Edição: sexta-feira, 04 de setembro de 2026

Reinaldo Paes Barreto

COLUNISTA

Reinaldo Paes Barreto

O “petróleo branco”

Até meados do século 19, quem nascia num lugar dificilmente conhecia outro, salvo por obrigação, como soldados, navegadores, diplomatas, missionários, comerciantes, corsários, piratas e fugitivos. Mas dois homens mudaram radicalmente essa imobilidade, dando início à maior “indústria do movimento circular” do planeta.

Os pioneiros

Thomas Cook foi o primeiro a pensar o Turismo em sua tríplice dimensão: o deslocamento de um ponto a outro, regressando ao ponto de origem; o meio de transporte e a hospedagem/alimentação durante e no destino. Cook, um sueco, naturalizado inglês, teve essa iniciativa, porque percebeu que mesmo as elites inglesas cresciam e viviam em seus castelos, ou “manors” , ou “cottages”, e não conheciam sequer um condado vizinho.

Bolou, então, em 1841, uma excursão a Leicester (a 170Km de Londres), partindo da capital. Levou 570 pessoas, em um trem fretado. Foi um sucesso. Mas aí se deu conta que precisava prever o timing da ida e da volta, reservar hotéis e refeições, tudo a bom preço. Criou, então, uma agência de viagens a primeira no mundo e, na sequência, começou a elaborar mapas, roteiros e fotos sedutoras de lugares atraentes. E, sobretudo, disciplinar as tarifas, já que havia grande disparidade. Foi a primeira excursão agenciada!

Estavam inauguradas as viagem de entretenimento, lato sensu.

O segundo, foi Alberto de Santos Dumont, o nosso herói brasileiro, que criou o avião (não a aviação), encurtando distâncias e estabelecendo também o transporte veloz de cargas, de correspondência e de medicamentos. Primeiro, com o seu 14 Bis e, na sequência, com o Demoiselle, que decolou e pousou (1909) sem o auxílio de nenhuma rampa ou catapulta (ao contrário dos Irmãos Right).

Mas para vencer a relativa inércia de muita gente, faltava um quarto elemento: a propaganda. No início, funcionou o boca-a-boca. Depois, vieram os cartazes, folders e folhetos, mostrando novas paisagens, cenários paradisíacos, novidades gastronômicas. Com o tempo, vieram os jingles e os filmes.

Foi a gestação do conceito de “Aldeia Global.”, do Mc Luhan, a interconexão planetária.

Outros “turismos” foram nascendo,  em decorrência desse quarteto: os “pacotes” comprados com antecedência e pagos à prestação; os mochileiros e os trailers; o  enoturismo e o turismo gastronômico; o turismo religioso ou arqueológico; o turismo de memória ou de pesquisa; o gigantesco turismo de negócios; o turismo-saúde (spas); o turismo de aventura, (dentre eles os simpáticos observadores de pássaros birdwatchers e, na outra ponta, os abomináveis caçadores de elefantes e felinos gigantes). Bom, até o início da pandemia, bilhões de turistas cruzaram o planeta e esse intercâmbio transformou a diversidade em convergência, uma vez que atuou em dois polos: a aproximação dos diferentes, e a identificação dos afins.

Boa viagem e feliz regresso!

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