COLUNISTA
Dizem que quando o monge Dom Pérignon descobriu, por volta de 1693, o método de vedar com rolhas grandes, protegidas por uma “gaiola” de arame, as garrafas do vinho espumante que após uma segunda fermentação (dentro da garrafa) criavam milhares de bolhas que subiam pelas laterais e continuavam nas taças, teria exclamado: “estou bebendo estrelas”...
rolhas e arames do champagne
(pode ser ao lado: Dom Pérignon)
Sim, mas por que o champagne Moët & Chandon (detalhe: como tem trema em cima do primeiro “e”, pronuncia-se “môet” e não “moê”, caso não tivesse trema) é acompanhado do adjetivo “brut impérial”? Porque o menino corso Napoglione Bonaparte (foi registrado em italiano, embora desde o ano anterior a ilha já fosse francesa) nasceu em Ajaccio, em 1769, na Córsega, de pais pobres. E, aos 10 anos foi mandado estudar a cerca de 2 mil quilómetros de distância, lá no nordeste da França, interno, na Academia Militar de Briènne.
Os alunos podiam passar um fim de semana por mês em suas casas, mas ele, sem recursos, e vindo de muito longe, ficava sozinho segundo os biógrafos estudando geografia, e as guerras do império romano. Certa vez, no entanto, foi convidado e aceitou de imediato o convite de um colega de sala, Jean-Rémy Moët, neto do fundador da vinícola que produzia esse já conhecido champagne (em francês é masculino), para ir com ele a Épernay, na região produtora demarcada desses célebres espumantes.
Voltou alguns outros fins de semana e nunca mais esqueceu esse gesto de acolhimento. Tanto que vinte e poucos anos depois, já imperador, antes de todas as suas batalhas, passava por Épernay para se abastecer do precioso “néctar”.
Cortesias recíprocas: 48 anos depois da sua morte, em 1869 e para comemorar o centenário de seu nascimento, a Maison lançou o champagne brut Impérial, em homenagem ao título (imperador) que ele tanto valorizava, porque “chega-se a rei pelo sangue, mas a imperador pela espada”, segundo o próprio.
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