COLUNISTA
Os iogues e os praticantes de outras “filosofias práticas”, conseguem atingir um nível tão elevado de autocontrole e domínio das emoções, pela mente, que quando são impactados por um fato perturbador, são capazes de se distanciar da reação impulsiva, quase automática, para examinar com frieza todas as possibilidades de equacionar a melhor solução.
O comum dos mortais, não.
Um dos exemplos mais significativos da minha vida ocorreu em Belém do Pará, no remoto ano de 1971. Eu estava na Esso Brasileira de Petróleo, a sede era no Rio, e a minha função era correr as capitais do país para fazer “a cabeça” dos proprietários de redes de postos de gasolina, a fim de mantê-los fiéis à nossa bandeira e evitar que migrassem para as concorrentes Shell e Atlantic.
Depois de horas de voo, chegamos à capital paraense, um colega que tinha acabado de chegar da filial Curitiba, e eu. Era fim de tarde, comecinho de uma noite estrelada no vasto céu da Amazônia. Feito o check-in no Hotel Grão Pará, combinamos subir para um bom banho e nos encontrarmos lá pelas 8:30, para jantar.
Desci antes e estava esperando ali no hall quando ele saltou do elevador ... transtornado.
-- Reinaldo, acho vou pegar o primeiro avião amanhã e voltar!
Estou muito preocupado...
E foi logo dizendo: “sou recém-casado, liguei pra casa agora e a minha mulher não atendeu. Pedi para a telefonista refazer a ligação, e nada! A gente não tem parentes no Rio: ninguém conhecido. Para onde ela pode ter ido? Será que ela saiu com alguém?”
Pensei um segundo e me veio uma inspiração. Fui com ele até a telefonista e perguntei a ela: “minha filha, para que número você ligou?”
Ela consultou um bloquinho e ... “para 21- 2558363”
O da casa dele era 21-2558364.
Ela, então, ligou imediatamente para o correto e a madame atendeu de primeira!
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