COLUNISTA
Tive tivemos, minha irmã Maria Teresa e meu irmão Renan um pai que era uma figuraça.
Virtude um: permanente bom-humor; virtude dois: um pai amigo, ensinador, sem ser professoral. Como antes de correr mundo como diplomata viveu no “brasil profundo” dos anos 30 (Amazonas, Acre, Rondônia), absorveu o timing daquela natureza sem pressa salvo quando desaba em forma de temporais cenográficos.
Conheceu caboclos, índios e presidentes da República e acho que aprendeu mais com os primeiros!
Duas histórias hilárias: vinha meu pai andando com um amigo por uma rua de Porto Velho e cruza com um senhor que vinha em sentido contrário. Este saúda o amigo de meu pai, que nada responde. Param e o tal senhor pergunta: não está me reconhecendo?
Diz o amigo do velho: estou e muito. Mas todos os anos faço uma lista dos meus amigos inúteis (nada me acrescentaram...) e este ano inclui o senhor. Portanto, “passar bem”.
A outra (tenho umas vinte!), tipo choque cultural. Papai, que serviu como cônsul em Guayaramerin, na Bolívia, resolveu conhecer o famoso lago de Titicaca e contratou um barco de totora, a remo, para um passeio em torno das ilhas flutuantes.
Segundo nos contava, o guia-remador era um índio forte que poderia ter 30,40 ou 60 anos. Papai puxou papo, é claro e como queria visitar a Ilha de Taquile, perguntou se ele estaria disponível “mañana”. O índio não respondeu, ficou pensativo. Papai insistiu e frisou que teria que ser no dia seguinte: “mañana”.
O índio por fim, respondeu: “señor, nada em nuestro idioma expresa (exprime) urgencia!”...
E agora, uma atualização. E se eu tivesse que dar-lhe um presente pelo seu dia? Ah, já sei. Uma garrafa de Underberg!
O velho era bom de copo, embora cheio de precauções protetoras (por exemplo: “em festas, beba de pé, porque você saberá mais facilmente se já chegou ao limite”.) e gostava de bitters, como esta infusão baseada em uma receita secreta, guardada pela família Underberg desde que a empresa foi fundada pelo próprio em 1846. As ervas são destiladas mediante um processo secreto denominado Semper idem (ou "sempre o mesmo"). Os extratos são, então, amadurecidos durante muitos meses em barris de carvalho da Eslovênia. A bebida ficou famosa, também, pela sua famosa garrafa de 20 ml , projetada em 1949 por Emil Underberg, neto do fundador. O mini-frasco é protegido por uma capa de papel de palha e a etiqueta Underberg é colada nela . Todos os seus elementos, incluindo a forma da garrafa, cor, embalagem e nome Underberg são marcas registras e protegidas por direitos autorais. A empresa defendeu com sucesso esses direitos em mais de 1.200 processos judiciais contra outros fabricantes. E ganhou em todos.
Final.
Ah, meu velho, domingo agora é Dia dos Pais. Eu queria muito de dar um daqueles abraços, de quando a gente chegava do colégio lembra? Já sei que não vai dar; você está longe (mesmo não estando distante), então vai daqui um abraço gordo de saudades, mas abraço planetário.
Bom domingo, curta o seu dia!!!
(*) Embora todos nós sejamos descendentes, pelo lado paterno, da tradicional família Paes Barreto, cujo primeiro “fidaldo” chegou a Olinda, em Pernambuco, em 1557, vindo muito jovem do Minho, meu pai só usava o prenome e o último nome por mais uma visão de mundo (prática) que era a sua qualidade-mestra. Ou seja, em 1933 ele se candidatou a deputado estadual pelo Amazonas, enquanto o Álvaro Maia era o candidato à Constituinte. E nos santinhos, aparecia o AM (dois nomes) e papai na quis colocar três, no dele, para não confundir o eleitor. Elegeu-se e achou por bem manter Ruy Barreto, como tinha ficado conhecido.
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