Edição: sexta-feira, 03 de abril de 2026

Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

O DNA das “fake news”


A explicação mais verossímil da origem dessa disseminação de notícias falsas parece ser a seguinte: na França, até 1564, os festejos pela passagem de um ano para o outro começavam no dia 22 de março, data que marcava a chegada da primavera. E as festas duravam uma semana, até o dia 1º de abril.

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Naquele ano, no entanto, o rei Carlos IX decidiu adotar o calendário gregoriano e em consequência determinou que o ano novo começaria sempre no dia 1º de janeiro. Mas muitos franceses, sobretudo os camponeses da “França profunda” que moravam no campo e em longínquas aldeias continuaram a seguir o calendário antigo, até porque alguns nem tinham tomado conhecimento do decreto real. E continuaram a celebrar o réveillon em 1º de abril.

Foi a deixa para alguns gozadores menos piedosos passarem a  mimeografar convites e até anúncios nos “jornais do poste” anunciando festas de réveillon e comemorações que obviamente não aconteciam. Surgiu então o “ha! ha! caiu no primeiro de abril” como mote para estigmatizar os que eram enganados pela divulgação de notícias falsas.

E como maldade se alastra rápido, rapidamente essas pegadinhas se espalharam por outros países, sobretudo através da imprensa escrita e falada. No Brasil, por exemplo, o primeiro jornal a aderir às “fake news“ foi o “A Mentira” (nada mãos coerente), do Recife, que em 1º de abril de 1884 publicou uma foto com legenda, noticiando a morte de D. Pedro II.

v D. Pedro II “morto”.


O jornal, obviamente, desmentiu no dia seguinte. E, segundo o próprio veículo, em edição no dia seguinte, D. Pedro tirou de letra: jantou em Petrópolis, com a família a sua canja habitual e sorveu duas taças de vinho tinto, para brindar a sua ressurreição!

O contrário de tudo isso é a “mentira de amor” que, segundo o poeta Mário Quintana, quase sempre “é uma verdade que se esqueceu de acontecer”!.

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