COLUNISTA
Esta frase, que é atribuída a uma ex-presidente da República, traduz de forma sutil uma situação insólita e pode ser aplicada a várias atividades. Na área do vinho, por exemplo, traduz uma falsificação (ou mais de uma). E nesse quesito, o fato mais interessante que eu conheço me foi contado pelo veterano jornalista J.A. Dias Lopes, atualmente dedicado a uma “arqueologia de histórias da gastronomia e vinhos”.
Vamos lá. O episódio ocorreu ele jura que é verdade no Restaurante Zafferano, de Londres. Um senhor bem apessoado entrou, sentou-se para jantar e, ato contínuo, chamou o sommelier e pediu a carta de vinhos. Depois de um exame de uns cinco minutos escolheu um Château Petrus safra1968. O profissional foi até a adega e trouxe a preciosidade com a cerimônia requerida: em cima de uma bandeja de prata, enrolado em um guardanapo de linho, imaculadamente branco.
O nosso personagem pegou a garrafa com cuidado e observou atentamente a rolha. Examinou-a por todos os ângulos, e disparou a sentença: “este vinho é falso”. Sem titubear. Bem, o sommelier não mexeu um músculo, como convém a quem trabalha em restaurantes estrelados. Se retirou em silêncio, levando a garrafa. O senhor consultou de novo a carta e pediu um Margaux 1945. Novo ritual: mas desta vez o freguês aprovou, bebeu um gole e fez um “ok” com a cabeça. E, com calma. Bebeu o vinho todo ao longo da refeição. Pagou a conta em dinheiro.
No dia seguinte, foi convidado pelo dono do restaurante (ele e um par de jornalistas da revista “Wine Spectator”) para um drinque explicativo no bar do restaurante. E, diante de todos, explicou com naturalidade o ocorrido na
véspera: “eu sou produtor de rolhas e as forneço com exclusividade para o Château Petrus.
E a rolha daquela garrafa “não era minha”.
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