COLUNISTA
Perambulei por Copacabana nestes dias de Carnaval (fora do horário dos blocos), e pude apreciar milhares de turistas, estrangeiros ou de outros estados, sentados nos quiosques, dentro e fora dos botequins, ou se hidratando com água de coco e cerveja em torno das carrocinhas, isopores ou ambulantes.
E me pus a pensar que, talvez, os alimentos precursores da comida de rua tenham sido os pães árabes com recheio; as empadas e empanadas dos americanos do sul; os pedaços de pizza na velha Nápoles; os “tapas” espanhóis; os tacos mexicanos; o angu dos cariocas nos tempos da Colônia, e os cachorros-quentes criados na Alemanha, que migraram para os EUA no início do século 20 e, de lá, para o mundo.
Detalhe: não se pode falar em sanduíches sem render homenagem ao aristocrata inglês Jonh Mantagu. No século 18, ele era conde da cidade de Sandwuich, (Condado de Kent) e sendo um jogador de poker inveterado bolou a solução de se alimentar sem sair do carteado. Ou seja, permear dois pedações de pão com uma fatia de carne assada, ou rosbife. E também gostava de colocar uma fatia de presunto, e outra de queijo, no segundo sanduíche.
E, se por um lado, há quem questione chamar de gastronomia a um “comer” sem nenhuma liturgia, nem qualquer ritual do serviço, por outro, essa “culinária de tabuleiro”, como a designou mestre Câmara Cascudo, reconstrói um inventário patrimonial que reflete e revela “um tempo” e “uma classe social”, no recorte de um ciclo sócio-econômico. E abrange desde o tipo de utensílios usados, à geografia do uso do doce e do salgado, passando pelas influências étnicas que trouxeram para o prato os variados tipos de raízes, ervas, pimentos, caças e pescas que, em última instância, determinaram o encontro dos saberes ancestrais com as formas disponíveis de servir comida.
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