF. A ministra Carmen Lúcia chegou a afirmar que a constituição teria sido violada por Moraes, mas em situação excepcional em defesa da democracia. Sem golpe e tanques na rua, ministra? Entendeu? Nem eu!

O STF, sem credibilidade diante da opinião pública, está em maus lençóis, aqueles espalhados por Vorcaro, que abriu espaço inclusive para Paulo Gonet, o procurador geral da república. Este pediu a Vorcaro para financiar a viagem de seu filho a Londres. Os filhos de Moraes foram brindados com cartões de crédito com limites de 300 mil reais mensais.  Diante de tamanha promiscui-dade, a reação do presidente da corte não pode ter sabor de pizza requentada.

Diferentemente da suprema corte do Chile que mandou para casa dois de seus integrantes por corrupção, o presidente Fachin parece pisar em ovos. Depois de todas as denúncias, passadas e atuais, alguém tem dúvida de que este é o caso de Moraes e Toffoli? Para piorar, a ministra Carmen Lúcia prestou solidariedade a Moraes e não à honestidade de André Mendonça. Pode?

Cortar na própria carne é a saída. Moraes e Toffoli estão na linha de frente para serem expurgados. Mas o clima no STF até aqui é de solene indiferença em relação à opinião pública que pede a cabeça dos dois. Fica no ar   a certeza marota dos ministros de que a massa ignara, a população brasileira, desconhece os devidos meandros dos ritos jurídicos brasileiros.

Em suma: será que vão continuar a rir na nossa cara? É hora de dar uma resposta à altura ao dedo médio em riste de Alexandre de (i)Moraes.

Nota: Digite no Google “Dois Minutos com Gastão Reis: O STF na corda bamba”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=SRhYkHJISDA

Vídeo feito em outra época, em outras circunstâncias, mas atualíssimo.

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