COLUNISTA
Desirré Mathias, professora da UNIFASE, levou a presença de Petrópolis ao cenário internacional ao integrar a delegação brasileira na 70ª edição da Comissão sobre a Situação da Mulher, realizada em Nova Iorque, entre os dias 9 e 19 de março. Principal espaço global dedicado à promoção da igualdade de gênero, o encontro reuniu lideranças e especialistas de diversos países. Ali, Desirré contribuiu com reflexões que entrelaçam saúde pública, formação profissional e enfrentamento às violências, além de apresentar a experiência do Projeto de Desenvolvimento de Humanidades da instituição. Um reconhecimento que reforça a presença da academia local em debates globais e o compromisso com a equidade e os direitos humanos.
Desirré Mathias integrou a delegação brasileira na 70ª Comissão sobre a Situação da Mulher (Divulgação)
Maurício de Memória chega aos 85 anos como quem ainda inaugura caminhos e não apenas celebra datas. No dia 21 de março, em Petrópolis, ele reúne pintura, poesia e música em um mesmo gesto: abre a exposição Epifania, lança o livro Letras Sobre Tela e ocupa o Centro Cultural Piccola Arena, espaço que ele próprio sonhou e construiu. Não é pouco. Depois de décadas entre o Brasil e a Europa, atravessando tempos duros e exílios, sua obra segue insistindo no essencial: memória, tempo e aquilo que não se explica mas se sente. Há, nisso tudo, uma delicadeza rara. Como se, aos 85, Maurício ainda nos lembrasse que criar é, antes de tudo, permanecer inteiro.
Artista plástico Maurício de Memória inaugura exposição e lança livro (Divulgação)
Érica Abreu, Fernanda Maip e Giuu Neves assinam uma criação especial na cervejaria Sampler, em Petrópolis, reforçando novos caminhos dentro da cena cervejeira local. Juntas, elas desenvolveram uma Quadruppel com rapadura, inspirada na tradição belga, mas com identidade brasileira, marcada por intensidade e personalidade. A iniciativa evidencia a presença feminina em um universo historicamente masculino, ao mesmo tempo em que dialoga com a vocação da cidade, reconhecida como capital estadual da cerveja. Mais do que uma nova receita, o lançamento carrega significado e amplia o olhar sobre quem também constrói essa cultura. A cerveja estará disponível ao público na fábrica dentro de um mês, convidando à experiência de um rótulo que une tradição, inovação e protagonismo feminino.
No Vale das Videiras, a Feira Cores e Sabores dedica o sábado (21) às mulheres e há algo de simbólico nisso que vai além da data. Entre hortas, mãos artesãs e saberes partilhados, o encontro acontece das 10h às 15h, reunindo produtoras que mantêm viva a delicadeza do fazer. À frente, Maria Sonia Pinho conduz a feira como quem cultiva mais do que alimentos: cultiva relações. Ali, histórias como a de Daniela Loos, que trocou o banco pela saboaria, e de Ângela Lima, com seus temperos e ervas cheios de memória, ganham forma e sentido. E, como não poderia faltar, a música chega com Liza K, em voz e violão, embalando o dia. Um desses encontros em que o tempo desacelera e a vida, simplesmente, acontece.
Há encontros em que consumir também é cuidar. Nos dias 24 e 25 de março, a APPO realiza mais uma edição do seu já tradicional Outlet Jeans Beneficente, reunindo moda e solidariedade em Petrópolis. São cerca de 1.500 peças, com descontos que chegam a 70%, mas o que realmente se costura ali vai além do tecido: cada compra ajuda a manter a Casa de Apoio que acolhe pacientes em tratamento contra o câncer. Entre araras e escolhas, a cidade se mobiliza mais uma vez em torno de uma causa que transforma silenciosamente, mas com enorme impacto a vida de quem mais precisa.
Há um tempo curioso entre Petrópolis e Três Rios: 77 minutos. É dele que nasce a exposição coletiva 77 Minutos, que reúne Ana Rondon, Camilo Moreira, Claudio Copello, Denise Campinho, Gardenia Lago, Isabela Bentes, Jarbas Paullous, Leticia Kling, Matheus Batista, Margareth Mattos, Pedro Vizzini e Sonia Xavier, a partir de 27 de março, no Sesc Três Rios. Com curadoria de Josiana Oliveiras, a mostra transforma deslocamento em linguagem e trajetória em presença. Obras em diferentes suportes ocupam o espaço como quem narra percursos, encontros e permanências. Na abertura, Jarbas Paullous performa. Depois, fica o convite: atravessar esse intervalo de tempo com o olhar e talvez sair de lá um pouco diferente.
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