COLUNISTA
Quando a gente pensa que já viu tudo em termos de desmandos e extrapolações, não viu: recentemente, o poderoso presidente da Rússia, Vladimir Putin, baixou um decreto declarando que só é champagne o espumante produzido na Rússia! Que tal?
É bem verdade que ele, há tempos, vem incentivando a vitivinicultura na região meridional de seu país, dos sopés do Cáucaso até a Criméia ao que tudo indica aonde “nasceu” a vinha e o vinho, há mais de 6 mil anos no âmbito de seu ambicioso projeto de restaurar a grandeza imperial “de todas as Rússias”, do tempo dos czares.
Ele só não combinou com a lei universal de proteção ao registro das marcas, a chamada Propriedade Intelectual. No caso desse célebre “néctar francês”, por exemplo, a marca CHAMPAGNE está protegida desde 1927 pela rigorosa legislação da França, e com tal confiança na associação do produto com a região, que essa indicação geográfica -- AOC (Appelation d`Origine Contrôlée) -- nem aparece nos rótulos dos respectivos espumantes, tão obvia é a aceitação internacional de que só os vinhos produzidos naqueles 32 mil hectares satisfazem as estritas normas de controle do INPI francês. E mais: as encostas, caves e lojas da região de Champagne, no nordeste francês, foram tombadas e classificadas pela Unesco como Patrimônio da Humanidade!
Mas parece que o Putin não está “nem aí”.
Ou seja, o casal perfeito, o Romeu e Julieta da gastronomia caviar e champagne -- agora parecem patrimônio do Kremlin. E além do caviar, a Rússia produz também excelentes “botargas”, a iguaria feita com ovas de taínha ou atum, que passam por um processo de salga e desidratação, e é quase um sinônimo gastronômico da Sardenha, na Itália.
Será que o Putin vai ganhar essa? Ou seja, é uma guerra principalmente com a França? Não seria melhor “combinar com os russos” que eles e você, Vladimir -- ficam com o esturjão e a produção de vodka e o deixam o arrumadinho Macron continuar cuidando das ostras da Bretanha -- e do Dom Pérignon?
Mas o verdadeiro, o produzido em Épernay
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