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Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

Cardápio internacional sem sair de casa

Algum pensador já disse que criatividade é a inteligência chamada para resolver um problema. Pois essa criatividade é o outro nome das soluções gastronômicas que deram certo no Rio (de outras cidades e do resto do mundo não cuido por hoje).

Se não, vejamos. Lá atrás, tipo século XIX, as alternativas de repasto eram as óbvias: comer num “dos vértices do triângulo” casa, convento, caserna -- e, na sequência em mesas e salões de hotéis, pensões, botequins e a partir dos anos 30, marmitas. Sem falar nos bons restaurantes, mas este é o outro bolso. Nem em palácios reais e presidenciais.

Adiante: no pós-segunda guerra, vieram as lanchonetes. Esse sistema começou no fim da década de 1950, competindo principalmente com os restaurantes de prato feito. Nota: a pioneira foi a Bob`s da Rua Domingos Ferreira, em Copacabana, inaugurada em 1952 e de saudosíssima memória. Sacada comercial audaciosa do Robert Falkenburg   é ou não destino:  o rei do hamburguer chamar-se “burg”?) --  um socialite, jogador de tênis e corredor de automóvel, mas com o torque de um Ricardo Amaral (gringo) da época. Um precursor de modas alimentares cariocas.

A Bob’s pegou em cheio. E os hamburgers, os mistos quentes, os sanduíches inovadores (de atum) e o sundae, de remate, povoam até hoje a memória gustativa de todo carioca da Zona Sul com mais de 50 anos!

Infelizmente, fechou.

Vida que segue. Surgiram, então, as churrascarias e pizzarias (delas falarei em outro artigo) e, duas décadas depois, os quilos! Parênteses: na Rua da Quitanda, no Centro do Rio, há um chamado Fi-lo Porque Qui-lo, uma frase atribuída à mania de mesóclises do Jânio mas que ele nunca disse e se enfurecia ao ouvi-la --  porque ele era pinguço, doidinho de pedra, mas conhecia gramática a fundo (o certo é fi-lo porque o quis). O local vive cheio.

Bom, a chamada “comida a quilo” ou “por quilo”, como preferem alguns estabelecimentos, é uma dessas invenções “jabuticaba” que transformou  a refeição em restaurantes sobretudo nos grandes centros urbanos  em uma experiência de globalização alimentar.

Já vi em numa mesma gôndola, japas, salmão, lagosta, frango, quibe de carne, lombinho de porco, linguiças, lasanha, natureba,“arrozes“, bacalhau e feijoada!

A logística é quase sempre a mesma: os alimentos prontos ficam expostos sobre um balcão (que pode ser refrigerado ou aquecido) e o próprio cliente se serve deles, no estilo self-service. Entretanto, certos alimentos como japas, massas ou grelhados podem ser servidos por funcionários do local, a pedido do cliente ou num espaço específico. Como as bebidas e complementos: sal, pimentas, azeites, água quente, etc. Geralmente o preço é calculado por cada 100 gramas.

Bom, e agora em plena pandemia do Chico (estou como o meu amigo Lula Vieira, não chamo mais de Cov... para não dar intimidade a esse intruso, promíscuo), voltaram com força total os deliveries.

É um pouco do conceito de quilo só que dentro de casa. Às vezes pedimos um ceviche de entrada e complementamos com a carne picada, couve, etc, da véspera, ou a entrada já estava na geladeira (saladas, etc) e o principal vem de fora, etc. Tudo com o vinhozinho que a gente abre, bebe e ... vacum vin nele! Ou seja, ir a um restaurante daqui pra frente (quando...) será só durante os dias de semana, no trabalho, para experimentar gastronomia ou socializar com amigos. Ou curtir um ambiente diferente, celebrar uma data mais especial ... ou em viagens.

De resto, e como dizia minha querida avó materna e madrinha (Alzira), boa romaria faz quem em sua casa fica em paz!

E de bermuda.

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