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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026


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Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

A gente passa cada vergonha!


Quem não se sentou numa cadeira de dentista nos anos sessenta, setenta, com anestesia cheirando a cravo e noz-moscada, não sabe o que foi pôr a coragem à prova. Mas eu, sei. Bom, adiante: já nos anos noventa, arranjei um dentista, cujo consultório ficava no último andar de um arranha-céu, na Praia do Flamengo, 60. Depois de uma “sessão” digna de interrogatório de um ímpio na frente do Torquemada, peguei o elevador para o térreo. Em um
andar intermediário, entrou uma moça que na hora não reconheci (não estava no meu juízo perfeito, vocês podem imaginar), mas que me olhou, primeiro de viés e, depois, já “olhos nos olhos”, e me disse: “Oi, Reinaldo, eu sou a Regina! Não está me reconhecendo?”.

Cadeira de dentista antiga
Cadeira de dentista antiga

Meu Deus, a primeira namorada! Aquela por quem eu quase enlouqueci quando ela me deixou... E agora esse encontro: eu ali, com a boca torta, enrolando a língua, o máximo que consegui balbuciar foi: “Claro, Regina, sim, claro que estou...”, e a baba molhou o meu peito em cima da camisa. Ela viu, contraiu as sobrancelhas, mas fez silêncio. O elevador enfim! -- chegou ao térreo. Já no hall de saída, ela se virou com ar de piedade e (acho que vi uma lágrima rolando) se despediu baixinho: “Melhoras, meu bem...”

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Pensei em me jogar embaixo de um carro! Mas, tampouco desta vez enlouqueci. Fiquei uns minutos zonzo; nisso parou um táxi, desceu um passageiro e eu me joguei lá dentro. E rebubinei o filme: a Regina foi minha vizinha na rua Leopoldo Miguez (Copacabana) e a gente “pegou a namorar” num bloco vespertino da rua da Miguel Lemos, em 1959, cantando “A lua é dos namorados”. E, nessa noite mesmo, entramos no ritmo dos  “frenéticos Dancing Days” até 1960, 61. Ela foi linda e sofrida, filha única com pais desquitados e brigados ...donde a pulsão de viver o “aqui e agora”, o que nos fez planejar fugas ciganas para a Argentina, ou mais longe...

Mas nada passou do sonho, claro: ela com quatorze anos, eu com quinze e, sobretudo, “Sin plata”

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