COLUNISTA
A turma do andar de cima perdeu a vergonha na defesa de seus interesses de grupo muito distantes do que a população realmente almeja. O troféu grande vilão foi para o STF. A questão fundamental é identificar que fatores histórico-econômico-culturais abriram espaço para o estado lamentável em que o país se encontra a ponto de reinar um clima de profunda desilusão na população em geral, muito receosa quanto ao nosso futuro pouco promissor.
A desconstrução que vitimizou o Brasil nas últimas décadas pode ser associada a Lula e ao PT em que a mentira, a corrupção e a inversão de valores tomou conta da terra brasilis. Se somarmos os períodos presidenciais de Lula (2003-2010/2023-2026) e Dilma (2011-2016), chegamos a um total de 18 anos em que o PT deu as cartas no plano federal. Mas os estragos também se estenderam a estados como Rio Grande do Sul e Minas Gerais, dentre outros, e a municípios como São Paulo, que teve o bom senso de não conferir um segundo mandato a Marta Suplicy e a Fernando Haddad.
Quando constatamos a queda do QI médio do brasileiro nos últimos anos, não há como dissociá-la do PT no poder e ao estrago na qualidade da educação provocado por políticas equivocadas do tipo Brizola-Darcy Ribeiro, que, na prática, acabaram na ladeira abaixo da aprovação automática. Os estudantes saem do ensino médio sem dominar noções básicas de português, matemática e ciências, como nos informam os testes internacionais de desempenho com o Brasil na rabeira.
O erro de origem foi acreditar que bom desempenho possa ser obtido sem estudar para valer. Pergunte ao Pelé o que ele fazia após o término do treino em que os demais jogadores iam embora do campo. Em entrevista, ele disse o seguinte: “Eu continuava me aperfeiçoando, física e mentalmente, por mais uma hora de treino”. A proposta de dar assistência ao estudante em segunda época para que pudesse passar de ano acabou sendo desvirtuada em direção à moleza pura e simples da aprovação automática.
Em outros termos, optamos, na prática, por um programa nacional de emburrecimento no ensino público fundamental e médio. Ano após ano, os resultados confirmam o péssimo desemepenho do Brasil, indo de mal a pior. Escapam as escolas privadas que não se deixaram enganar que bons resultados possam ocorrer sem empenho e estudo por parte de professores e alunos. Tanto isto é fato que os referidos testes revelam os bons resultados do ensino privado comparado ao público.
Tive o cuidado de fazer uma entrevista com uma diretora de um CIEP Centro Integrado de Educação Pública aqui no estado do Rio de Janeiro. Era visível a decepção dela, na prática, com os resultados medíocres da aprovação automática. Deixou-me claro que a situação era a mesma na rede de CIEPs. O efeito sobre os próprios professores era desanimador quanto a dar boas aulas. Afinal, os alunos iam passar de ano de qualquer jeito. O autoengano ia ao extremo de usar tais dados distorcidos de aprovação como sinal de bons resultados dos alunos. Pode? Pode!
Mas o problema vai além do ensino básico. Ele sofreu um processo de abastardamento quanto à formação dos professores em cursos superiores nas nossas universidades. Dado o descaso e desrespeito social e financeiro aos mestres, a profissão passou a ser pouco atraente. Os professores do ensino básico com formação superior estão saindo do terço inferior dos universitários brasileiros ao passo que, na Coreia do Sul, eles saem do terço superior com melhor desempenho face ao prestígio social de que gozam e boa remuneração.
Não só isso. O ensino superior nas humanas passou a sofrer de um forte viés ideológico em que nossa História, por exemplo, passou a ser desfigurada. Gramsci, marxista italiano, reina soberano no ensino médio e nas universidades. (Digite no Google “A Enganação de Gramsci” por Gastão Reis, que vem no ato.). Na verdade, o “novo” mundo de Gramsci dominado pelos trabalhadores precisaria apagar a memória político-religiosa (capitalismo/cristianismo) anterior e subrepticiamente colocar no lugar os valores político-econômico-culturais dos trabalhadores. Ou seja, na moita, sem que as pessoas assim o percebecessem. Gramsci inventou o conceito de convencer na base da má-fé.
Vejamos alguns exemplos das omissões e apagamentos de que nossa História foi vítima, provocando um processo de baixa autoestima nacional diante de tanto coisa ruim que nos vêm sendo impingida cabeça adentro. Pouquíssimos brasileiros sabem que, já em 1543, em Santos, Recife e Olinda, e em todas as colônias portuguesas mundo afora, foram criadas santas casas da misericórdia, que dava tratamento médico gratuito para pobres e desemparados, inclusive índios e escravos. Logo, não eram apenas interesses econômicos e de exploração.
A população em geral ignora que 200 milhões de cruzados, pouco mais da metade do meio circulante português, foram trazidos por D. João VI. A narrativa deturpada só menciona que, na volta a Portugal, rapou os cofres do País levando com ele 50 milhões de cruzados. Mas nunca é mencionado o saldo positivo de 150 milhões deixados no Brasil. D. Pedro II, durante quase 50 anos, recusou qualquer aumento na dotação da Coroa, que caiu de 5% para meio por cento do orçamento. O destino dos outros 4,5% passou a ser definido pelo Parlamento.
Tais informações são normalmente desconhecidas da grande maioria da população brasileira. É um escárnio afirmar, como faz Mary Del Piore (não escrevi Priore) numa entrevista, de página inteira, ao jornal O Globo dominical, que a Princesa Isabel só se interessou pela abolição da escravatura seis meses antes da assinar a Lei Áurea, em1888. Simplesmente não mencionou que a Lei do Ventre Livre foi passada por ela, em sua primeira regência, em 1871, quase 20 anos antes da Áurea. E que mexeu politicamente os pauzinhos para viabilizá-la. E assim o fez também na Lei Áurea. Como, então, só seis meses antes!?...
Por fim, cabe registrar que, em 15/09/26, o STF passou a corda em torno do próprio pescoço. Adiou o arrocho para o novo senado de direita que vem aí.
Nota:Digite Google entrevista com Gastão Reis:“Quando o Brasil perdeu o rumo da História”. Ou pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=gtg4NGdjBbQ&t=62s
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