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sexta-feira, 21 de novembro de 2025


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Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

Saudades do Beaujolais!


Durante anos muitos! eu esperei a terceira quinta-feira de novembro com ansiedade no paladar para ser dos primeiros a provar o Beaujolais Nouveau (ou primeur). Me lembro, inclusive, de quando morei em Paris, quase pernoitar em alguns dos incontáveis bistrôs que o lançavam, antes da meia-noite dessas quintas-feiras (às vezes tiritando de frio!), para no minuto um desse “Jeudi”, degustar esse icônico vinho rebelde.

n Le Beaujolais Nouveau est arrivé


Um gole de história. Ele é produzido com 100% das uvas Gammay e, ao contrário do ciclo milenar da maioria quase absoluta dos vinhos, engarrafado no mesmo ano da sua colheita, desde que em 1951 foi lançado como um vinho jovem, “diferente”, pra ser bebido a qualquer hora. E isso porque a safra tinha sido muito ruim e se ele fosse descansar em barricas ou tonéis por um ano, e competir com outros vinhos mesmo da mesma região, seria um possível fracasso de vendas.

Então, alguns produtores audaciosos decidiram apostar na espetacular jogada de marketing: lançá-lo no mercado até o fim do mesmo ano, com alarde. E organizar uma distribuido com logística “militar”; primeiro em Paris e depois na França -- no mesmo dia. Foi uma novidade badalada. Aí, no ano seguinte, estenderam a distribuição pela Europa e, nos anos subsequentes, para os quatro cantos do mundo. E ninguém, além dos enólogos e produtores, podia prová-lo antes dessa data-referência no mundo do vinho. Contam, inclusive, que em um certo novembro o então presidente Mitterrand recebeu o primeiro-ministro alemão numa terça-feira anterior à quinta-feira do lançamento e resolveu surprêende-lo, convidando-o para uma prova antecipada do Beaujolais.

Não conseguiu: quebrou a cara! Mesmo sendo presidente da França! Passou pelo vexame de ter que enviar uma caixa, dois dias depois, para Bonn (a antiga capital da Alemanha), com um cartão de “désolé!”,

n Mitterrand e Helmuth Kohl


Características/comentários

É um vinho “ que não morde”, como escreveu um crítico (bem) francês. Apresenta uma cor vioeta, tipo olhar da Elizabeth Taylor, e gosto de frutas do campo, com predomínio de amoras, framboesas, cassis e morango. E em alguns anos sente-se “lá longe”, no final da boca, um retrogosto de banana, por conta da terebentina.

n olhar da Elizabeth Taylor


Ou seja, um vinho para ser apreciado quase frio (10 a 12graus), sem muito papo. Numa mesa de restaurante (de preferência ao ar livre), ou na beira da piscina, ou num piquenique chique... Ou no mais acharmoso almoço desde que o anfitrião saiba apreciar a vida sem preconceitos.

Final: sei que alguns distribuidores de vinhos, delis, etc, irão receber o Beajolais 2025 por esses dias. Mas, primeiro, perdeu aquela magia da data “imexível” e, segundo, o preço foi para os cornos da lua!

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