Edição: sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

O meu cachorrinho de uma noite

Nunca tive um cachorro de meu. Ou melhor, tive um, por uma noite. Eu conto: eu estudava no curso primário do Externato Maristas de Lisboa e ganhei, num desses sorteios de festas juninas, um cachorrinho fox terrier (de verdade) malhadinho, esperto, com alguns dias de nascido. Foi amor à primeira vista. Cheguei em casa em estado de graça e comecei logo a ensaiar alguns nomes para ele: Chico, Campeão, Pingo, etc., mas notei que papai, sempre participativo, estava reticente e nem participou das escolhas. Bom, lanchei e tal e preparei uma caminha para ele lá na área de serviço. No dia seguinte, papai me chamou para tomar café com ele e, assim de chofre, me disse: “Meu filho, eu sei que é duro, mas a gente vai ter que dar esse cachorrinho hoje mesmo”.

Quase desmaiei. E ele: “Nós temos as circunstâncias dos diplomatas, podemos ser removidos para qualquer país a qualquer momento, e vai ser muito difícil levar esse animalzinho (isso em 1956, então!)”. E rematou: “Quanto mais você se apegar a ele, mais vai sofrer quando tiver que deixá-lo”. (Recado que trinta anos depois eu despejei para o psicanalista: quer dizer que amar faz sofrer...)

Bem, tive que me dar por vencido diante dos argumentos que eu sabia verdadeiros. Colocamos o cachorrinho na mesma caixa de sapatos, e lá fomos para o meu colégio, primeira parada (depois papai segui apara o consulado) no roteiro.

Lá, um jardineiro (o jardim era quase um parque) sempre aparecia com uma muda de árvore, ou um vaso de flores (gerânios) e, atrás, uns dois cachorros se cruzavam pelas pernas dele. Saquei, na hora: papai já tinha pensado no futuro dono... Saltou do carro, falou alguma coisa com ele que sorriu, me olhou e se aproximou do Chevrolet Bel-Air, preto, 1955. Papai tirou o “lulu” da caixinha e passou para ele, que o colocou no chão. “Ele” se virou, me olhou, e saiu correndo para o fundo do gramado...

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