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Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

As “marias”, “antonias” e “giocondas” do vinho


Eu já escrevi uma vez, que todos os substantivos do vinho, com exceção do que o designa, são femininos: a parreira, a uva, a colheita, a a safra, a fermentação, a garrafa, a rolha, a taça, a degustação ... e as vendas! E a primeira a ser homenageada é ninguém menos do que Maria, a mãe de Jesus, quando nas Bodas de Canã (e para evitar o vexame iminente para os anfitriões) pediu a seu filho para transformar a água em vinho, o primeiro milagre de Cristo, segundo a Bíblia.


b as bodas de Canãa


Correram 800 anos até surgir a segunda: a “viúva” Clicquot. A jovem Barbe-Nicole Ponsardin, que nasceu em 1777, aos 21 anos casous-se com o Dino de uma vinícola na Região do Champagne, aos 28 ficou viúva e decidiu assumir sozinha o comando da vinícola. E transformou-se numa máquina de negócios. Comandoupessoalmente a primeira exportação de centenas de caixas para o Czar da Rússia, distribuiu por toda a Europa e pois é -- exportou para o Brasil! Em 1826 chegaram ao Rio de janeiro as primeiras garrafas de Veuve Clicquot, encomendadas por carta escrita de próprio punho pelo imperador D. Pedro I.

n a Veuve Clicquot


Há uma segunda francesa notável, também viúva, (epa!) Louise Pommery (1819-1890), que à frente da vinócola do mesmo nome, desenvolveu, o primeiro champagne brut (seco). E para diferenciar a marca mundo afora, convidou artistas plásticos conhecidos para desenhar os seus rótulos.

n
Mme Pommery


Finalmente uma portuguesa extraordinária, a D. Antónia, que naufragou num rabelo (aquelas barcaças que singram o Rio Douro) junto com o marido. Só que ele morreu e ela sobreviveu graças às sete saias, que lhe serviram de boia. Mas não se salvou sozinha: salvou o vinho do Porto, porque quando a praga da Pylloxera (o fungo assassino) devastou as vinhas e os parreirais, ela pagou do bolso, durante anos, a sobrevivência/manutenção dos seus
empregados, até que a ciência dominou a doença agrícola.

m D. Antónia


Bom, e hoje? Hoje, a mulher é uma consumidora exigente, conhecedora do que quer e do que não quer mas, e sobretudo, uma aliada na luta pela qualidade do circuito do vinho: o produto certo, o preço justo, o jogo limpo. Sim! e graças a elas temos o “by the glass”, porque foi para atender à moderação feminina que os bares, os restaurantes, degustações em supermercados, etc, adotaram a degustação taça à taça.

Termino com um brinde muito carinhoso a todas “as marias” (e giocondas) do planeta!.

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