COLUNISTA
Há anos, comecei um blog dizendo o óbvio: o vinho verde, não é verde! Ele pode ser branco-palha, ou amarelo-âmbar, ou dourado, como o Casal Garcia, o mais conhecido no Brasil.
vinho Casal Garcia
E tampouco é produzido pela nova geração de enólogos portugueses (nascidos ou estrangeiros convidados), altamente capacitados. É um velho guerreiro que no passado era elaborado “por agricultores da minha gente”, como disse Saramago, mas que fez a felicidade dos milhares de portugueses que vieram para o Brasil no finalzinho de 1800, no pós-guerra de 45 e depois “dos cravos de abril e, até hoje, mata as saudades atávicas dos filhos e netos dessa brava safra de “patrícios”, sempre saudosa dos garrafões e das paneladas da saudosa da “terrinha”.
Mas, então, por que se chama Vinho Verde?
Primeiro, porque “vinho verde” é uma Denominação de Origem, criada em 1908 pelo governo português, para identificar esses vinhos jovens, produzidos no noroeste de Portugal, uma área de intensa vegetação, sobretudo o Minho. Uma província diferenciada, porque convive com um passado de aldeias com casinhas de pedra, pontes romanas, feiras e festas religiosas, e da alegria singela das cachoupas vestidas a caráter.
uma cachoupas do Minho
E, por outro lado, e em paralelo, com um Portugal na ponta da tecnologia, pós-.moderno até, com imensas áreas iluminadas pelas turbinas eólicas do “Alto Minho”, um dos parques maiores e mais modernos da Europa.
turbinas eólicas
Finalmente: mas qual é a diferença entre um vinho verde e um vinho não-verde? A primeira, como já disse, é a Denominação de Origem: um “terroir” que faz germinar uvas ricas em ácidos e pobres em açúcares. A segunda, e por
isso mesmo, porque a fermentação não termina com a vinificação (como é o normal na maioria dos vinhos) e continua dentro da garrafa, como nos espumantes. E então o ácido málico transforma-se em gás carbônico, o que faz
com que o vinho apresente o que os enólogos chamam de “agulha”, algo que lembra na boca as bolhas de um espumante.
As principais castas brancas são: Alvarinho, Arinto, Avesso, Azal, Loureiro e Trajadura. E as tintas, Alvarelhão, Amaral, Espadeiro, Padeiro e Vinhão. São vinhos sempre moços, vibrantes, com notas minerais, que acompanham bem frutos do mar, peixes, mariscos, ostras e amêijoas. Já o tinto, com a casta Sousão, é bem ácido, mais musculoso, e “encara” lindamente um leitão à Bairrada
Bem haja!
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