COLUNISTA
Sempre (que possível) no dia 17 de abril acontece o Malbec Day, celebrado pelas embaixadas e consulados argentinos em cerca de 44 países pelo mundo. E este evento é tão representativo para a imagem da Argentina, e do seu vinho querido, que o convite é assinado pela respectiva representação em cada país, consulado ou embaixada. É um acontecimento habitualmente celebrado com um simpático encontro de apreciadores e dos chamados formadores de opinião de cada localidade, para a degustação dos cerca de 15 produtores diferentes do Malbec argentino e, também sempre que possível, entrecortado por uma exibição de um grupo musical típico (o velho tango), ou de uma exposição de pintura ou escultura, da nova geração de argentinos.
Parênteses, você sabia que além do rosé se produz, também, Malbec branco?
Um gole de história.
A uva Malbec é originária do sudoeste da França, da região de Cahors, próximo a Bordeaux, onde é conhecida pelo nome Côt. Quando a praga filoxera devastou os parreirais europeus na metade do século XIX, ela foi trazida para a Argentina pelo empenho do visionário Domingo Faustino, que contratou o enólogo francês Michel Aimé Pouget (1853) para transformá-la na "marca símbolo" de Mendoza. Aliás, foi também determinante o apoio do então presidente da Argentina Faustino Sarmiento ((1868-1874, intelectual, escritor e gourmet , que possibilitou vencer todas as dificuldades burocráticas e até diplomáticas entre os dois países.
Mas só em 1996, quando o legendário vitivinicultor Nicolas Catena resolveu produzir os primeiros vinhos 100% Malbec é que o experimento surpreendeu o mundo enológico. A safra de estreia, o “Adrianna Malbec 2004”, conquistou a nota 98 do crítico Robert Parker. E desde 2012 este casta vendo sendo (re)eleita o melhor Malbec da Argentina pelo guia Descorchados, e outras publicações congêneres, tendo recebido sempre notas perto de 100.
A coloração do vinho Malbec tinto é intensa, puxando para o encarnado escuro e o violeta. E o aroma apresenta aromas que lembram frutas vermelhas, ameixas maduras e até madeira. Combina bem com carnes, sobretudo a bovina e a de cordeiro; caça; e vai bem também com matambre, com todos os embutidos, e com queijos fortes. Só não casai com “dulce de leche”.
Mas é o melhor marido de “las empanadas, ché”.
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