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Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

A evolução do vinho brasileiro


Começo pelo fim: o vinho Grama Branco 2024, produzido pela Vinícola Tés, no terroir-roça do Vale da Grama, é o único rótulo nacional escolhido (dentre 115 vinhos selecionados pelos sommeliers do mundo todo) pela respeitada lista da “World’s Best Sommelier’s Selection”, em Londres, neste 2026. Esta vinícola está em uma região  tradicionalmente cafeeira, situada próxima à Serra da Mantiqueira, no interior de São Paulo, Um gole de história: dos anos 1950 até 1970, aproximadamente, o vinho nacional era produzido de forma quase heroica pela legião de “oriundi” que deixou o Trentino, a Toscana, o Veneto e o Bergamo, por volta de 1870, para lavrar, plantar e cultivar parreiras nas casas-vinícolas que escalavam a serra gaúcha.

Deram o melhor de si. Mas, hoje, daquele jeito, estariam todos falidos.

n galpão-adega dos colonos italianos


E falidos porque eles produziam vinhos de forma empírica. Todo o processo que vai do plantio à taça do consumidor era “pensado” a partir da memória ancestral dos “nonnos”, tios, etc. Não havia um enólogo e nem sequer um profissional com expertise em novos métodos de fazer vinho. Tanto que o sistema de plantio do parreiral era o pergolado, que transmite um visual de abundância, mas era -- e é -- salvo exceções, uma tragédia para se obter um produto com qualidade controlada, e homogênea. Quando chovia, por exemplo e, a seguir, soprava o vento (o sibilante minuano), a parte de cima secava e a debaixo continuava molhada.

b o sistema pergolado


Ou seja, era como se fossem uvas de parreiras diferentes. E, na hora de colocar nas cestas ou caixas de madeira para levá-las ao lagar, as de cima esmagavam as inferiores e se formava uma “paçoca” de mosto e suco. De 1970 para cá, (data imprecisa), no entanto, uma segunda e terceira geração de vitivinicultores, chamou a si resignificar toda a cadeia produtiva do vinho. A grande maioria trocou o sistema de pergolado pelo de espaldeira, em que as parreiras são plantadas em forma de Y , o que faz o sol e o vento circularem por entre os cachos de forma abrangente e simultânea.

b parreiras em forma de espaldeira


Hoje, o Brasil se posiciona entre os 50 maiores/melhores países produtores de vinho, em um mundo de cerca de 200 estados nacionais, e o terceiro maior da América do Sul.  De tal modo, que o último e caprichadíssimo catálago Vinhos do Brasil dos competentes Marcelo Copello e Sérgio Queiroz, do Grupo Baco Multimídia, traz números encorajadores. Além do aumento na produção, em volume e faturamento (cerca de R$ 21,1 bilhões em 2024), o consumo per capita também cresceu perto de 30%. E a relação dos estados produtores trouxe surpresas. Em primeiro lugar, continua o RGS, mas já os dois segundos provocaram um impacto: Pernambuco e Bahia, no Vale de São Francisco e na Chapada Diamantina, só no caso da Bahia. A seguir, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo (com a técnica da dupla poda), Mato Grosso, Goiás, Brasília, Espírito Santo e Rio de Janeiro, na serra fluminense.

E quando a IA for mais acessível em escala industrial, juro que vou começar a produzir vinho ... em Copacabana.

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