Edição: sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

A cerveja e o ar-condicinado


Sim, ambos muito agradáveis, mas e daí? Explico: foi graças àcerveja que o engenheiro alemão Carl Von Lide inventou o ar-condicionado. E isso porque para ser produzida (e apreciada como devido), a cerveja precisa ser refrigerada, especialmente na fase de maturação, quando a sua temperatura deve ficar em torno de 0ºC. Ora, como no verão europeu (onde já existiam as grandes cervejarias do século XIX) isso era praticamente impossível, embora já funcionassem geladeiras nos EUA desde 1866, o criativo Von Linde desenvolveu um método original de arrefecimento, que foi batizado de técnica de Linde, para a liquefação de grandes quantidades de ar. E isso foi em 1894 a pedido da cervejaria Guinness, irlandesa.

k Von Linde


Ou seja, ele recorreu ao princípio da contra-corrência, através do qual o ar é sugado para uma máquina que o irá comprimir, pré-arrefecer e, por fim, descomprimir. Hoje, aperfeiçoados, os ares-condicionados são compostos por um condensador, um evaporador, um ventilador, além de um conjunto de serpentinas resfriadas dentro do aparelho por uma substância, R-22, à base de cloro, flúor e carbono. O ar sugado do ambiente passa pelo condensador, que promove a troca do calor pelo frio, percorre esse circuito das serpentinas e é “expulso”, já refrigerado, para o ambiente externo.

k escravo abanando a “sinhá”


Sim, ótimo, mas a propósito: o que é a cerveja, afinal? É o resultado da fermentação alcoólica do mosto de algum cereal maltado, sendo o melhor e mais popular a cevada. Mas outros cereais maltados ou não maltados são igualmente usados, incluindo o trigo, arroz, milho, aveia e centeio. Além disso, como a água é o seu principal elemento, a origem dessa água e as suas características têm um efeito determinante na qualidade da cerveja, influenciando, por exemplo, o seu sabor.  Outro ingrediente muito importante é o lúpulo (*), uma trepadeira de origem europeia que muito embora tenha parentesco com a maconha, não nos conduz ao mesmo
estado “odara”. Embora como muito bem observou o médico, Josier Vilar, é a presença do lúpulo que explica, então, porque a cerveja provoca uma certo torpor e sonolência, já que a graduação alcoólica por si só não justificaria.

A conferir!

j árvore do lúpulo


(*) A adição do lúpulo à fórmula da cerveja, introduzida pelos monges nos anos 700 d.C., serviu não apenas para “puxar” o sabor para o amargo mas, e sobretudo, para evitar que ela se deteriorasse.

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